Eis-nos aqui, senhores: mais um ano se vai, mais um ano se vem. As marés da tristeza, depressão e alegria que tantos já afogaram no ano passado recuam, sobrepostas pelas marés do ano que vem (e já se aconchega entre nós) e respiramos, renovados, novos ares, que não sabemos - por ora - se são ares de oxigênio ou enxofre, pois que os narizes são tão novos quanto o duomilésimo-décimo-sétimo ano desse calendário.
Há que se rasgar páginas; há que se trocar as toalhas; há que se pegar o jogo de panelas, talheres e pratos novos dado que este ano que passou derrubou foi mais toneladas de fuligem sobre nossos pertences.
O peso da fuligem, porém, não foi o bastante para abafar as nossas vozes exaltadas que brigaram entre familiares, parentes, amigos e amores; porém foram o bastante para manter-nos calados frente a votos positivos e eu-te-amos sinceros. Eis aqui a importância da troca de talheres, pratos, panelas e rasgares de papéis: para manter longe a fuligem que nos cobre de hipocrisia, nos forçando a publicar nas redes sociais nossas necessidades de carinho e nos impede de abraçar nossos pais.
Por isso, neste ano novo, torçamos todos que o ar que hoje respiramos tenha mais oxigênio que enxofre, e que o deus - ou deuses - em que você crê, hoje, tragam mais progresso que retrocesso (a ordem não lhes desejo, pois que o caos é mais sensual sob cobertas de seda).
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