quarta-feira, 27 de agosto de 2014

I Me Mine.

Talvez a vida seja isso, enfim. Correr por correr e chegar a ponto algum, e padecer sobre a terra que perece de carinho, enquanto um riso brota nos lábios, estranha vida é esta que vivo, sinto e peno entrelinhas tênues que escrevo, sendo mais estranho ainda é a forma das coisas, como acontecem, porque acontecem e quando acontecem. 
Era preferível ter a certeza da hora e do tempo do que saber se era de verdade ou de brincadeira. Foram muitas as chagas, e poucos os remendos, quando perguntaram se ele estava bem, nada ele disse. Apenas sorriu, apenas maneou a cabeça. Lembrou de sua vida medíocre e seu patrão que era um quengo, de sua mulher tão ausente e de seu filho que cresceu sem sua paternidade, sem sua vida, seu amor. Ele escornou num canto qualquer e chorou muito. Retinou o óculos amarelado e foi fazer churrasco e tomar umas cervejadas. A vida exigia isso, ele se exigia isso - E ele sabia que apesar de tudo aquilo ter um fundo de verdade, era só uma obra do mal, invenção da cabeça pensante e nunca tinha nada exilado: Todo pensar era necessário, absolto e reinante, afinal da vida se espera tudo, e talvez qualquer linha de raciocínio o deixasse pronto pra qualquer cousa que aviesse. Ele era mais inteligente que eu, e muita gente que o julgava burro ou tolo.
Lembro de meu velho algumas vezes me dizendo algumas coisas miúdas e concisas que na hora mal faziam efeito frutífero em mim, mas, hoje eu percebo, sinto e compreendo, que sou só mais um entre tantos e que minha vida não se baseia em o que antes era alicerciada: Novamente, tudo mudou e me sinto velho demais para irromper mais uma vez a mim mesmo para recuperar as coisas dessa minha vida que logram-se passadas, afinal, minha vida irromperia e se abnegaria, do jugo sofrido só por estar comigo novamente?
Burro e bobo, trafego na rua com o som tampando qualquer palavra vil. Afinal, vil serão os outros, eu não mais. Tranco-me na casa de trovas e versos, e aqui me faço herói e ponta-de-ariete para qualquer pendão. Os pendões que eu levantei foi de amor, de gosto, de tradição, exaltação, de glória. S'é de lágrima, pois deixa cair e correr no teu frigido, lindo e meigo rosto. S'é realmente de lágrima, me guarde no amor do "eu amo você". É de lágrima, e nesta lágrima, cai o tempo para você de mim se lembrar.
Metade de tudo o que eu disser, é apenas metade sem você, e tudo aquilo que eu escrevo vagando uma lembrança de nós dois não existe, apenas vaga por vagar e existe por existir como uma forma de existir no mundo, ainda sim sendo-te a minha metade procurando sua forma, física, espiritual, ou ilusória. 
Hoje tive a impressão de ter te visto no metrô: O óculos amarelado, o cabelo agrisalhado e esvoaçado pelo vento, as mãos sôfregas, calejadas e penantes, e o riso bobo, amarelado, como se ainda estivesse aprendendo a rir. Por um instante senti sua presença, e por um instante Deus me deu de volta você. Por um instante eu estava ali com você, no mesmo tempo e espaço.
Cai o pano, e rosto se mistura ao cenário: Corpo porcelanado, místico como uma imagem de santo, só que bem mais atento aos detalhes núdicos do corpo velado ao ar. Deus, eu preciso de uma cerveja, eu não creio que estou vendo tudo isto, e que tudo isto élúcido, definitivamente. Deitou-se do teu lado e não diz palavra alguma, nenhuma palavra emite som maior do que a cama quando geme ao som do nosso amor, e amor nenhum no mundo é maior senão aquele do Cordeiro que se sacrificou por suas crias. Cordeiro que me lavou no sangue do bode, na água da cachoeira, no sal grosso, avenca, arruda, guiné, e mel, Cordeiro que tantas vezes me fez ver que a vida é mais que isso (e talvez mais mil vezes mostre), e mesmo que o mostre, eu ainda tenho minhas visões e pensamentos. Cousa que só mostra que o tempo pode ser senhor da razão, como o completo causador de motins, revoluções, dores e separações. O tempo é remédio de tudo, mas até mesmo mal-dosado, ele pode causar escárnio, vício - e consequentemente - a morte. Falando nisso, acho que já passei tempo demais aqui.
Bem, boa noite. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Long Away.

É tudo relativo - disse meu pai, fitando meus olhos.
E, até hoje creio nisso. Creio na dualidade, na divindade e na situação das coisas. Creio em tudo como um amontoado gamado de coisas, assim como um dia eu crivei a cruz gamada e soltei panos sobre os Céus, e um dia acreditei na bondade que s'era o mal acobertado em lãs e prumas. Pai, estou com saudades, e cada dia que passa dá uma vontade de subir até as nuvens puras para te ver, te sentir, te tocar, te ouvir em sermões, em conselhos, e sentir o cheiro do cigarro paraguaio barato esmaecido em tua roupa, ouvir mil histórias, casos e contos (reais ou não) e deles fazer meu caminho, minha história, minha justiça.
Talvez, meu velho, eu esteja de novo me sentindo naqueles dias idos aonde eu precisava apenas tocar um violão e tomar uma cerveja com você. Rir demasiadamente de tudo, e apenas peneirar o que nos satisfaça, o que nos faça bem. Colocar todos os planos numa mala e sair por aí, rodar o mundo, correr um risco, bater e ser abatido, ser um errante no meio de tantos que se perdem numa manada de pensamentos comuns e tradicionais em um lugar-temente. Pai, talvez e esteja enlouquecendo de uma forma que nem eu sei como levar adiante, e talvez só você soubesse me dar essa resposta. Talvez a resposta seja o seu ato. O ato final da peça, aonde o Pierrot tão pisado, tão aleijado e alojado como tolo, é aplaudido, reconhecido e forjado como herói aos olhos dos homens ordinários.
Dói, muito. Dor lancinante de lanceiro que não se tem em ais e fim.
As pessoas são bem assim: Pisam nas pessoas até que elas morrem. Depois vira Santo, Mártir, ou Herói de causa infundada. Cousa fea que atinge os dias de forma arrebatadora e transformadora. O monstro que atinge a casa não atinge o quarto aonde a criança dorme, e aonde a criança repousa, há um anjo de guarda, e neste local só pisa quem lhe tem amor e o coração bom, minha casa é morada de bons nomes e pessoas que entram e saem, e no meu tempo, no meu templo edifica-se o que não tem nome, mas, se sente, doce som do trovão seco que brota do chão e ascende aos Céus, doce amor que não tem definição, e mais de mil nomes. Criança, dorme: Ele está aqui.
Pai, as vezes me sinto só. E suas músicas ecoam em meus ouvidos, mente, e alma. Ainda penso em você todos os dias, e sei que vou te ver algum dia, alguma hora, em algum lugar, e todas as minhas aflições e medos, desde os meus tempos de criança, irão embora neste dia, quiçá um dos (senão o) dia mais incrível de minha vida. Fico em paz por ter você me dado fé, esperança, amor, música, canalhagem, Corinthians e tantas coisas erradas, que balanceio com a bondade que minha mãe me deu; Enfim, sinto sua falta da sua falta embargada, dos dias cinzas na praia, dos solos de violão, da cerveja e pinga com carqueija, da ponte, e de tudo aquilo que hoje se encontra abrupto. Fico sem ter, nem ver, tampouco crer. Inano.
Meu velho, queria poder te dizer algumas coisas, tirar algumas dúvidas, ter conselhos, só isso. Quando você puder, ou quiser, apareça, será uma honra, um prazer inenarrável te ter novamente ao meu lado, como sempre foi, quando quiser, venha ter comigo, eu tenho todo e qualquer tempo do mundo pra ti, meu velho.. Me desculpe pelos erros da juventude, mas, eu precisei, assim como você talvez um dia tivesse precisado, mas, eu aprendi. Juro.

De onde estiver, força pra você, e peço força pra mim. Firmei o ponto, ponto final.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

René.

Se alguém chorou;
Por seu amor,
e este alguém,
não lhe mereceu;
Não chore agora,
erga a cabeça,
pois este tango irá te vingar;
Saia andando feliz da vida,
e cante sua música preferida,
guarde a dor e sorria então,
E ande impecavelmente, René.

Se quem te quis;
Só lhe fez mal,
e em trova ruim,
lhe dedicou incertezas;
Pois tenha piedade,
desta alma qualquer,
que sofrerá o preço futuramente,
não olhe agora por favor,
mas talvez o amor da sua vida está te olhando,
apenas ria e ajeite o cabelo;
E ande impecavelmente, René.

Chegue em casa,
tire os sapatos,
abra toda a janela,
e veja o espaço;
Que Deus criou,
em sua homenagem,
só para lhe fazer tão feliz;
Por isso não deixe por um segundo;
Esta pessoa tão ruim lhe abater,
deite na cama e lembre do Céu;
E durma lindamente, René.

E nos teus sonhos;
Que sejam os melhores,
que brotem jasmins,
aonde tu bem passar,
e que seja eu o portador,
da notícia que mudará sua vida;
Que a pessoa que lhe completará,
Acabou de passar por aquela porta,
Seja humilde;
Simples, sinceramente normal;
E o enamore, René.

E vocês juntos;
Serão bem melhores,
do que qualquer,
outro casal,
se completarão, contemplarão,
estrelas e sonhos também;
E no auge deste amor,
sorrindo lhe dirá: Eu amo você,
o beije forte,
renove seus votos,
E seja bem feliz, René.

E aqui eu lhe conto,
o seu futuro,
do lado de fora do globo,
eu sei bem de tudo,
pois Deus me deu,
o dom de saber os teus passos,
Minha criança,
olha pra cima e vede as estrelas,
no futuro serei uma delas;
E olharei por você, René.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dois

Deita-se do meu lado;
E ali tem dois corpos deitados,
um que completa o outro,
um que contempla o outro.

Encontra na minha boca, além do amor;
Tudo aquilo que quero, ouso, penso em lhe dizer;
Palavras apenas, pedaços de fonéticas,
que não me dizem mais respeito,
afinal, em mim fizeste tua estadia,
e de nada mais creio ou espero.
A casa torna-se vã e obsoleta,
e os móveis contém históricos,
coisas daquilo que somos.

Seca a minha sede de te fazer entender,
que não é tudo aquilo que eu almejo.
De todas as (poucas) cousas que quero,
a grande maioria eu consegui na raça,
e sou um vencedor por ter (quase) tudo.
Não me importa as coisas que virão,
eu tenho peito para todas elas,
e se são doze horas no relógio;
Treze horas terei pra entender elas todas.

Olha nos meus olhos, e fita minha mente;
E vede todas as coisas que os olhos denunciam,
nota que me satisfaço nas pequenas cousas dessa vida:
Pequena cerveja, pequena música, pequena Agnish,
pequena oração, pequeno Sol, pequena ventania.
Em todas as Íris que vede lhe toma na sua nota,
pequeno nome, predicado, sujeito da oração,
ora pra Cristo dar-lhe a boa morte em paz;
Será em paz tudo o que for lhe propiciado.

Se te interessar veja e anota meus trejeitos,
neles descobrirá do que gosto e não gosto,
do que anseio e deprecio nesta estadia terra,
e de todas as coisas que deveria ter e poder ganhado,
do que me atrai e repulsa ante ao mundo;
E todas as outras cousas, que mal cabem aqui.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Versos de Agnish.

E se todo tempo é muito pouco;
Para ter você nos meus braços;
Será que agora conseguiria entender
O meu "eu amo você"?
Desligue o telefone e guarde essa saudade:
Ela não vai trazer você até aqui,
por isso me afundo no trabalho;
Para a semana passar depressa.
Quando deito sinto seu cheiro;
E minha colcha tem a sua silhueta;
Parece pouco mas tente compreender;
Que nada disso tem sentindo - nem ao menos o infinito;
Se não tiver seu rosto colado ao meu peito enquanto dorme;
Agni, eu vou nessa poesia descadênciada; Eu estou a te amar.
Quando eu parar em uma igreja;
Vou orar por nós dois e nosso futuro;
Rezar para que nosso futuro seja belo;
Melhor do que possamos planejar;
E que se cumpra assim a profecia;
Do amor eterno em todos os cômodos de nossa casa;
E que nossos filhos, livros e discos sejam a prova;
Daquilo tudo que fomos a concretizar agora.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Barracona.

Descendo a rua íngreme,
que tange e esnoba a linha férrea,
do outro lado do metal há um lugar,
perto de onde eu costumava ficar;
Lá era uma barracona humilde entre tantas,
cheia de gente boa, simples e feliz sempre,
vestidos de branco e amor,
e ali comiam-se todos,
cantavam-se todos,
e tudo estava bem.
Mas por ordem do tempo e dos homens;
O tempo virou;
O mal cessou água e luz,
o tempo virou, e tudo se perdeu de vista.

Quando eu era novo, meu pai me levou lá;
disse que aquele povo poderia me ajudar a curar meus medos,
e ali aprendi a ser mais forte, mesmo sem nenhum motivo...
E foi ali que eu aprendi,
quando o policial foi tirar a força a mulher iaô da barracona,
que a força tem motivo sim, e ela brotou ali;
Quando me fiz homem ante ao povo,
e quando me fiz homem ante ao momento,
para mostrar que tudo tem lugar no mundo.
Assim tudo cessou e as coisas passaram;
E com elas passaram o tempo,
mas toda vez que vejo a barracona do morro;
Noto que a coragem vem embutida, e só é desarmada na hora certa.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Agnish.

Ah, como eu odeio agostos. Quem lê essa birosca de linhas e se preza a tentar entender, sabe da minha relação nada amigável com este mês, mais ainda com as coisas que ele me tirou, ou as coisas estranhas que ele me trás. Sim, concordo com você que poderia ser qualquer mês, mas, para quem conhece das coisas e conhece o movimento das ondas, sabe que esse mês é a entressafra, quando a zica se levanta e a feijoada fica aguada (eca). Tudo isto que lhes escrevo, pessoas, são relatos pessoas e de pessoas próximas de que já sofreram muito neste mês, por isto aqui fica delegado a minha mancha contra este mês malogrado.
Mas, ao menos, eu tenho ela.
E se, por uma centelha divina que cai em nossas cabeças, nós nos encontramos, porque não haveríamos de ficar juntos por todo este tempo? E até, ouso dizer em mais linhas a frente: Por quê não viver a minha vida toda ao lado de você? Talvez, a cada dia que passe, enquanto mais provas eu quero procurar para saber se realmente é você a quem eu espero há tanto, gradativamente e sazonalmente vens me mostrando que é. E isto alegra minh'alma. E isto me faz banhar em lágrimas. E isto me livrou da própria maldade do meu peito, carregado por tantas chagas de tantas outras feridas anteriores de outras pessoas que já maltrataram este lugar que hoje é seu, e que agora volta a ter o brilho de antes.
Se fosse qualquer outra pessoa, teria ido embora, e você sabe disso. Se fosse qualquer uma outra teria ido embora no ato, sem pestanejar, mas, você decidiu ficar. E ficou, e se deitou, e cuidou, e conversou, e cumpliciou com minha gênese, e antes de dormir, acredito que tenha até orado. Não faço disso um alarde, ou qualquer coisa parecida, mas, talvez fosse isto que eu estive esperando pela minha vida inteira. Alguém quem simplesmente estivesse ali, sem ter mais por onde, como, quando e por quê. Existem coisas que a vida dá nos seus piores momentos (os Dias de Shiva, como já foi préviamente explicado aqui nesta jagunça), e neste meio de campo de coisas boas e ruins, há você. Não que eu não tenha mudado meu ponto de vista sobre algumas coisas, ainda os tenho. Mas, quero dizer que apesar de muita coisa que eu penso, eu ainda amo, devoto, quero e desejo você. E mesmo quando eu estiver nervoso, com uma cólera sabática de raiva sobre você, eu ainda vou te amar, e esses últimos dias fizeram com que qualquer outra coisa nossa que já vivêssemos, estivesse aterrada, e que pode ter a certeza que te amo mais.
Amo seus pés pequenos quando se encostam nos meus para se aquecer, quando você arruma seu cabelo para eu não comer ele a noite, ou quando você me beija e fica com aquela cara parada, de olhos fechados, como se eu fosse alguém letrado, ou alguma espécie de santo, quando você se inclina e põe suas pernas entre as minhas, ou quando ficamos nós três juntos na sua pequena cama de solteiro, eu na parede, tu no meio, e ela perto da sua barriga. Você é o mais próximo que eu já consegui chegar da felicidade almejada. E olha que isso eu nunca falei pra nenhuma outra.
Enfim; agosto ainda nem está no meio, e eu venho sofrendo de suas (nada) sutis intervenções. Ainda bem que Deus é forte, mais forte ainda minha Mãe Das Candeias e meu São Jorge Guerreiro que me livrou do mal. Agora, é só sentar com a nega e ficar quietinho, esperando o tempo passar, e o que vier depois disso, é só um detalhe qualquer.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Carta para Ticó.

Amigo, abre os braços e sente a brisa do vento. Apeia e sente: O vento uiva no teu ouvido, e faz carinhos em demasia no teu cabelo e a vida te põe numa encruzilhada, mas tem a certeza que a cada caminho tomado, há de ter sua alegria em mel, ou tristeza em vinagre. Seja qual lhe for o caminho, estarei aqui em paz quando bem precisar de algum amigo, e que você tenha em si que o caminho que lhe decidir, será abençoado e próspero. Agora, vamos meter o bedelho...
Peço, como um bom amigo que tens em ti a mesma confiança de quem crê num amanhã, que você abra urgentemente seus olhos, pequeno. A vida corre, esvai, esbarra, e passa-lhe entre os dedos: Você mal vê, mal sente, e tampouco usufrui daquilo que lhe é teu por direito: Entendo sua cabeça, mente, forma de agir e pensar, e querer carregar o mundo todo e salvar pessoas da maldade, violência e misérias, porém nem sempre podemos carregar tudo, e algumas vezes é bem necessário deixar cair.
Rogo que você pare urgentemente seu pensar, lave sua mente, e recomece tudo de novo; Não por maldade, mas, para alguém que é tão inteligente, me desperta o atencionar de que você precisa pensar por si, e não mascar idéias alheias, se quiser, espelha-te em mim: Eu pesquiso, eu faço meus dados, eu brigo, luto, bato, bebo e brigo: Minha justiça eu faço na minha cintura, e Deus é meu pendão.
Todos nós, temos a fase da descoberta, do experimentar, do agir, do impulso que embala nossos dias, mas, note urgentemente que o tempo urge, e você ainda não se deslocou. Note que as pessoas começam a trilhar seus rumos, e você fica. Ticó, olha pro Céu e vê que até as aves tem suas escolhas feitas e planejadas, e isto lhes satisfazem por inteiro, seja feliz, independente de tua crença, sexualidade, visão política, amizades ou jeito de vida.
Vê que uma garota linda está do seu lado, e ela está apenas te esperando para você convidar ela para sair (mas, sair de verdade, entende?), tomar um sorvete, e talvez ali, naquela base sólida que seja essa linda menina da risada engraçada e dos olhos de jabuticaba sinceros, talvez ali resida a paz que tanto procura, o amor que tanto possa lhe completar, a companheira para seus pensares, a mulher que pode ser tudo para você...Ou não, né? Vai que tu acha o homem da tua vida por aí.
Desconfie de todas as fontes. Veja todas as histórias, fatos, dados e causos por ângulos diferentes, para assim e só assim você tenha uma versão resumida e superficial da verdade, e de como as pessoas são e agem nas mais variadas situações. Não tenha medo de cair, tenha medo de não gostar de cair; Quem cai gosta de cair porque assim pode ver debaixo das saias do congá, e aprende a ficar forte do corpo...
Seja forte, e não deixe o mal invadir sua tenda. Nunca.

Enfim; Palavras sinceras.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Passado, Presente e Futuro (III)

Futuro:
Cecília, não confie em ninguém. Até quem mais te ama pode te apregoar, e isso dói de tal forma que o sentimento se transmuta: Estado de Boddishatva. De tanto sentir um sentimento especificamente não se sente mais nada deste campo, e você se torna imune a todo tipo de coisa que possa vir a lhe ferir, ou fazer bem. É uma indiferença espiritual, só que com sentimentos carnais e humanos.
Nem é o caralho, é que mais um dia se passa, e mais pessoas vão embora: As poucas memórias do meu pai que estão vivas, começam a ruir, e assim perco o mito até em memória, sobrando as poucas secänjas que me restam. Doce e envenenado mistério velado por Deus é a vida, e suas adjascências. Cada dia que passa, parece que o cansaço não passa, nunca passa, nada passa. Tudo se mantém firme no mundo, menos eu. Talvez seja isso a pagança de meus pecados, provação divina, ou medo de ser um homem bom, que vota no PT, faz sexo em uma posição, vai na missa dominical e assiste o fantástico...
E, como está você? Você está fazendo algo indecente? Está sentindo o calor dentro de suas veias? Está traindo seu namorado bem gostoso enquanto ele te devota? Já teve medo do escuro? Você já fingiu gostar de um assunto só pra conquistar alguém? Está brincando com uma navalha de gosto metálico e delicioso? Está rindo das pombas? Já fingiu que gozou? Está trabalhando para um patrão ingrato? Se arde em vontade de se jogar na via do metrô quando ele vem? Quer sentir o gosto da vida pelo jeito incomum? É a favor do estado laico? Riu de alguém que se machucou feio? Torce para algum time? Mente pros seus filhos? Tem medo dos seus inimigos? Então, toma nota: Todas as coisas tem seu dever e curtição. Deve de fazer e curtição se o gostar do teu afazer.
Meça suas palavras e cuide de quem cuida de você, olhe o que você fez, e tenha decência, tenha temência. Olhe bem tudo o que você fez, e perceba que o sangue derramado é culpa sua, só não me sei se por maldade, ou por qualquer jeito. Quero meus filhos lindos, felizes, fortes e grandes, lutando contra todo o tipo de maldade, e que eles vençam na vida e sejam melhores que eu, e que meus pés cansados, que meu coração sôfrego, minhas mãos tremulas e meu olhar cansado. Quero o melhor num gole de cerveja, ou no beijo da mulher da minha vida, com a macieira do quintal do meu sítio dando boas maçãs, e que cair e ralar o joelho seja costumeiro para meus pequenos; Quero a alegria deles acima de tudo, não importando se isso dependa de minha própria vida, cuidar deles, os por acima de mim e abaixo de Deus e dos doces véus e mimos da Mãe Maria e do meu São Jorge Guerreiro.

E agora, não adianta. Já o fez tarde, ele não mais repousa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Passado, Presente e Futuro. (II)

Presente:
Me sinto abandonado. Perder um pai, e um parente próximo (mesmo que ausente), é como perder duas pernas em um hiato curtíssimo, e mesmo depois desse "aleijamento", há pessoas que não se importam com sua dor, ou acham que você está apenas brincando. Malditos sejam vós, a areia que come meus pensamentos que seja estocada em vossas ventas. O que mais pedi, foi que não houvesse mágoa, e que nunca fosse de mágoa o motivo. Mas, foi de mágoa sim, teve mágoa, que encheu, transbordou, tombou e agora pena em encher de novo o meu jarreio.
O que magoa é o fato de não ter nada/ninguém, e mesmo quando tem-se algo/alguém, ser espezinhado, e ser trocado por qualquer outra situação, local, estadia ou pessoa. O que magoa é estar só no meio de tantos outros, e quando você mais precisa de um porto seguro, é quando você mais está só física e psicologicamente. É penar pela resposta que nunca chega, e quando chega, é o que você não queria ouvir. Faz-se em mim solidão, as minhas chagas eu vou fechar novamente para nunca mais sofrer. Maravilhoso Titânio era? Miraculoso será agora.
Quero a água para dar o nó no pescoço, quero o nó da madeira para fazer de passante, matriz e condução, quero o ferro para cortar, sentir o sangue, perfurar, sentir o gosto da vida, sentir pulsar o sangue negro nas veias tão pálidas, tão cálidas, tão rosadas, da carne branca que é filho da carne da negra. Responda rápido: Você também já sentiu vontade de se jogar quando vê o metrô vindo naquele pique? Você já se sentiu humilhado, desprezado, ignorado, e passado pra trás pelas pessoas que mais ama e considera? Não? Ora, deixa eu te contar do presente:
Ouvir piadas de cunho ofensivo, pessoas pisarem na sua dor e achar que ela não vale um centavo, você ter que fingir que está tudo bem mesmo quando tudo está uma merda, e forçar um sorriso mesmo quando está tudo errado, e ter que mendigar (sim, mendigar eu disse, mendigar eu escrevo, e mendigar eu declaro) por algum tipo de atenção ou porto seguro ante as tempestades que se acontecem na sua vida. Quantas vezes vi no passado minha nau se afundar, e algumas pessoas a virar a cara, a refutar qualquer tipo de ajuda a mim. Vejo esta cena se repetir hoje, sei, sinto e tenho certeza que estou só com meus sentimentos, e por isso me faço em necessidade de não contar a ninguém, e guardar em mim; Anota aí: Vou morrer de câncer, se bobear...
Não quero ser alvo de draminha, ou de pessoas que taquem na minha cara (como já o fizeram, e alguns ainda fazem). Quero alguém que quando ver que eu possa estar mal, que venha do meu lado, que me ajude a seguir firme, e que não desvie os olhares de mim. Cansa-me o fato de ter que cuidar de tudo, cuidar de minha família, minha casa, e não poder ter quem olhe por mim. PORRA! Não quero quem me cuide, só quero quem esteja lá. Para aqueles que não são filhos únicos, lhes dou a prova na bandeja de prata: Ser só cansa, e leva a loucura ou a desamansidão. Meus pés doem, minha alma geme, meus amigos somem, meu amor está longe, meu pai dorme e a música ou me consola, ou me tortura.
Tira esse sorriso, e me diz a verdade. Ou sé, ou se não é. Olha pra mim, geme e chora. Eu não vou estar mais no seu altar, e a vela que um dia você pensou em acender pra mim, não vai funcionar; Isto não é uma chantagem, isto é uma realidade, olha para mim, vede e sente tudo o que está passando, e seja sincero comigo (e principalmente) e contigo; Pois não adianta ser uma para um e uma outra para todos, ou partilha do que sinto, ou não. Mas, olha para mim, e sente o que sinto, porque é assim que funciona, pois eu olho para os outros, eu cumpro com minhas palavras, porque eu sou quem sangra, eu sou quem toca guitarra bem pra caralho, eu sou o filho do Fábio, eu sou Marcus Queiroz, eu faço o mundo parar sem deixar ele cair, eu transformo, multiplico, rezo, fraciono, mato, sorrio e gemo. E hoje, cubro o rosto que todos conhecem de mim, para que alguém, em algum lugar, em algum momento, note que eu estou aqui, e venha até mim. Não, não é ceninha, mas, não estou bem, e estou avisando antes que algum maldito venha me dizer que "ele não tinha nada, era um rapaz de bem, trabalhador, de família boa e asseado".
Senhora, deixe meu rosto pairar em sua mente. Lembra-te de mim nas tuas orações, e se Deus permitir, hoje eu mesmo eu subo pra morada que não se mora, e viro a supernova mais linda que se possa ter notícia: Se Deus permetir, meu brilho há de ofuscar Bogotá, Lima e Cajuína; E quem lembrar de mim, há de ganhar uma benção minha. Eu quero tomar o rumo da asa do arcanjo mais rueiro e cair no mundo com ele pra ver se morro em alguma estrada, ou se encontro meu pai em algum boteco com o Mário, ou se consigo achar a Bep, ou até mesmo para dar calma nessa minha alma tão transfigurada, velha, maçante, intensa e ariana. Estou cansado, e quero urgentemente alguém do meu lado pra me dar ao menos um abraço, ou cousa que o valha. Tive uma semana horrível, como qualquer outra pessoa tem, mas, a minha foi 7 merdas em 7 dias: Uma para cada dia; E não aguento mais moer isto; Juro. Eu só queria alguém que dizesse: Vem, eu tô aqui por você, garotão. E que eu pudesse ir, sem medo, sem desengano, sem desencontro, e sem erro. Só quero um colo, um cafuné, a palavra de conforto que almejo ouvir, mas, até agora ninguém ousou dizer.
Aquela que eu mais amo, me disse que eu não posso confiar em ninguém, nem mesmo n'ela. Então, e todos os planos, história que imaginei e coisas que fiz? Vão pelo ralo? Amar é confiar n'outra pessoa, dar a cara a tapa, e se talvez eu não confiasse nela, não seria amor. Seria vão. E aí, fui magoado (mais uma vez).
A única que ainda quero, do fundo do meu coração, é ir embora. Não encontro mais meu espaço aqui neste universo.
Deus, tenha paciência, e piedade de mim. Mas, dos que pisaram e pisam em mim e nos outros, não. Pra esses, desejo a morte mais linda de todas.
O resto, é silêncio.

Passado, Presente e Futuro.

Passado:
Não me sei ao certo, mas, hoje não me sinto mais o mesmo. Me sinto avoado, perdido em alguma fenda na qual se encontra o passado e o futuro, e no fim das contas é como se eu já soubesse o que vai acontecer...E isso me assusta. Muito. Sinto perto e distante de tudo ao mesmo tempo, e que consigo tocar todas as coisas, me sinto no topo do mundo, mesmo que só. Encontro numa casa de mobília pouca, janela aberta que dá pra avenida movimentada, que quando olho vejo o Ipê Roxo florescer, e isso me deixa hipnotizado. Tenho essa mesma vida a uns 22 anos. Esse é meu passado e presente, e, ocorre o risco de ser meu futuro. Quero ter medo da morte, mas, infelizmente, não consigo. Feio, burro, e bobo; Trafego na rua. E quando o sinal fica vermelho, eu passo. Antigamente eu não era assim...
Como um soldado de chumbo, estou preso a uma arma nas minhas mãos, e eu sou só um rapaz ordinário, que mal sabe atirar, tampouco em armas ou granadas. Eu estou no abrigo, e poucos me vêem sobre a neblina. Com um tiro posso morrer, ou entrar na glória. É tudo uma questão de manter a fé, ou tanger a situação no seu modo mais favorável (ou não). Esse sou eu do jeito mais comum na rua. Sou um soldado de Jorge, protegido por Cristóvão.
Antigamente importava ter alguém, importava a aprovação, o cabelo curto e a camisa e as coisas dando certo, e assim seguir sendo mais um na massa emoldurada e dada de presente e amor para morrer contra a terra batida, antigamente pensar na morte ou duvidar de algo era feio. Eu era assim. Quando olho pra trás vejo meu erros, minhas marcas, meus acertos e o pouco reconhecimento que foi me dado ao longo da vida - cousa que vez ou outra ainda me punge em dor por não ter. Ter que calar o choro, e não ouvir a conversa dos adultos, viver por viver, viver bem, ter para si só o que for melhor, viver a vida em volta de um copo de cerveja, e ciar no mesmo erro, cortar-se a carne com a navalha, e tanger a carne de um jeito tão profundo que não se sinta dor alguma, e depois ficar só, até o fim do dia.
As vezes dá vontade de não ser nada novamente. Ao menos assim teria alguns elementos do meu passado que perdi no presente, e talvez mal me recorde no futuro, sabe? Olha, eu não sei de onde venho, e de até onde me lembro, sei que é escuro e de lá poucos vieram até onde estou. Eu transcendi, deixei pra depois, e minhas chagas - marcas de vitória ante o flagelo da crueldade contra mim - estão todas aqui. Toque só se precisar, mas, não afunde o dedo, pois elas ainda doem, e muito. Dói saber que até hoje não tenho ninguém que não seja passageiro e dói mais ainda que já me conhecia neste vaticínio desde que era criança quando lia, ouvia e cantava com minha amiga imaginária, que tenho contato até hoje.
Desde sempre; Fui um mané.

domingo, 3 de agosto de 2014

O Diamante Cor-De-Rosa

Néia, abre teus braços e teu coração. A chaga que São Bernado questionou a Cristo não se compara a chaga que Maria sentiu ao ver o Filho padecer. A mãe, quando compadece se deu filho (mesmo que ele não o ame ou o "despreze"), é capaz de fazer coisas indelegáveis na condição humana. O braço forte da mãe, o coração de ferro de mãe. Filho é único que pisa. Amiga, Irmã de Sol, te dou de presente no bico do Assum Preto essa certeza: Ele vai te abraçar, te beijar, devotar e ter em si por completo a si. Até eu mesmo voltimeia abraçava minha mãe, e só de abraçar me sentia bem, me sentia abraçado. Não crie expectativas do amor dele, deixe o amor dele, na sua forma mais abstrata inundar você, e logo vocês dois serão o que nenhum outro momento qualquifor. Confia: Te ama. Sempre.
...Enfim, bora nóis pra matança do porco. O tempo esvai.
Childesh, me desculpe. Do fundo do coração, meus humildes e mais sinceros perdões. Cada vez mais me sinto ilhado e preso com um grilhão nos pés e uma atafama no pescoço. Sinto-me precariamente vivo, ou porpensavelmente morto. Olha de onde você estiver (e se existir) e entende minhas escusas, e o meu medo de tudo que se sucede, antecede e precede: Childesh, eu não tenho mais 15, e não me sinto mais afim de ver histórias se repetirem na minha vida, e sabes muito bem disso.
Em algum lugar intangível, você e Bep estão rindo de mim e do que falo agora, mas, não sei porque. Bep diz que entende meus motivos, mas acha que eu não deveria ser tão ruim (apesar d'eu estar certo) comigo mesmo e com os outros ao redor que estão me mantendo em pé. André, meu aprendiz, obrigado por me colocar em seu altar, mas, não acenda uma vela pra mim, me ponha no chão, atrás da porta: É mais fácil eu ser um patuá do que Santo Guerreiro: O meu dragão nunca morre e a princesa pra resgatar foi-s'embora. Sinto-me ainda cansado de um jeito que mesmo se seu deitasse no colo mais confortável da mais linda moça com o mais forte cheiro de jasmin, não consegueria expremir tudo o que sinto; The verborréia never stops, you know what i mean? Preciso da cerveja, do misto, do abraço, dos amigos, dos deuses, da música, de mim, e principalmente, preciso da minha alegria, o motivo da minha alegria.
Agosto começou, e o Leviatã já ronda minha cama. Eu sinto suas escamas gélidas e molhadas roçarem em meu pé, mas, mesmo assim, suas intenções não são boas. Nem um pouco. Hoje, no heliponto, eu pedi uma resposta, mas, a reposta que veio foi um: Cuidado pra não cair, menino. Você pode não voltar pra casa...Acho Deus de uma sabedoria tremenda. Senhor, Tu tens tido feito o Vosso refúgio em meu peito, e de mais ninguém será qual morada. O diabo está em mim, em minha mente, nos meus pensamentos vazios, e aonde eu andar, mas, você está em meu coração, e na minha alma: Tu tens tido feito o Vosso refúgio em meu peito, e nada além de Ti, garanhão.
E, a contrapartida de tudo isto dito acima, me sinto triste por não ter a mulher amada ao meu lado nesta última semana. Mário foi se juntar com o Fábio em algum boteco no cosmos, Maria saiu do hospital, Antônia chegou com as ventas abertas em trevoso, e minha gênese fêmea (tirando alguns "amigos") está fazendo piadas tanto quanto fortes sobre meu relacionamento e a atual barra que estou passando. Apesar de tudo isso, e ficar aguentando com um peso Atláico, não sei até quando vou aguentar, e isso me dá medo.  Qualquer dia o vento do heliponto pode me levar, ou o metal tanger a pele, ou eu apenas querer ir tomar uma com os outros dois originais canalhas...Me sinto fraca, e quase toda noite peno em choros - sinta triste esta deste crônista, que por não ter ninguém, se pena em lágrimas, e fere-se a si mesmo, olhando para o passado, presente e futuro com a mesma inanimidade de sempre: Morto está, morto fica, morto é.
Agosto, vá embora, e se quiser alguém, queira a mim.