Talvez a vida seja
isso, enfim. Correr por correr e chegar a ponto algum, e padecer sobre a terra
que perece de carinho, enquanto um riso brota nos lábios, estranha vida é esta
que vivo, sinto e peno entrelinhas tênues que escrevo, sendo mais estranho
ainda é a forma das coisas, como acontecem, porque acontecem e quando
acontecem.
Era preferível ter a certeza da hora e do tempo do que saber se era de verdade ou de brincadeira. Foram muitas as chagas, e poucos os remendos, quando perguntaram se ele estava bem, nada ele disse. Apenas sorriu, apenas maneou a cabeça. Lembrou de sua vida medíocre e seu patrão que era um quengo, de sua mulher tão ausente e de seu filho que cresceu sem sua paternidade, sem sua vida, seu amor. Ele escornou num canto qualquer e chorou muito. Retinou o óculos amarelado e foi fazer churrasco e tomar umas cervejadas. A vida exigia isso, ele se exigia isso - E ele sabia que apesar de tudo aquilo ter um fundo de verdade, era só uma obra do mal, invenção da cabeça pensante e nunca tinha nada exilado: Todo pensar era necessário, absolto e reinante, afinal da vida se espera tudo, e talvez qualquer linha de raciocínio o deixasse pronto pra qualquer cousa que aviesse. Ele era mais inteligente que eu, e muita gente que o julgava burro ou tolo.
Lembro de meu velho algumas vezes me dizendo algumas coisas miúdas e
concisas que na hora mal faziam efeito frutífero em mim, mas, hoje eu percebo,
sinto e compreendo, que sou só mais um entre tantos e que minha vida não se
baseia em o que antes era alicerciada: Novamente, tudo mudou e me sinto velho
demais para irromper mais uma vez a mim mesmo para recuperar as coisas dessa
minha vida que logram-se passadas, afinal, minha vida irromperia e se abnegaria, do jugo sofrido só por estar comigo novamente?
Burro e bobo, trafego
na rua com o som tampando qualquer palavra vil. Afinal, vil serão os outros, eu
não mais. Tranco-me na casa de trovas e versos, e aqui me faço herói e
ponta-de-ariete para qualquer pendão. Os pendões que eu levantei foi de amor,
de gosto, de tradição, exaltação, de glória. S'é de lágrima, pois deixa cair e
correr no teu frigido, lindo e meigo rosto. S'é realmente de lágrima, me guarde
no amor do "eu amo você". É de lágrima, e nesta lágrima, cai o tempo
para você de mim se lembrar.
Metade de tudo o que eu disser, é apenas metade sem você, e tudo aquilo que eu escrevo vagando uma lembrança de nós dois não existe, apenas vaga por vagar e existe por existir como uma forma de existir no mundo, ainda sim sendo-te a minha metade procurando sua forma, física, espiritual, ou ilusória.
Hoje tive a impressão de ter te visto no metrô: O óculos amarelado, o cabelo agrisalhado e esvoaçado pelo vento, as mãos sôfregas, calejadas e penantes, e o riso bobo, amarelado, como se ainda estivesse aprendendo a rir. Por um instante senti sua presença, e por um instante Deus me deu de volta você. Por um instante eu estava ali com você, no mesmo tempo e espaço.
Cai o pano, e rosto se mistura ao cenário: Corpo porcelanado, místico como uma imagem de santo, só que bem mais atento aos detalhes núdicos do corpo velado ao ar. Deus, eu preciso de uma cerveja, eu não creio que estou vendo tudo isto, e que tudo isto élúcido, definitivamente. Deitou-se do teu lado e não diz palavra alguma, nenhuma palavra emite som maior do que a cama quando geme ao som do nosso amor, e amor nenhum no mundo é maior senão aquele do Cordeiro que se sacrificou por suas crias. Cordeiro que me lavou no sangue do bode, na água da cachoeira, no sal grosso, avenca, arruda, guiné, e mel, Cordeiro que tantas vezes me fez ver que a vida é mais que isso (e talvez mais mil vezes mostre), e mesmo que o mostre, eu ainda tenho minhas visões e pensamentos. Cousa que só mostra que o tempo pode ser senhor da razão, como o completo causador de motins, revoluções, dores e separações. O tempo é remédio de tudo, mas até mesmo mal-dosado, ele pode causar escárnio, vício - e consequentemente - a morte. Falando nisso, acho que já passei tempo demais aqui.
Bem, boa noite.
Cai o pano, e rosto se mistura ao cenário: Corpo porcelanado, místico como uma imagem de santo, só que bem mais atento aos detalhes núdicos do corpo velado ao ar. Deus, eu preciso de uma cerveja, eu não creio que estou vendo tudo isto, e que tudo isto élúcido, definitivamente. Deitou-se do teu lado e não diz palavra alguma, nenhuma palavra emite som maior do que a cama quando geme ao som do nosso amor, e amor nenhum no mundo é maior senão aquele do Cordeiro que se sacrificou por suas crias. Cordeiro que me lavou no sangue do bode, na água da cachoeira, no sal grosso, avenca, arruda, guiné, e mel, Cordeiro que tantas vezes me fez ver que a vida é mais que isso (e talvez mais mil vezes mostre), e mesmo que o mostre, eu ainda tenho minhas visões e pensamentos. Cousa que só mostra que o tempo pode ser senhor da razão, como o completo causador de motins, revoluções, dores e separações. O tempo é remédio de tudo, mas até mesmo mal-dosado, ele pode causar escárnio, vício - e consequentemente - a morte. Falando nisso, acho que já passei tempo demais aqui.
Bem, boa noite.