segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ahoy; Deeshay.

Ahoy é saudação, Deeshay é despedida. E isso explica metade das coisas ditas e não ditas aqui e em qualquer outro lugar aonde esbocei minhas palavras tortas. Quando cruzo uma porta, que Deus abençoe quem está dentro da morada, e quando saio da casa, que Deus continue habitando dentro daquela casa, o Senhor tem tido feito o Seu refúgio em meu peito, eu que não sou sacrário mas tenho Ele em mim levo sua pacificação e espada aonde piso, entro e vivo. Mas, como em todas as outras coisas, me resta a função de filtro, aonde a paz que procuro e raramente tenho me é roubada, e minha estabilidade se ressona na corda aonde caminho, e aonde todas as coisas me mantém vivo, seguido e séquito as minhas tradições e convicções, mesmo que isso magoe, machuque, ferir, ou estagnar alguém. Que posso fazer, se é este meu jeito.
Desligo o telefone para não chorar, para não irromper em lágrimas tudo aquilo que se encontra preso em minha garganta. Há muita humilhação pra superar, muito dedo na cara pra quebrar e muito joelho pra dobrar, e muita reza por fazer. Muita saudade que se desfia num rosário sem fim. Quiçá Deus esteja me tornando forte para ver todo o resto do mundo ruir, e eu apenas me mantendo, seguindo, rindo, e cantando, enquanto danço um frevo rasgado com a cagibrina na cabeça. Talvez meu sonho esteja guardado do outro lado desta vida, e eu nem saiba. Agnish, beija minha boca, queima a tua agenda e foge. Não olha o povo vão, abre tua mente e conserva nosso mundo, nossas histórias, e tantas outras coisas. Morremos a cada dia, e a cada dia deixamos nossos rastros em tanto lugar...Não que me tenha em medo de morte, mas, tenho medo de cair antes de deixar meu legado aqui...
...Mas, que legado? Eu sou apenas um cara comum. 
Legado, do qual digo, e tanto quero afirmar nestes últimos escritos é a sua humildade, bonança, e vontade de mudar o mundo. Não que isso seja uma situação para você ficar omisso/submisso ante as cousas do mundo e suas pessoas vãs, não isso, não isso. Dê um "Deeshay" para tudo isso. Estou falando de você, seus quatro quarteirões, sua vida, corte os fios, seja livre de qualquer manipulação, e esteja pronto a se afirmar ante a tudo que vier para você. Vença os auto-desafios e barras. Apesar de cansado (a esta altura do campeonato) eu estou aqui - e inteiro. Mas, e você, leitor/leitora? Já se deixou abater? Não, não...Ergue. Força, Qualé, vamo lá! Isso...Hm. Agora, me dá um sorrisinho. Aí, diliça. Do jeito que eu gosto.
Eu tenho todos os motivos para não estar aqui. E estou, ou de teimoso, ou de raçudo que sou. Essa bagaça só é pros chegados, e pra alguns perdidos no mundo, e tem gente que começou ontem que tem mais divulgação e acessos! Tem gente que prefere ler as futilidades de um siri sem garra do que minhas garrancheadas, que que se há de fazer? Ao menos uma vez por semana penso em não estar, e no resto do tempo penso no todo restante. Penso constantemente em deletar isso, são posts muito extensos, que sempre resultam em nada, e ninguém entende, mas, é necessário tentar, mesmo que seja inútil, no fim das contas, e uma receita de como trair seu cachorro com uma enguia seja mais acessado que aqui. E, acabo vendo que a vida segue, a vida continua, os exemplos próximos e distantes me mostram isso piamente, então, nos resta bater de frente, ser bocudo quão necessário, e mostrar-mo-nos firmes em nosso pensar, agir e falar, para não só nos termos nos nossos próprios conceitos e alicérces, e sim para mostrar ao mundo para quê nós viemos, para quê estamos, e para d'onde vamos. Sem hesitações. Eu nasci pra quebrar na emenda.
Eu vou te buscar nas estrelas, e aonde mais me disserem e eu achar que você está. No chiado do disco, no cigarro paraguaio, na camisa de 1916, na barba e no cabelo bagunçado, na bolsa de aviador, no óculos escuro, na paciência, no sorriso amarelo e no humor ácido, nas músicas, nos livros e na hora que for mais proprícia para te lembrar. Na estrela de brilho mais moderado, é aonde você vai reinar. Não que mereceste a mais fulgurosa, mas, é de tua identidade ser apenas mais um na multidão, que burro, e bobo, trafega na rua assim como eu o faço hoje. M'assusta apenas o fato que você não há de ver Cecília por aqui, tê-la no colo, e cantar as músicas que me cantou quando eu era do tamanho do seu ante-braço. Mas, algo me diz que você ainda está aqui, e para você, é meu eterno "Ahoy", sem forma, maneira, ou qualquer tipo de "Deeshay". [...] Parecia ser tão óbvio, você ser o meu destino [...].
Mais um dia 3 está chegando. Mais um dia 3 sem você.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sem Título #22

Lembre-me da nossa vida,
e o que ela mais se assemelha,
dos dias vividos a soleira da cama,
e da mais completa beleza.
Guarda-me no brilho dos teus olhos,
no arredondado dos teus cachos,
na perfeição do teu sorriso,
e no teu abraço tão esparramado.
Olha nos meus atos,
e encontra uma saída,
enigma não decifrado;
cor mista sem ver tinta;
Quando bem acordades,
olha ao teu redor,
a essência da manhã que flui,
nela eu estarei.
Que eu continue a te influenciar,
a dar o melhor de ti no dia-a-dia,
e que nada aconteça de mal por nós,
porque nos eternizaremos nos Céus.
Agnish, vem comigo nesta estrada amiga,
abre teus braços pra me guardar,
olha pra mim e vede meu sorriso:
Ele é todo por tua causa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sem Título #21

Eu, por eu mesmo, não sei dizer muito bem tudo sobre isto. Só sei que tudo isso é terreno, e passageiro, e o que fazemos aqui, colheremos aqui, de uma forma ou outra. De uma determinada forma ou outra o Messias já veio. Na minha concepção, esperar por ele de novo seria muita humildade, ou muita burrice.
Menina, eu não tenho medo. Aguarde os spotlights tardios contarem a história da cadente estrela de quem não teve nada a perder. A pedra bruta contra a terra seca.
Deito-me contra a cama que ainda soma um pouco de mim no travesseiro e cobertor, porque talvez nele encontre a calmaria que perdi logo de manhã, porque no fim eu sei que eu sei que quase ninguém sabe que eu sou um homem ordinário, como qualquer outro. Sei que não sou nenhum nível de Heitor Iga, mas, faço meu melhor (apesar do mau tempo e das inúmeras críticas e cruzes a me petrificar na iconoclastia de amotinado).
Menina, olhe as pessoas, olhe o mundo, e não olhe a mim. Neste mometo, estarei a milhas de ti, só para não te notar o quão cansado estou. Não de nós, não de nós, mas, de mim mesmo. É muito fracasso pra pouca vida, é muito sonho pra pouca esperança, e é muita benção pra pouca desgraça. Sinto saudade da tua cama de solteira, do teu lençol todo desarrumado, e de nós dois sendo um, especificamente, de você, o único ponto de felicidade.
O som da Inglaterra me corrói, e eu acho é bom. A maioria dos sons me lembram tempos e coisas idas que ainda causam um frisson de lembrar, e dentre todas elas, surge teu beijo, e teu amor, que desarmam toda e completamente qualquer tentativa minha de ser esguio a tudo isso, esta cousa que lhes chamam de vida.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Komakino.

Dedicado a Ian Kevin Curtis.

Eu não quero mais nada a não ser aquilo que se encontrar próximo de minha estrada. Qualquer coisa que se encontrar longe ou afastado demais de meu caminho é considerado inútil (mesmo que outrora m'fosse vital), e o que mais vier no meu caminho, e não ousar ficar, logo será descartado e perderá seu contato e convivência comigo. A sombra que permanece em pé ao lado da estrada diz que nunca vai me abandonar.
Não cabe a mim discutir ou repetir coisas que forma já ditas por vozes maiores ou mais bem-entonadas do que a minha, não mesmo. Cabe a mim ver o rio tão turvado, enegreado e sinuoso por debaixo da ponte que eu pisar, dos olhos que me fitam sem emitir ou omitir sinal algum, e fazer aquela criança desconhecida parar de chorar. Cabe a mim tomar um caminho aonde todos os temores e situações vãs sumam do meu caminho e dos caminhos que cruzam e se aparalelam aos meus. Não tenho mais idade para isto tudo, tampouco paciência para aguentar esses malgrados de pessoas que nem sabem escrever meu nome; Eu quero feijão com coentro. Assusta não olhar para o próprio umbigo, mas, quando olhado, ser vilimente tratado pela magnética torcida, que espera apenas uma falha sua para atacar você, atar seus punhos, e cortar-lhe em véus.
Senhores, tenho uma granada abaixo do queixo, e nela está escrito redenção. Irônico, não?
Estou, ajduntamente e seguramente agora, chegando no pico daquilo que tanto procuro, e sinto isso a cada dia mais, a cada segundo mais, e sinto nos olhos de quem me olha, na voz de quem me conversa e no abraço em que me encontro.
Minha mente projeta cenas, põe obstáculos, prega peças, encena e roda um filme do qual nunca vivi, nunca senti. As pessoas olharam com cara estranha quando eu disse que não fumava maconha, mas, eu tenho valores, e muitas pessoas ainda os tem (mesmo que deturpados - no sentido amplo da palavra). O que não admito é quem estiver do meu lado mentir, omitir e ocultar um cadáver que hora ou outra eu vá sentir o cheiro embaixo da minha cama. Não me incomodaria se já tivesse conhecido sua ossada, mas, o cheiro podre e pestilento e as vermóides terminando de comer a carne rosada e bruta não me fascinam. Despacho este assunto, não me pertence mais.
Eu não tenho nada a perder, e nem por isso sou um Deus. Sou mais um como qualquer outro humano. E ainda sim - vez ou outra - ainda sinto dor dos mais variados sintomas e formas. Eu aguentei muita barra sozinho, e até hoje engulo muita coisa a seco, ou com farinha. Minha garganta tolamente tenta engolir todos esses problemas, mas, não faz diferença; Uma hora tudo sempre volta.
O Sol desponta acinzentado no meu caminho, e morre acinzentado: Eis o daltônico conversando de cores mil, e olha o mundo na sua mais cruel indisposição, e olha aquele tolo sozinho na estrada: Pelo seu mau comportamento, e ideias miraculosas para assuntos macabros e situações "práticas", foi posto para escanteio e ganhou uma esposa, cujo nome é Solidão.  
As letras confortam qualquer pessoa e qualquer situação. É ignorância e inútil querer fazer de um dos meus raros prazeres virar máquina mercantil. Eu não quero, eu não nasci pra isto. Eu já fui muito espezinhado, eu só quero minha cerveja e meu disco rodando, apenas isso, sem desengano algum, sabe? Eu só queria...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Garoto Cinza.

Deus, há quanto tempo não sentia assim, ele se pega pensando...
O frio corre das juntas dos seus dedos até a sua nuca, e assim ele apenas se sente vivo. Não que a morte seja ruim - é apenas uma transição, legado de heróis que tombaram naturalmente ou se fizera de tombados ante a este local. Agora a garoa gentilmente lava seus cabelos, e não seus pensamentos, fazendo assim que mil questões, dez mil mágoas, vinte e sete cenas e cinco lágrimas esvoacem n'Ele. Senhor, Misericórdia.
O garoto que vive de música não quer ouvir música hoje, e se alguém o conhecesse, talvez soubesse que isto é perigoso, tal qual um urso que não vive sem mel, ele não vive sem o som. Mas, hoje ele quer ficar só, e nos olhos dele - se você o notasse - a íris esmeraldina se tange em outra cor do verde, mostrando talvez a cor da sua áurea, o seu estado (de cair duro no chão).
É muita mágoa pra uma vida só, muita falsidade, muito cinismo e citações sem base, ele levanta a gola da blusa e afaga a barba. Só mais uma vez no alto da rua, seu guia é sua companhia, se você soubesse, saberia que o que ele mais queria era você ali com ele. Muitas cousas ele entende, muitas sabe, mas, os pensamentos vãos, e feos mal o deixam, e só o pioram e maltratam. Cousas que ele nem tem noção de como se é, vem a tona e o magoam, e o machucam, e ele ri como se aquilo fosse divertido (talvez seja para quem o assista lutar contra si mesmo, a ponto de se cortar para se sentir vivo), ou cousa que o valha. Ele está com medo do futuro, seu planejamento ainda tem falhas...
Ele pensa nela, nas cousas, no futuro, nos olhos inquisidores de quem supostamente deveria estar do lado dele, e ele pensa em ir embora. Heliponto, mais uma vez, o vento bagunça o cabelo dele, e ele ri copiosamente da cena: Ninguém vê sua luta, apenas o vento que ele tanto gosta. Talvez tenha sido o vento que o fez ficar aqui, talvez ele tenha recebido o carinho do pai dele que ele tanto quis, ou até mesmo ele tenha achado que sua família não merecia enterrar a sua ovelha negra agora.
O passado condena e assusta, o presente trás mudança e o futuro mora na incerteza, ele se perde nas horas de um relógio que cadencia movimento algum, e logo agora, antes de ir embora ele abnega o café da tarde, apenas para pensar em si, e como ele foi se acomodando, perdendo a coragem e se transformando em um homem ordinário, sem amor, dinheiro, paz ou bens materiais, correndo na rua apenas pra acompanhar a multidão frenética e ávida por dinheiro, fama, sexo e glória. Deus, olha por nós neste outrém.
Ele pega o metrô, e dorme. Como se estivesse numa cama dura, e mesmo assim seus sonhos não lhe dão a trégua, o corpo-a-corpo intenso lhe faz cansar, mas, a alma é de menino, e a lágrima faz a perseverança nascer. Ele vai morrer; Ele morreu; Ele está aqui. Ele nunca há de morrer. Seus lábios rezam a oração sincopada que ninguém lhe ensinou e suas mãos travam-se e fazem firmes para o manter em pé, enquanto seu corpo pena em querer descer. Ele queria ouvir a voz da mulher que tanto ama: Não vai.
Talvez, se o conhecesse, você veria que ele precisaria de ajuda mais que nunca, e notaria que ele anda cansado, magoado, chateado e afim de finalizar no heliponto. Se você o conhecesse, você o abraçaria com toda sua força e seu amor, e mais ainda: Não o colocaria em local indevido. Se você conhecesse a pessoa de quem eu falo, você não reclamaria de sua vida, tampouco iria dizer mil cousas sobre seu martírio diário; Você até o convidaria pra tomar uma cerveja. E veria, que assim como tantos outros, ele só quer, precisa e tem o direito de vencer (ao menos uma vez).