Eu me lembro que antes de mim, não havia nada neste lugar. Eu me lembro que antes da tristeza havia a alegria, havia os sonhos, havia tudo aquilo que não havia percebido de imediato. Eu existia, antigamente. Eu era real, e tudo ao meu redor que bem antes de mim já estava, só ambientava mais a surrealidade de ser real.
Quando trafego na rua, e ando, quem esbarra em mim me leva, me carrega, e quem me pede informação, formalmente me conduz a palavra me dando um ar de vida que por segundos, revela meu rosto ante a multidão tão cinza, tão pálida, tão comum. Tão minha.
Eu perdi o sorriso que nunca tive porque não me considerava justo de sorrir displicentemente para toda e qualquer coisa - e até hoje acho isso. Mesmo que eu me apaixone pelo mundo, ou pelas pessoas que nele o habitam, e mesmo que eu tenha em mim o segredo da paz, não vou sorrir. A minha felicidade cabe apenas a mim, a quem eu amo e a quem eu estimo, aos meus amigos e a felicidade de uma eternidade. Eu espero encontrar minha felicidade, me encontrar, encontrar as pessoas que tanto marcam pra sair e nunca saem, os amigos que não se conversam, a certeza indubitável da única coisa que a vida pode nos dar: O descanso. Até lá quero ser feliz. Eu tenho esse direito.
Quando a dor passar e as lágrimas secarem, eu estarei lá, sorrindo para mim, dentro de mim; E quando esta felicidade reinar em mim, eu estarei guardado (mais ainda) na paz de Deus. E esta sociedade toda que procura o mesmo que eu, espero que uma hora tenha tudo o que se procura, porque do balcão do bar que estiver, eu estarei ali (in)visívelmente torcendo por cada um de nós - filhos do degredo, para sermos alguém.
Para nós mesmos, e para alguém de fora, porque a felicidade minha além de se basear em ver o outro bem, e ser alguém na vida/sociedade/mundo por mérito próprio, se baseia em cuidar do outro além de mim, o que algumas vezes faço com maestria, outrasvezes com um completo desastre, e me faz cada vez cinza. Tento, com o que está ao meu alcance, fazer um mundo melhor, mas, quando não consigo, tento novamente, e almejo mais uma vez no dia seguinte fazer parte do Clube dos Salvadores do Dia Anônimos. Lugar aonde gente que não tem nada, nem quer nada recebe sua felicidade vinda diretamente de Deus, das forças da natureza, das pessoas de bem que lhe ajudam, e pelo sorriso da criança (Cecília) a mais bonita, inspiração dos sonhos e literaturas mais que maravilhosas. Eu creio na alegria sem maldade, sem vilência. E é por ela que eu luto, e é por ela que eu brigo, pelo legado que um dia eu posso deixar para minha semente, pelo exemplo e pelo potencial do ser que irei orientar. Por Outubro.
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