terça-feira, 12 de julho de 2011

Cinza.

Cuidado ao atravessar a rua;
Pois a mão mesmo sendo única;
Tem tráfego aos dois lados;
Homens de terno passam apressados...
...Mas, sempre olham um par de pernas; Por isso peço:
Atenção quando vier me encontrar. Venha linda só para mim.
Muitos carros passam, nenhum d'Eles para.
Encontre-me entre os prédios cheios de janelas;
Entre pessoas como nós, só que menos felizes;
E os mendigos pedindo grana pra pinga diária;
Entre crianças entre a inocência e o crack.
O céu está cinza, mas, não choverá mais hoje;
Tudo está se movendo rápido, preste atenção!
As nuvens revelam a bruma preta, perto da Igreja Matriz;
A igreja está com seu velário aceso, numa chama só;
Incandiando pelo Largo do Correio, todas as preces;
Venha comigo, irei te mostrar outro lugar;
Agora sim, com nós dois, me sinto inteiro e forte.
Subindo as ruas, até o Paço da Sé, estaremos lá.
Enquanto as pombas se aninharem entre as imagens;
São João Baptista tem uma pomba cinza em seu pombal;
Fazendo-a de confidente, e como bicho de estimação.
O Crepúsculo Esmeralda descerá em nossas cabeças;
Eu estarei em vosso peito, me colocarei em teu altar;
Juntos estaremos, uma vez mais, mesmo separados;
Sabendo que o infinito existe, e se encontra em nós;
E caso não te apercebas, o versejo existe por Você.

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