Lotus, obrigado.
Obrigado por - mais uma vez - ter me ofertado a morada dos teus braços, por um segundo eu ter sido imortal mais um dia, diante de todos os dias ainda permanecentes de minha vida. Obrigado por me dar um sorriso tão sincero - desajeitado, desalentado - mas tão vívido, tão supernova, tão tua culpa.
Obrigado, pelo quê?
Por tua culpa, eu me senti com meus 16, 17 anos de novo. Com você eu posso ter o prazer indescrítivel de ser eu mesmo, de ser e estar agindo naturalmente, de não me preocupar com roupa, cabelo, papo, perfume, se chove lá fora, se tem que ser em um lugar com nível, ou apenas um lugar simples: Tempo bom, tempo (não é) ruim.
Obrigado por vir do Degredo, e daqui do mesmo lado qu'eu, e assim entender (mais que superficialmente), o sentido da vida, e a definição da vida (ao menos, pra este humilde contra-crônista), e por retomar um velho fôgo, e dar essa sensação de imortalidade nos lábios deste em que encostou, nas mãos em que se sente um calor, num abraço que se cabe, e se encontra, em um desejo que não se encontra, nem se finda, nem se esgota, e que a cada mais um, e de novo, e de novo, e faz mais uma vez, se perca a conta, se perca tudo entre eu e você.
E a cada beijo, me sinto mais forte, mais teu, devotadamente; E no sofá que me sento pouco me importo co'as horas, desde que tenha você nos meus braços, no meu colo, no meu coração; Olhos que sentem, boca que vela, sorriso de canto de boca, voz aberta que fica muda, arranha, morde, geme. Silêncio, meu amor. Desabrocha a flôr bruta, pêlo-em-pele, abre, o gosto bom da seiva, mel cálido, se rende, impulso, sorri, morde de novo, tem gente vindo, tem algo passando na TV, sei lá - assim.
Fica ao meu lado, e não diz nada: O silêncio já diz tudo, já sabem de nós dois, e mais ainda: Sabem da nossa felicidade, da nossa eternidade, de tudo. Fica, e observa, daqui da tua cabeça em ninhas pernas, o movimento dos barcos, os saveiros perdidos, vapores que penteiam as águas, as barcas indo pros seus rumos, e eu indo pra ti, pra atracar meu escaler, e eu, tão meu, tão seu. Não faz mal que se deixe, eu estou aqui. Fica, e sente o coração disparado, o sorriso besta, o encontro, o encaixar dos braços em abraços, okhares, que denunciam frases, atos e prenumerações. Eis seu cordeiro em seu altar.
Usa.
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