domingo, 27 de janeiro de 2013

O Caminho Do Jumento.

O Céu está cinza, o tempo está frio. Eu gosto disso. O frio me protege, e me deixa ser quem eu preciso ser nos dias a fio. Eu não me sinto vivo, nem morto, me sinto normal e feliz, hoje está do jeito que eu gosto. E o Corinthians ainda há de jogar hoje (e espero), e vencer para dar uns pontinhos na tábula do Paulista! Hoje é dia de limpar a guitarra, limpar a mente de todas as coisas vãs e feas, estar em contato com Deus, e lembrar que a vida - surpreendentemente - segue, e continua. Eu tenho a minha vida, tenho meus discos, meus amigos, e agora eu estou tendo nos trilhos, e fazendo tudo valer a pena. Eu nunca pensei um dia sequer que eu poderia estar me realizando, ou me sentindo bem.
Eu sou um perdedor que está indo por um caminho bom. Eu sou o azarado mais sortudo, tenho em mim uma conjuração e cadência de sentimentos bons, que sei enviar e receber as pessoas, tenho a vida que eu pedi a Deus, e estou conseguindo pagar minhas dívidas com a ajuda de amigos/irmãos/musa/Deus. Eu já ouvi muito de mim, e já vivi muito para a partir de agora, não dar atenção aos meus gostos, e dar vazão a minha fala. Perdoa Deus, perdoa amigos, perdoa quem lê estas linhas, mais, uma coisa que eu prego para todos, eu irei por em prática para mim, e agora: Vou botar minha estrela para brilhar.
Não, não estou esquecendo do "exemplo mineiro" e do Samaritanismo, tampouco do Franciscanismo que tanto prego aqui, pessoal, não mesmo. Só que, infelizmente, eu preciso preencher parte do meu ego, parte esta que está querendo viver, querendo ver, sentir, gritar "Vai Corinthians", cuidar dos amigos, beber uma cerveja descompromissadamente com a vida, rir, chorar com a perca de coisas que ainda não estavam entendidas, cuidar de um pai com câncer, pular numa piscina mesmo não sabendo nadar e tocar violão de madrugada, para que alguém em algum lugar do universo ouça a alma de quem toca a música de variados acordes.
Eu tenho fardo pesado, e jugo manso. Dá pra entender? Minha história, meus quatro quarteirões, minha vida são coisas que eu quero que sempre fiquem aqui comigo, que nunca sumam, ou caiam pelo mar...A minha véa, a minha feijoada, o trigo pisado em Erechim, da rede de pesca e das caças em Itanhaém, do cheiro de gasolina queimado e do riso forjado em São Paulo, dos pães-de-queijo e da vida que foi apregoada em Minas, eu tenho minha raíz espalhada em tudo quanto é lugar, e eu não posso renegar minha história, os meus, e minha visão. Hoje, perdoa quem eu machuco e piso, mais, vou viver mais pra mim, porque me sinto nessa necessidade. E Graças e louvores sejam dados a todo o momento.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Bairro Dos Estranhos

...E ela se perdeu fácil no labirinto do medo;
Tinha no bolso uma oração amarrotada de São Jorge;
Na mente um bom e escandaloso segredo;
Ela precisava se encontrar em algum lugar,
Ela é minha vizinha da porta esquerda;
Ele fica andando e rodeando o mundo só,
apenas Deus é sua companhia.
Beija sua menina e pensa: "O que na vida ainda me aguarda?
Será que ela me pegaria na onda forte, ou na pedrada intensa?"
Eles se abraçaram bem forte, com amor maior;
O que não impediu de uma traição feroz e mágica,
Ele a ama por tanto e por muito;
Ela quer ele e o próprio cunhado metendo fundo dela;
Nada parece ser integro depois de analisado.
Alguns se mudam para agradar a geral;
Tomam um partido e um avatar que não é certo;
Somente para ter o que fazer, e para se resplandecer,
não esperam o tempo das coisas de viver e amadurecer,
e de Meu Bom Deus só querem o recebemento.
Esses moços, pobres moços;
Se perdem nos medos;
Por motivos tão bobos;
E agora estamos todos aqui no inferno;
Porque todos nós;
Todos vós, até os a sós;
Fazem parte;
Do incrível e marasita Bairro Dos Estranhos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nossa História.

Qu'olhos nos vejam,
Qu'as bocas se encostem,
Quos corpos de enlacem,
Para fazer do amor renascido, o infinito.

Qual seja a jura eterna...
Te basta vir comigo,
As mensagens o foram prenúncio,
Da perseverança que lh'A chega.
Virá um arrevol de cores vivas,
E de danças de Sol com o Vento,
Quando seu peito nu encostar em mim,
Será a hora em que estaremos, mais do que nunca, unidos.

E quando eu me sentir mal,
Doente ou depressivo,
E o mundo me botar ao chão,
Com você irei até o fim,
E olhando aos Céus direi: Hosanaí!
E por um único instante,
Serei salvo por todas as horas do mundo,
E comigo estará a salvo nosso amor, nossa glória.

Pois o estradio se é necessário,
Para criar e ter o gás,
Mesmo que ainda, se é um do outro (como sempre foi)
E o respeito ainda se reina,
E o "conhecer" no litoral,
Com muitos beijos, abraços, amassos e eu te amo, são vigentes.
Por isso inda me inclua nas tuas matinas diárias, acenda tua vela...
Pois eu estarei aí logo logo, clamando por teu amor,
E como um junco verde eu irei, envergar, mas não quebrar, pois bem me sei...
Que nosso amor é mais forte que as nossas chagas.


Eu ainda estou te esperando para te completar; Meu amor.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Dandara.

Não sei como aconteceu, não sei mesmo.
Ela apenas apareceu no meu caminho, com os mesmos assuntos que eu, falas, gostos, gestos e manias. Tinha até os mesmos medos! Ela era mais experiente, pele morena, porte atlético, cabelos negros, uma cintura que, com toda a certeza deveria ser maravilhosa de abraçar, de sentir o cheiro, fungar o cangote, de beijar a boca, encoxar no metrô, e todos aqueles outréns. Ela tinha zóin de jabuticaba, piercing maneiro e charmoso, sorriso misterioso, meigo e fordoso, e de fino trato que tanto tinha, suas atitudes eram bárbaras. Sua fala era mansa, sutil e seduzente, seus pensamentos são firmes, e pensava até mesmo quando condizia algo errado, ela falava de seu amor pela suas coisas, sua religião, e como gostava de perder seu tempo comigo, e como eu poderia perder meu tempo com ela...
...Eu não sei como me veio, apenas veio.
Nos completamos, numa simetria perfeita. Nos entendíamos, e ríamos, e brincávamos e rasgávamos folhas um do outro apenas por diversão: Na escrita minha, era séria, copiosa e emocionante; A dela: Tocante, lavada de fé, e muito bonita. Os dias passaram, e cada dia ficou mais agoniante, precisaríamos mais um do outro, e assim o foi: Em mim ela viu um amigo, e nela vi uma pessoa em quem contar, e logo, como se de súbito, um já sabia das coisas do outro, e já conhecia cada vez mais o outro. E logo nós éramos duas crianças brincando de cabaninha embaixo da capa de São Jorge, bebendo da água fresca da cachoeira, e tendo aquela gana incrível e insaciável de vencer, e ter a sua glória pública e pessoal.
Eramos solitários, agora somos dois sós juntos. Um nós de cada um. Um de cada nós.
Ela era uma Dandara que guerreava só, sem ter quase ninguém a quem se apoiar, e eu era um Sionita sionitando pelo deserto. Nos encontramos e não nos separamos mais, agora, somos menos que um casal, e mais que uma família, e no colo dela eu tenho refúgio, e no meu ombro ela tinha todo o arquetipo de paz que uma guerreira precisa. Nos amamos demais, ouso dizer até. Mais, nosso amor está nas palavras de força, nos carinhos deixado nos dias a fio, na preocupação mútua, na zoação um co'outro, e nas formas de tentar dizer, como estamos cada vez mais ligados um ao outro. Ela é minha amiga, é meu amor, é minha parceira, é minha mãe, é minha irmã, é minha Dandara, e minha filha. Tudo ao mesmo tempo. A flor mais linda que brotou aqui no meu jardim.
Ide e vede, em todos os lugares do mundo se alguém hoje é mais feliz que eu, com uma mulher dessas na minha estrada. Ide e vede, fa-te e prova, e se fores decerto, logo me ponho a mostrar cada vez mais, como o meu sentimento é puro, sincero e isento de qualquer maldade. Ide, vede e prova, se não o podes fazer, aceita-te o fato de que ela é melhor qualquer outra coisa no mundo, e que é ela que ouve dos meus medos, desesperos, conselhos, verdades, puxões de orelha, histórias, escritos e risos.
E um dia, andando pelo Rossio da cidade, eu vi um pequeno mimo para ela. O fiz, e logo o entregaria para ela, mas, não foi possível. Chuva, outros compromissos, coisas...Hoje o mimo dela, decora minha estante, de tão maneiro que é. Ela é tão filhadaputa, que nem teve coragem de pegar o presente que a trouxe.

Antônia Chaves Mendes.


Hoje fazem 84 Anos que o meu anjo mineiro está aqui. Me perdoem senhores e senhoras, amigos, familiares, o raio que lhes parta, mais, hoje, fazem-se 84 que uma guerreira começou a batalhar desde cedo para viver. Seu nome é simples, mais com louros de vencedora para quem o já ouviu: Antônia Chaves Mendes.
Desde cedo, Tonha já soube o que é a vida. Tonha nasceu no céu de Januária, no pé do velho Chico. Tonha nasceu em 1929, filha de Josefina e Deocleano Luz Chaves; Mãe Josefina, morreu cedo, logo depois que "Tio Zé" veio, e logo Pai Deocleceano se arranjou com outra mulher, que fazia Tonha não saber muito do que era carinho de mãe. Aos 9 anos, vê Lampião passar por Januária, com suas tropas de heróis da caatinga, e rezou para Mãe Maria para que nada acontecesse, e nada o fez. Aos 11, perde Mãe de Mãe Josefina, a vó. E, logo depois, Rosa, Cota, Zé, Belinha, E toda a porrada se arranjam, e Deocleceano se ajunta com Mãe Josefina. Um cabeça chata, mais negro que um carvão, vem trabalhar na mesma padaria que Rosa: Francisco Cornélio Mendes, o filho perdido de Bodocó. Eles não se amaram de primeira, mais, se entenderam, e fizeram o amor crescer, florescer. Se mudaram, se casaram na matriz de Januária, que foi no mesmo dia que Francisco Alves morreu! Antônia trabalhou, lavou roupa na beira do velho Chico. Benjamin Guimarães passava, e o "Seo" Tintino (Quintino) fazia a travessia das bordas do Chico. Pai Francisco, vendia e fazia pãos para um patrão maçom, que logo faliu. Foram para Montes Claros. Não deu certo. Logo, o sonho dos anos 50 aflorou em Francisco: A vida de "Sum Paulo". ♫ Quando eu vim lá do norte, seu moço, do meu Bodocó...♪
Tonha veio, de 4 dias e meio na SOROCABANA (RFFSA-TM), e ficou na casa da Tia Laura. Sentiu ali, que a vida seria bem pior do que imaginava. Com "Toinzin", Maria, e Fransquin, sentiu ali a humilhação de viver de favor, enquanto chico trabalhava com seu comprade. Logo, a chance de sair dali. Pra onde? Ah, seu moço, Vila Miriam! Ali, sem "Toinzin", viveu tempos felizes, e inteiros. Deu-se a luz a toda a familia; Desde Maria até Márcia. E logo, tudo se acertava, para compor renda, Antônia lavava roupa da Lapa rica, da Vila Zatt, de tudo aquilo que lhe favorecia algum vintém. Humilhações, preconceitos, pobreza, falta de estudos: Tudo dependia de Chico (Pai Francisco). Chico, em 1970, durante a Copa do Mundo, se foi, e no dia do último capítulo d'A Cabana do Pai Thomás! Agora, Fransquin é o homem da casa, e a coisa se aperreia. Antônia lutou, teve dignidade, lavava roupas até as 01:00AM para viver, fazia todo dia salada de alface com sardinha, cuidava de seus, dava café pros presos, tirou as pulgas de toda uma casa, jogou água nos genros, adotou pessoas como família, fez abrigo para o "Tio Zé". E viveu seus dias de batalha, sem esmurecer, sempre lembrando suas  origens, e dando seu amor como prova de vida, sempre rezava o ofício, e sempre lembrava do que alguém (talvez um padre) lhe disse: "Bem aventurados os pobres de espírito e os miseráveis; Pois deles serão o reino dos Céus".
Hoje, meu Anjo Mineiro, a Minha Mãe, faz 84 anos. 84 de luta incessante, 84 anos de alegrias, tristezas e travessia. Minha avó, a mulher do qual me orgulho, a matriarca de uma família grande e sadia, uma mulher que, quando chamada a sentar no topo de uma mesa extensa, diz que não quer, porque não merece isso: Essa é a mulher da minha vida, uma pessoa que para mim, é mais que tudo nessa vida. Que Deus ainda te dê todos os tempos e todas as horas. Perdoa todos os meus erros e falhas contigo, mais, eu prefiro me esquecer que a vida é passageira, do que qualquer outra coisa que eu faça, por medo, remorso, ou comodidade. Eu te amo demais, véa.

Do teu, único e só;
Marcus Queiroz

domingo, 6 de janeiro de 2013

Quando eu estiver só.

Quando eu estiver só;
Eu estarei meditando em tudo.
No Céu, na música, no trânsito, na música
nas coisas pequenas e belas da vida,
nas sombras daquilo que eles chamam de nós.
Eu estarei no pé-direito do universo,
esperando inúmeras coisas,
menos quem me tire da solidão,
pois, eu sou o sinônimo da mesma, mesmo tendo meu amor.

Quando eu estiver só;
Carregarei o mundo nas costas,
farei conversas salvarem os meus da maldade fea,
não por obrigação, mas, porque é válido o fazer,
assim, serei de novo o ordinário homem comum,
E morrerei entre esquinas, beijos, e copos;
Eu serei o homem da sucursal, do Mar de Syracrusa.

Quando eu estiver só;
Farei minha oração para você, nega;
Esperarei a tábula de preços da Trindade;
Escreverei e revisarei com Filipe;
Tocarei com Victtor;
Ouvirei com Wendel;
Colecionarei e honrarei a raíz como André,
Irei ler como Karoline;
Discordarei veemente como Armando;
Farei o negócinho como o Robson;
Terei saudades como o Leandro;
E rezarei por mim e meus erros como Antônia.

Quando eu estiver só;
Mesmo assim, estarei atrelado a tudo,
Pois eu me desligo de tudo e todos quando me retiro,
mais, mantenho a antena ligada a qualquer chamado,
quando quiser, me chame. Venha prosear,
abrirei a porta da vida,
e com você por ela eu irei andar, e dialogar,
e o resto, será silêncio do zero adiante.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

31 de Dezembro de 2012.

Eu não tenho nada;
Minhas mãos são vazias;
Meus sonhos são fortes;
Meu peito é cheio;
Meu coração é teu.
Cá estou eu, sozinho na reia da praia,
levando uma barca pra Iemanjá;
Estou na fé;
Estou na obrigação;
Na legitimação de um pendão que poucos seguram.
Deus na frente, São Jorge na proteção.
Mãe Iansã, acerta um raio na minha cabeça, se este ano demorar pra passar?
Sem dor, sem sofrimento;
Sem glória, sem nada.
Apenas eu, minhas coisas, e meus quatro quarteirões.
E agora, já passou da meia-noite,
nada mais me interessa, além de virar a garrafa, e ver a manhã chegar,
você não está comigo,
mais carrego você no coração e na mente;
Não basta, mais, é o que me tinha para estar atrelado a você.
Me peguei olhando entre os fogos, para uma estrela tênue, e me arreefei:
-Serás que olha pra esta estrela, para assim olhar para você?
O vento arrodeou minha cintura, e eu tomei minha garrafa,
esperei a manhã chegar...
...E nela não veio você, nem nada.
Então, nada me restou a fazer, a não ser ver tua foto e chorar.
Eu esperei que o dia trouxesse a vida, a iniciativa nova;
Apenas me trouxe um momento, um segundo, uma vontade.
A vontade de te ver, te tomar nos braços, te beijar, te por pra fumegar.
Seu sorriso tão lindo e tão branco,
seu coração tão fechado e tão aberto a mim;
E em todas as ruas em qual eu pedalei, não te vi, não te achei;
Mais em cada esquina, gota de chuva, vento forte, te achei;
E isso me fez um cadinho mais feliz,
E isso me fez um cadinho mais forte.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Balanço Do Ano Que Não Era Nada.

2012 foi um ano insosso. Um ano que eu preferia que não existisse, e que continuasse, em aspectos distintos.
2012 foi o ano que perdi coisas únicas, fractas e que sei que nunca mais terei. E foi o ano que ganhei muitas coisas boas. Basicamente foi um ano de mudanças e adaptações. Arrancaram uma perna, uso muleta, me arrancam a muleta, me escorro na parede. 2012 foi um ano de dor, uma dor que era pior que o câncer que corroeu meu pai, foi um câncer que me emagreceu e quase me matou. 
Foi quando perdi minha tia, foi quando perdi minhas esperanças na vida humana, foi quando eu voltei a beber, berrar e brigar, foi quando me escornei de corpos em copos para ser feliz, mas era rejeição atrás de rejeição. Em 2012 eu ganhei um amor para recordar, eu ganhei a América e o Mundo, eu ganhei meu pai, ganhei a fé em São Jorge que foi quem me valeu, e minha família, ganhei uma mulher e toda uma realidade nova.
Em 2012 perdi e ganhei amigos, joguei flores aos leões e mandei beijos aos transeuntes que passeavam no pajeú. Eu encontrei e perdi minha fé, amor, esperança, justiça e o que mais um homem puder. Em 2012 eu criei meus muros, defesas e ataques, e pude contar com um batalhão de amigos para me defender de coisas que antigamente eu julgava que me faziam bem...Ledo engano. Obrigado aos que estiveram comigo em todos os momentos deste ano tão turbulento. Vamo nóis para 2013 com fé, e longe de todo o tipo de negatividade. Vamo nóis?


Com os votos sinceros do The Ox Says/Escritos e Contra-Crônicas.
E quem não gostou, que vá pra puta que o pariu!