terça-feira, 9 de novembro de 2010

Crepúsculo Esmeralda.

Eu enterro meus dedos pela areia, e é frio e nublado como um céu roxo sem fim com nuvens brancas e azuis desenhadas com raios.
Eu estou só.
Mesmo eu estando com Deus e com a Morena e a Asa Veloz dos dias, eu estou só. Ninguém vem ao meu auxílio; Então fico eu perdido em pensamentos sobre o cavalo que fiz. Fico eu perdido em tanto o que de pensar, e em remoer mágoas que não causam diferença, eu fico com raiva do que não é meu, e isso me causa espanto.
Seguro então a areia com mais força, deixando ela escapar dos meus dedos, como você escapa de mim a cada passo que dou, a cada esquina que ando, quando penso em nós e ante-nós.
Sinto cíumes do passado.
Levanto-me; Amaldiçoo o vento que me trás pensamentos de destruição! E deixo uma lágrima escorrer inocentemente, me perdoando do erro. Sei bem eu que estou errado e rezo a Deus para que a próxima onda me acerte. Eu prometi a mim mesmo que eu ia te cuidar e proteger, mas mais uma vez eu falhei, como em todas as outras vezes.
A onda então me acerta e me deixo ser acertado em alvo-cheio, e desço para as profundezas do reino D'Além-Mar. Meu riso se funde co'a água, minha traquéia se abre...Nada mais resta, logo eu penso em nós, me encomendo, e caio em paz. Só. Com nós.
E então quando cair o Crepúsculo Esmeralda, terei eu capido na paz de meu ser, e você será de novo um rouxinol alivre, de tudo o que lhe acauso mal ou influenço em teu altar, tua vivença, eu Nagô, vou estar. Me pense, e tente ver, que coisas podem ser esquecidas, por mais que doam e se remoam no nosso coração ariano e defeituoso.

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