Iæ - Motivação do texto:
Consideremos, enfim, a Igreja como uma grande família. E na família, sempre há divergências entre os filhos (cousa que não é mistério), tampouco velado; mas tal qual uma família, por vezes e vezes antes e após a briga, ela se reúne e se fixa no seio materno - no caso a figura da Santa Madre Igreja. O que assusta o escriba que vos escreve esse texto é apenas a condição na qual a Igreja se encontra, como se fôssemos filhos vilanescos que apenas a procuramos, tomamos o que é necessário para a cura ou prolonga de nossos vícios, e logo a deixamos a revelia de qualquer maneira.
IIæ - Genealogia e situação atual:
Somos 24 irmãos (e seus desdobramentos) da mesma Mãe, obedientes a um Pastor. Porém vejo que no fundo, infelizmente me dói as têmporas em saber que a Igreja também foi corroída com o ego do homem - isso se esse ego não esteve incutido a todo o momento de sua história, e apenas agora está dando mais sua face a mostra; nessas horas eu entendo os católicos de IBGE e todas as militâncias que se incubem de apenas chatear o fiel "comum" que apenas quer assistir a missa, tomar a eucaristia e ficar tranquilinho. Criou-se uma falsa conduta na fé e política nos ritos (com erro, falamos tanto dos irmãos protestantes que falam tanto de política e dinheiro em seus cultos, mas não temos tanta diferença).
Logo tudo aqui que vos escrevo, funda-se apenas em minha experiência pessoal, e exprimo em débeis palavras com a chance que alcance o coração endurecido ou que ainda não entendeu a situação. Não nascemos para viver travados ou prezos em contextos, e sim para viver e sentir aquilo que abrasa nossos corações e nossas vidas, por isso, devemos urgentemente abrir a nossa boca e louvar o que nos faz e mantém vivos - sem a amarra de achar que nosso próprio parente reza ou age errado dentro do credo católico.
IIIæ - Acontecimentos recentes:
Se vejo um Frade apenas conversar com quem é o benfeitor de sua paróquia, mas sai corrido e apressado para não dar a benção na água de uma garrafa de uma senhora, vejo aí que há uma falha no caráter e na moral do carisma referido, da Igreja e do ser que quer encontrar a Deus. Se a memória de quem diz perpetuar e manter eterno os "memoriais da caridade" (sic) é tão curta a ponto de esquecer a questão simples e direta do Evangelho; então como Igreja todos os 24 ritos falharam desgraçadamente perante o pedido do Senhor. Fiéis que não ouvem o grito do que padece, padres que se acham acima de bispos, e pessoas que por imprudência acham apenas que um ou outro ponto da Igreja é errado, mas "eu penso o que a Igreja pensa" (sic), logo, se pensas como a Igreja pensa, deve-se amá-la e acatar seus feitos e seu governante - que quer queira você ou não, é o Vigário de Cristo na terra.
De fato, amar apenas as coisas que são fáceis e de nosso gosto, é mui fácil. Mas engolir o sal é o que a maioria desses neo-vecchio-catolicos não vem. Não basta defender o tradicionalismo a partir da escolástica e de Pio V, antes desses homens houve a Patrística e Leão Magno, e após eles houveram João XXIII e o Concílio Vaticano II - e assim cria-se o mundo, do começo pro fim; podemos sim ter um período da vida em que seja perfeito e querido, mas não podemos de jeito maneira achar que a vida vai ser apenas este momento - haverão dias bons e ruins, mas ainda sim haverá a vida. E a vida se completa quando em família, em união e em paz; pois por mais que briguemos um tempo todo, a família sempre dá um jeito de se tolerar e se amar; porém não se pode amar uma parte e odiar a outra.
Viver a vida destilando a discórdia, não é e nunca foi católico. Nenhum doutor da Igreja preza ou prega por essa situação; tampouco exorta a isso - e indo mais na situação - Nosso Deus prega a reconciliação, a ajuda ao que sofre, e que o mantenha ao Bom Caminho. Devemos sempre ter em conta o que se passa, e entender aquilo que é de natureza humana inserido na Morada do Senhor, pois, se colocamos nosso parecer junto ao que pertence a Deus, não mais a Deus parece, e sim vira uma doutrina ou seita nossa. E se estamos juntos a louvar e ver a Deus, que seja apenas Deus.
IVæ - Evangelizar nos dias atuais e suas consequências:
Com o advento das comunicações, temos o advento do Evangelho ainda em terrenos desconhecidos. Existem agora, bandeirantes que desbravam as fibra-opticas a falar de um Cristo Justo, Piedoso e Misericordioso; mas assim como os antigos, devemos tomar cuidado com as armadilhas que nos esperam nos caminhos, pois, nos últimos tempos tenho apenas visto que a própria Igreja atrapalha seu caminhar: enquanto a Igreja criticar a Igreja, não faz sentido da Obra de Cristo existir; o momento, mais do que nunca, é de união e de alegria entre os povos. Enquanto houver um ser que critica o Papa, ou algum fiscal de missa, um padre que se ache dono da Igreja, ou um fiel que acha que é zelador da casa de Deus, a máquina estará veemente fadada a ruína. A distinção - coisa que Jesus o Cristo sempre lutou contra em todo seu ministério terrestre - volta a tona e com violência por nossas mãos; e a ser franco, deve ser por isso que recai este inferno sobre nós, pois não fomos nem capazes de cumprir as ordens de nosso Mestre.
Væ - Igreja Católica Fashion Week:
E aí pessoa, qual é o santo da moda? Ainda estamos na coleção Josemaría Escrivá, ou as baby-looks de Padre Pio vão voltar com tudo? Será que já esgotaram os adesivos de São Bento? E o terço da misericórdia de São Miguel, será que você consegue acordar as 3 para depois levantar as 5:30 para ir trabalhar?
Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, é tudo vaidade.
Moda, apenas moda. Ainda cabe a nós aprendermos a Ave-Maria bem feita, e sabendo o que cada parte significa do que desfiarmos orações tão inócuas a nosso conhecimento, que corremos grã risco de fazer errado e sem entendimento - rezar por rezar - causando assim uma fissura na fé, e no ato de orar. Há uma diferença muito grande em ter devoção/apego em algum santo, e você seguir correntes devocionais temporãs; mais ainda: Há uma diferença totalmente exorbitante em viver o que a sua fé abrange, e o que tentam incutir na sua fé. Talvez seja esse o maior desafio do católico na atualidade: viver a sua fé sem que os outros coloquem devoções internas - eu, por exemplo, sou devoto e ávido pelo Ofício da Imaculada Conceição, mas nem por isso digo a todos os católicos que conheço que deve-se fazer isso, ou se recomenda. A fé, por fim, é pessoal e intransferível, e apenas o Senhor Nosso Deus é capaz de sondar o coração de um justo neste aspecto.
VIæ - Obras Geraes:
Quão aos tradicionalistas, aonde estão suas obras de caridade? Quão aos modernos, aonde estão suas formações? Ambos, parados em seu próprio tempo e espaço, ecoam num vácuo teológico, de onde não surge uma resposta sequer de alegria ou de vida. Padecem em seu próprio erro sem chance de volta. É preciso por muitas vezes transitar na casa toda para ter ciência do tamanho do espaço em que te encerra. Aprender a ouvir, e aprender a falar - e a verdade geral, nem sempre é a verdade de Deus, e nem sempre a verdade de Deus é aceita aonde habita a verdade geral.
Vejo homens que tentam a todo modo se disfarçar e se habituar em maneiras e atitudes, mas nada do que eles fazem faz algum sentido ou razão. Logo, tudo o que vejo ou sinto em relação a isso ou ao mundo não passa de uma breve falácia. Se você transmuta as coisas ao seu prazer para comodidade, não há sacrifício, e logo, não te exerce força. portanto, és inapto para seguir uma religião fundada em renúncia. Saber ouvir para conhecer, saber falar para ser ouvido, e pensar para não se enganar.
VIIæ - Questão de Ordem:
Tudo, no fundo, que escrevo, é apenas por uma questão de ordem (no caso, religiosamente). São apenas arestas que precisam aparar para dar forma ao novo, ao definitivo. Não sou guardião de nenhuma verdade e tampouco militante de alguma tribuna, mas, sou um observador detalhista de meu tempo, e com o meu tempo, vejo as coisas como são, e espero que elas definitivamente estejam em par de melhoria.
VIIIæ - A dita santidade:
Ser santo é por o lixo pra fora antes que sua mãe peça. Saber cozinhar um arroz gostoso. Ouvir inúmeras coisas e não levar para o coração e não deixar que tomem por completo seu pensar após ponderar. Ser santo é entender a mística da Igreja como se deve: simples, e altamente complexo. Ler e buscar na fonte o que se diz e o que se sabe. Não ter tempo para ouvir coisas que possam difamar ou sujar você, e seguir o caminho da paz como sugere São Pedro (I Pe III; XI-XII). A santidade reside em encontrar Deus, e não soltar dele, e a cada tropeço, ter a certeza infidável que dado o arrependimento e o medo, está lá o Justo Juíz soberano, sentado ao seu lado, lhe ajudando a seguir - admirável mestre, que mesmo pedindo para tomar minha cruz e seguir, muitas vezes me ajuda a seguir com a minha cruz, carregando-a comigo. É deste Amor que amo, e desta doçura que destilo.
IXæ - Harmonia:
Ao entender que a harmonia é necessária para a construção da vida, unidade humana e base da fé, compreendemos o que nos é dito e refletido inúmeras vezes: a vida não é apenas o que vemos ou o que nos circundeia, pois Deus criou um universo de situações aonde tudo pode viver com harmonia, e aonde faltar entendimento ou reinar a ignorância, que haja diálogo e perdão para resolver tais coisas.
Não nos adianta, de jeito-maneira, achar que apenas o olho de nosso cabresto é o certo. E tampouco buscar uma verdade que por n vezes se torna inacessível se nos tornamos obcecados apenas por resolver x ou y. Devemos antes de encontrar a verdade, nos encontrarmos, e ao achar, cuidarmos. E ao nos cuidarmos, assim com o próximo, e apenas assim, a verdade pousará em nós como uma borboleta que nos circundeia quando menos percebemos. Achar o equilíbrio da vida é o ponto mais inflexível e difícil de um ser, mas quando aberto a alma para a compreensão da vida, logo percebemos que a Verdade nos habita, e logo assim, a sua verdade se torna fácil como água.
Xæ - Conclusão:
Termino, pois, ao escrever tão pesado texto, em tentar soltar meu eco ao universo das coisas que vejo e sinto, e peço e oro pela unidade de uma igreja que parece cada vez mais se constranger em brigas e falácias em vez de se unir e ficar em paz consigo mesma.
E o que escrevi até aqui em paz, está completo.
São Paulo, solenidade de São Benedito de Palermo de MMXXIII.
Queiroz: Marcus. OFS(A)