domingo, 13 de janeiro de 2013

Antônia Chaves Mendes.


Hoje fazem 84 Anos que o meu anjo mineiro está aqui. Me perdoem senhores e senhoras, amigos, familiares, o raio que lhes parta, mais, hoje, fazem-se 84 que uma guerreira começou a batalhar desde cedo para viver. Seu nome é simples, mais com louros de vencedora para quem o já ouviu: Antônia Chaves Mendes.
Desde cedo, Tonha já soube o que é a vida. Tonha nasceu no céu de Januária, no pé do velho Chico. Tonha nasceu em 1929, filha de Josefina e Deocleano Luz Chaves; Mãe Josefina, morreu cedo, logo depois que "Tio Zé" veio, e logo Pai Deocleceano se arranjou com outra mulher, que fazia Tonha não saber muito do que era carinho de mãe. Aos 9 anos, vê Lampião passar por Januária, com suas tropas de heróis da caatinga, e rezou para Mãe Maria para que nada acontecesse, e nada o fez. Aos 11, perde Mãe de Mãe Josefina, a vó. E, logo depois, Rosa, Cota, Zé, Belinha, E toda a porrada se arranjam, e Deocleceano se ajunta com Mãe Josefina. Um cabeça chata, mais negro que um carvão, vem trabalhar na mesma padaria que Rosa: Francisco Cornélio Mendes, o filho perdido de Bodocó. Eles não se amaram de primeira, mais, se entenderam, e fizeram o amor crescer, florescer. Se mudaram, se casaram na matriz de Januária, que foi no mesmo dia que Francisco Alves morreu! Antônia trabalhou, lavou roupa na beira do velho Chico. Benjamin Guimarães passava, e o "Seo" Tintino (Quintino) fazia a travessia das bordas do Chico. Pai Francisco, vendia e fazia pãos para um patrão maçom, que logo faliu. Foram para Montes Claros. Não deu certo. Logo, o sonho dos anos 50 aflorou em Francisco: A vida de "Sum Paulo". ♫ Quando eu vim lá do norte, seu moço, do meu Bodocó...♪
Tonha veio, de 4 dias e meio na SOROCABANA (RFFSA-TM), e ficou na casa da Tia Laura. Sentiu ali, que a vida seria bem pior do que imaginava. Com "Toinzin", Maria, e Fransquin, sentiu ali a humilhação de viver de favor, enquanto chico trabalhava com seu comprade. Logo, a chance de sair dali. Pra onde? Ah, seu moço, Vila Miriam! Ali, sem "Toinzin", viveu tempos felizes, e inteiros. Deu-se a luz a toda a familia; Desde Maria até Márcia. E logo, tudo se acertava, para compor renda, Antônia lavava roupa da Lapa rica, da Vila Zatt, de tudo aquilo que lhe favorecia algum vintém. Humilhações, preconceitos, pobreza, falta de estudos: Tudo dependia de Chico (Pai Francisco). Chico, em 1970, durante a Copa do Mundo, se foi, e no dia do último capítulo d'A Cabana do Pai Thomás! Agora, Fransquin é o homem da casa, e a coisa se aperreia. Antônia lutou, teve dignidade, lavava roupas até as 01:00AM para viver, fazia todo dia salada de alface com sardinha, cuidava de seus, dava café pros presos, tirou as pulgas de toda uma casa, jogou água nos genros, adotou pessoas como família, fez abrigo para o "Tio Zé". E viveu seus dias de batalha, sem esmurecer, sempre lembrando suas  origens, e dando seu amor como prova de vida, sempre rezava o ofício, e sempre lembrava do que alguém (talvez um padre) lhe disse: "Bem aventurados os pobres de espírito e os miseráveis; Pois deles serão o reino dos Céus".
Hoje, meu Anjo Mineiro, a Minha Mãe, faz 84 anos. 84 de luta incessante, 84 anos de alegrias, tristezas e travessia. Minha avó, a mulher do qual me orgulho, a matriarca de uma família grande e sadia, uma mulher que, quando chamada a sentar no topo de uma mesa extensa, diz que não quer, porque não merece isso: Essa é a mulher da minha vida, uma pessoa que para mim, é mais que tudo nessa vida. Que Deus ainda te dê todos os tempos e todas as horas. Perdoa todos os meus erros e falhas contigo, mais, eu prefiro me esquecer que a vida é passageira, do que qualquer outra coisa que eu faça, por medo, remorso, ou comodidade. Eu te amo demais, véa.

Do teu, único e só;
Marcus Queiroz

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