segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Cinza #2

Eu estou no caminho de um só;
E nele não há quem me socorra,
tampouco me estenda a mão.
Não me sinto mudo;
Mas minha voz não sai;
Não me sinto forte;
Mais em paz minha força de esvai;
E sinto-me fraco como qualquer doente,
sinto-me desiludido, ferido e aflito.
Tenho medo da fome e muito;
Ganhar o que eu ainda nem conquistei,
estou há milhas do meu sonho,
e ele nem me percebe aqui,
um dia não é melhor que o outro,
eu queria beber do vinho de todos os jarros;
Principalmente do jarro da morte;
Minha casa não é minha;
meus amigos são amigos de outros amigos,
meus pensamentos não mudam nada,
minha razão é apenas uma vírgula,
minha verdade não passa de uma mentira.
Meu caminho é tão incerto quão;
Então eu me desfaço da maldade fea,
Não há quem apegue minha mão;
E nem por isso vou chorar mais, ou sofrer,
quero o meu feijão com lôro e coentro,
e aquela solidão que costumava ter.
Eu estou só no campo minado;
Mais uma vez nada é real;
São só vinte para as dez;
Minha vida não funciona;
O relógio tilinta forte;
É vem o Crepúsculo Esmeralda;
Aonde tudo se mistura com o nada,
aonde eu beijo a minha amada,
e vejo atordoado o dia se multiplicar.
Por favor, fique atrás de mim;
Não vou dar uma de herói,
Apenas não quero nenhum ferido;
A culpa não pode ser de mim,
seria mais um fardo a carregar,
Porque já tenho fardos demais;
São apenas motivos (in)verdadeiros;
De culpa absurdamente (ir)reais;
O dia é todo meu;
Eu tenho as 24 horas inteiras;
Na minha vida você me anima;
Cá está o Crepúsculo Esmeralda;
Por favor, não me diga:
"-Espero que você não se importe".
...Porque aí sim vou me importar,
só não vou expor, ir a mesa e brigar.
A igreja está tão vazia;
As caras dos santos me assustam;
Eu não sei rezar direito...
...O Sol está longe agora;
Eis o meu Crepúsculo Esmeralda;
Deus, me deixe estar em paz.

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