domingo, 11 de maio de 2014

Rabiscos Medíocres do Carneiro.

É, voltei nessa porra.

Você foi até o fim, e voltou. Renasceu das cinzas. O banho em sangue quente de bode se secou, e você foi lavado (novamente) de seus erros, e assim, você se limpou de todas as ruindades, e assim se manteve; E assim se mantém. Você prefere estar no lixão, porque ali você se sente bem, e se lembra dos dias de sangue de bode, aonde você não temia ninguém, e os ensinamentos eram mais práticos, mais sintomáticos. Eis que você virou homem, e de repente, se rendeu ante ao mundo e suas leis mais insignificantes, e aprendeu o jogo dos homens de terno, e dos diferentes tão iguais, e dos iguais tão diferentes.
Sua vingança será consumada logo, e os Céus não resplandecerão ao teu favor; Burma.
E então lhe prenderam, rasgaram suas roupas, cortaram seus cabelos e o banharam. Logo depois, o fizeram cair de joelhos ante ao desconhecido, o inexplicável, a reza que não se sabe como, mas, místicamente é rezada pelos olhos, mãos, boca e mente; Assim, seguidamente, ele se transpôs: Não em carne, mas, em matéria. Ele transcendeu a morte, o ódio, a dor, e todos os seus sentimentos de criança que cabiam dentro de seu peito, patuá, guarnição e camisa. Ele venceu seu asco, acalmou sua alma e pereceu ante ao inimigo porque quis, e porque ele quer vencer pacientemente, vendo a morte refazer a vida.
Não me importa se ele cresceu ou não, juro. Me importa que ele fique bem, que ele esteja bem, que ele viva bem, e que exista alguém nesse extenso universo que o ame - devotadamente e doentiamente - a ponto de deixar sua cabeça cair no seu colo, e carinhar seus cabelos tão castanhos, de raízes tão loiras, de mente tão cheia e obscura, de pensamentos tão certeiros que foram pensados e criados na dor; Olhem por ele. Quando ele turvar sua face, olhe, e não repare; Ele irá chorar, lágrimas de Oxalá, com sentimento de Omolu, e ele irá turvar não só a cabeça, mas, sim todo o seu coração para derramar seus sentimentos e esvaziar seu jarro, para então encher de novo. Pede-se que não se tenham motivos para que o faça o derramamento, mas, mesmo assim, ele o faz. E se o fizer, perceba. E se o fizer, note. E se o fizer, o reconquiste, senão ele não mais será teu. Ele pode arrumar as malas e ir embora, ele pode fazer sacrifícios por quem ama porque ele acredita na mudança, e ele acredita no amor maior sobre todas as coisas, e ele conhece tudo, ele sabe tudo, e ele tem o dom de ver você além de seu corpo; Ele não é incrível, apenas é humano, apenas é ele mesmo, e não deixa pensamentos vãos entrarem em sua casa, coração, mente e chagas. Ele dança.
Ele está longe de você, e enquanto você não perceber o que você fez, ele não estará aí. Não do jeito que você o quer, ele saiu pra comprar cigarros e não irá voltar tão cedo.
Ele místicamente se transpõe para o Santo Campo de Centeio e lá fica, lá medita. Talvez em todas as suas aflições, quando ele clama por alguém, é lá aonde ele esteja: Lugar inacessível, aonde nem ele mesmo em seu estado físico consegue estar. Ele chora, pensa, medita, briga com seus pensamentos mais insólitos e torposos, brinca, respira, olha pra trás com orgulho, ressurge e deixa estar, deixa ficar. Ele tem as roupas bem passadas, e sempre lava o rosto para não o ver chorando. Ele perdeu o show da vida dele em que ele ganhou ingressos de graça, ele perdeu o disco que mais queria, ele perdeu a bota mais confortável, ele não conheceu o seu 3º cantor favorito, e ele também não pôde dar o presente do pai dele, tampouco dizer ao pai dele que tudo iria dar certo, mesmo que estivesse fadado a dar merda. De tanto perder, ele crê que algum dia alguém irá estar com ele, amar ele, e crer que ele é um cara legal - apesar dos pesares - e vai ver que ele tem um peito grande, aonde passaram muitos amores, muitos amigos, muitas chagas e muitos sacrifícios.
A morte é a maior conquista na vida de uma pessoa. É quando a última dor entra em ação pra ser a verdadeira alegria: A eterna.
Ele se senta no banco, arruma seu casaco, lê seu livro enquanto toma sua cerveja. Ele é assim. Ele precisa desesperadamente de um ponto de paz, que não se encontra em qualquer ponto e que não se tem medida precisa de paz. Ele só quer alguém que lhe seja o que ele quer ser para Ela. Ele só quer ter sua família, a mesma família que um dia ele teve há décadas atrás, e ele sonha por isso, anseia por isso. Ele só quer a felicidade dele, nem dinheiro, nem bens, nem títulos, nem nada. Só o que lhe cabe de direito. Ele só quer ser feliz, como qualquer um que trafega na rua...
...Boa tolice, quem carrega o Carneiro Santo não pode ser feliz. Se você é promessado, você irá enfrentar dragões, leões e áspides, justamente por ser um soldado do Santo dos Santos, e levar sua bondade aonde há mal, se faz necessário, se faz justo. Converter flores mortas em lindas Jasmineiras, e trazer novamente pessoas perdidas para um caminho certo, e fazer seus olhos cintilarem novamente, e fazer todos tentarem ouvir a música mistériosa e cadenciada que só você consegue ouvir. Você é insano porque você tem dons que outros não tem, você vê o que não vêem, fala o que não pronunciam e pensa demais naquilo que gastam poucos panos. Você é único no seu agir, Sionita. Sionita, sionite mais um pouco, tenha com o deserto a conversa que tanto espera, e atinja seu desejo: Um nó de forca, uma bala perdida, uma faca no estômago, um beijo com gosto de veneno nos lábios: O mundo é seu, mas, o que está lá, é mais ainda.

Mas, afinal, o que é bom e o que é certo?

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