Boi não voa, my baby, é proibido por lei.
Disseram-me dessa negativa nesta bandeira passada, enquanto eu descia os montes
e circundava as serras, mais sinuosas que o corpo da nêgra deusa de cabêlos
nêgros, que era inviável: Boi voador não podia. Desci mais um tanto, e vi as
pessoas me olhando de tôrto e direito, e vi que meu canto ainda estava só.
Minha escrita, ad ibdem.
Mas, se boi voador não podia, porque então o canto não era livre? E tudo o que
era contrário ao livre, era associado ao Boi Voador?
Que nos dizem, pois, os profetas então sobre isso?
Acaso pois, os profetas, também não estavam a sós e viviam sós? Aguardando a
hora da morte, ou da santidade, e quando se perdiam em explicar ou expiar as situações,
não levavam chumbo da ávida multidão, e não eram ouvidos, tampouco lidos?
Que nos diz, pois, o mundo?
Nada de novo contra o Sol, de fato. Ainda tento numa vã motivação por em letras
o vaticínio de escrever, mas não me importa, pois letra dada não é letra lida,
e os que dizem estar ao lado não sabem – disse-me êntre os brônquios, em
segrêdo, que só é lido quão môrto, heróe ou dado de insensatêz. De fato, o
estava certo. Talvez, no post-mortem meus dados textos, crônicas de ordem social,
admoestações e garrafas-ao-além-mar façam sentido.
O santo, o profeta, o homem, só se torna depois de môrto. Devia de ter notado
antes que a desventura da torrente de lêtras pegasse-me pelas ventas e deitasse-me no colo da mãe preta de côxas grossas, seios fartos e orbitantes, e olhos suntuosos
que emanam prazer e raiva, como se necessitasse de minhas carnes para agora, adjunto meu suor, penar, e reter.
Ai de mim, Piratininga, só sou teu príncipe.
Deus vos Salve, Kali Durga, deusa selvagem de seios que pesam em minha fronte,
enquão faço de tuas coxas meu travesseiro, e o teu cheiro de cinamomo sexual me
confunde entre o sim e o não, mas não me permite o talvez. Deus vos Salve, deusa
da morte e do sexo, que no confronto entre o conforto, me rouba o arfar e o gozo,
e estando eu no sopé da morte, urjo vida, e quando me sinto vivo, me enfeitiça
com a campa funda. Kali Durga, se me lancina com a morte, que eu vos pegue
como uma cadelinha pela última vez, pois se for de morte, ao menos te carregarei
comigo num último segrêdo – que todos sabem. Mandei escrêver no mural, mulher.
Carrego minha bolsa e meus pensamentos na mesma forma e maneira, mas não
entrego a ninguém aquilo que coube a mim. O pendão que hasteio, faço de
maestria que ninguém haveria de ter ou ver igual; admito entre o riso de
orgulho e triste que sou único, mas sei dentro de meu pequeno e pobre coração
que sou altamente passível de substituição – e os que me amam, podem amar
outros, e os que me confiam, podem confiar em outros, e os que me olham, podem
olhar para outros lados.
Sei, que sou inútil em termos eternos, e Kali me lembra disso a cada beijo,
sussurro, beijo na nuca, olho no olho, ou quando move seu quadril para frente
enquão empurro com força; tua cara rejante me mostra a dor e o prazer, e na morte se faz foz da vida, não é mesmo, deflorada senhorinha? Sei que quando esse enlace acabar, não há o que me
segure ou prenda, e por mais que eu tenha posto muitas âncoras e raízes, elas
são içadas e arrancadas.
Sei, que no fundo no fundo, como todo bôm coração ruim, não faço diferente/diferença
para nada e ninguém. E talvez – com a benção do Bôm Senhor – depois de morto, alguém
lembre que eu tentei ser alguém.
Um carinha. Maneirinho.
Um comentário:
E a escrita evolui, como previsto.
Bem-vindo de volta, Marcus.
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