Bep;
Hoje o Céu daqui pareceu-me o Céu de Londres. A Londres de D.J., a minha Londres - ah, os quatro quarteirões, os casacões tão alinhados, o sôm desalinhado tão potente sôb os ouvidos de tocar guitarra de fone pra não irritar os vizinhos, o licor, o vento cortando com a garôa rente, e o vento acarinhando o cabelo - E não me apercebi de imediato que a vida tem dessas coisas, e trás dessas coisas. Bep, ainda tenho um leve resquício de juventude em mim, que brada e briga com as correntes e pedras que me fiz prisioneiro (Deus sabe que nunca por mal, nunca por mim) para ter ainda a vida livre, a vida entre os dentes como as coxas da dama louca que amei com gôsto de paraíso. Bep, viver tem sido um barato melhor que aquele dia que descemos a Augusta quando tava tudo sem luz nos postes (afora as pontas de cigarros, baseados e luzes neon). Sua mão segurou a minha tão forte, e pela primeira vez me lembrei da breve oração; Quão suntuosos foram nossos lábios, ao estar em terreno inimigo, dizer o que os das garrafas não queriam beber, e dos que fumavam não tragavam em seu pulmão, e dos que comiam, não alimentavam. Ai de mim, Bep, se não o fizesse, nem com você, nem com eles, nem comigo. Ai de mim se eu morrer sem nem nunca ter dito que era de lágrima agridoce, foi pela causa, foi pelo reino, foi por tôdos, pela criança que dorme na Rua do Thesouro de madrugada e apanha da polícia, da mãe solteira que pega ônibus até o hospital com o bebê em febre, pela avó que visita o neto encarcerado, pelo pai de família que pela tristeza se entrega ao vício do álcool, pelos meus contemporâneos que só saberão do que digo na hora de morte, e a êles bendigo e bem-aventuro: A morte deles não lhes farão mal, pois a mística divina os intercedeu, mas para mim que sei os esquema das Ave Mariae tudo, estou lascado! Porque a segunda morte pode me fazer mal se eu não fizer bem feito, e na minha hora de solidão, se não for por Deus, não há de ser por ninguém.
Ah, Bep, Cecília está a caminho, e ela tem cheiro de Ventura, cheia de amôr no seu alfanje, vem trazer esperança na minha carne nova, mas de alma tão anciã. Cecília corre como o vento londrino que sai da Picadilly Circus, e cai na Líbero Badaró passando pelas janelas dos paifrades até chegar no meu coração. Sei que vem e vem em bonança, para me lavar de tristeza e lavrar em melhoramento. Quem diria, Bep? Após tanto afastamento, minhas profecias ainda dão certo, apesar de algum delay. Deus é Excelso, e descobri a sorrir (mas ainda não consigo tirar fotos sorrindo, e inda ponho a mão na bôca ao rir e gargalhar, 'quele trauma inda continua). Aprendi a ser beneditino nos pensares, dominicano nas declamações e atrações, e franciscano com tudo aquilo que está ao meu redor. Inaciano não, ainda não. Talvez depois da segunda morte. Ainda existe aquele gôsto de ferro na bôca, Bep. Uma tristeza e aquela agonia juvenil. O medo. As cicatrizes mostram nossas lutas, mas quando o vento bate nas nossas cicatrizes, elas doem, ardem, parece que se refazem de agonia, e nos lembram de alguns acidentes de percurso, mas calma: Estou aqui ainda, não do jeito que nos conhecemos, mas talvez um pouco melhor, um pouco mais experiente e barbudo; Vendo a vida em tudo, e entendendo as pessôas, e não as mostrando em abrupto, mas apenas deixando que os Véus caiam sutilmente e tradicionalmente - o têmpo da cólera já passou, não posso tomar armas com o têmpo e querer que tôdos evoluam como eu, tampouco que tudo ocorra numa medida, as coisas irão se formar e acontecer quando precisarem, cabe a mim meditar, perseverar, orar, jejuar e a Deus entregar. Vês como mudei, Bep? Mesmo sendo o mesmo, de mesma essência, não sou mais o mesmo.
Não sei quando voltas, ou se vens visitar os teus daqui d'além-mar, mas, quando vier, avisa-me, tenho muito a te dizer e contar. Sinto falta das tuas sardas no rosto, tuas saias e botinhas, e aquele sorriso de quem conta com o ovo no cu da galinha. Sinto falta de gente mortificada, mas viva no espírito, de tal forma que sua alma aparecia mais que suas pernas. A invenção que superou o inventor. O cabelo multicolorido, e o Véu para entrar na igreja. Os piercings, mas decorar a Ladainha de Nossa Senhora, as cervejadas, mas acordar cedo ao domingo para ir no missal da massa. Faz falta, Bep. Lembra-te de mim quando entrar na Matriz, e passando pelo Rossio, toma um vinho por mim (ando trocando amarelas por carmins), e peço-te que reze incessantemente por mim, e pela salvação de minh'alma, que errante erra, relutante reluz, e aceita asceticamente. Te faz em saudades do teu exílio, mas sei que daí estás bem com teu garôto.
Um abraço do;
Queiroz, o Marcus.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
segunda-feira, 30 de julho de 2018
quarta-feira, 11 de julho de 2018
Holy Are You.
Ao longo de minha vida, não fiz questão alguma de existir ou ser reconhecido (ora por música, texto, discurso ou modus operandi); apenas fui logrado de um lado pro outro como um brinquedo na boca de um cão raivoso, e quando percebi o que me restava, me apeguei ao pouco (do) que me restava; como areia, (o que me restou) esvaneceu de minhas mãos, e não senti mais nada, apenas senti que deveria vagar como um eremita penitente que procura nos caminhos a existência de Deus, ou algo que lhe tire essa dôr do peito e o amargo da língua - e assim eu vago. O meu contentamento se basta nas pequenas coisas e ainda sim consigo achar Deus nas pequenas - e verdadeiras - coisas, mas ainda sim minha parcela humana sente dores e apeia em aboio (prova de que ainda estou vivo, talvez?), há horas que o riso finge nascer, noutras, o choro vilânicamente tenta desabar, e em algumas a horda de coisas se torna tão forte e intensa que só me resta respirar o máximo que posso e (não) deixar as águas me afogarem.
Não permita, nem por um segundo que eu me afaste de ti, Excelso, olha por mim, e pelos caminhos sinuosos que desentortei e fiz valer, logo tornar-se retos, para não me desvirtuar mais. Como ovelha perdida, fui achado por Você, e Você mesmo me restituiu na Tua graça e Presença, dando-me nova chance e nova forma de vida, restituindo-me de tudo que fiz. Mostra-me com Sua Presença que ainda vale algo desta vida, ou que as coisas irão de alguma forma se ajeitar - por momento vejo apenas uma nebulosa sinousa, e por vezes não te encontro, nem te Vejo, nem te Sinto, como se você não deixasse eu te Ver ou te Sentir - não que Você não exista, não é este o ponto, mas o que dói é que nas horas em que tudo se acerta, logo tudo piora de uma maneira tão abrupta, e tão logo, as coisas que estão sôb Tua mão, não me deixam entender o porquê de tão virada brusca de ares. Não me consome o medo, Excelso, apenas me consome a diáspora e a aflição, e além disso, me assusta o quão ruim as pessoas são, e que ela não entendem as suas lutas, apenas querem que sejamos igual a Você durante sua hora de solidão: Escurraçado e humilhado, sem tempos de bonança ou calmaria. Apenas flagelo e dor.
Permita, ó Deus, que a morte segunda não me faça mal, e que neste momento, não consiga sentir mais nada; e quando o aço gelado cortar minha carne, a fuligem se torna vento, e o sangue se rarefaz; que a morte não seja um término, tampouco um final, que seja um nôvo chão para os meus pés cansados, e que quando toda a dôr acabar, não exista mais dôr - que a dôr seja o fim da dôr.
Não permita nem por um segundo que a tristeza seja o que maltrata, e tampouco vá me matando aos poucos, fique mais um dia - Como a corrente de ar, que ela vá embora, tangendos os sinuosos ventos, e que não atrapalhem de forma alguma a ninguém, que haja a paz nos desaventos; que os sinos toquem, que as lindas garotas ouçam, que os Céus turvem, e a vida se transforme. Quando o jarroio carmim pingar ao solo, não haverá mais nada, e quando a carne desgrudar, não haverá mais nada, e quando o vento levar, não haverá mais nada: Nem gritos, choros, risos, erros, maledições ou coisas que possam nos abater.
...Mas não é engraçado, que os bons são os primeiros a serem ruins?
Não permita, nem por um segundo que eu me afaste de ti, Excelso, olha por mim, e pelos caminhos sinuosos que desentortei e fiz valer, logo tornar-se retos, para não me desvirtuar mais. Como ovelha perdida, fui achado por Você, e Você mesmo me restituiu na Tua graça e Presença, dando-me nova chance e nova forma de vida, restituindo-me de tudo que fiz. Mostra-me com Sua Presença que ainda vale algo desta vida, ou que as coisas irão de alguma forma se ajeitar - por momento vejo apenas uma nebulosa sinousa, e por vezes não te encontro, nem te Vejo, nem te Sinto, como se você não deixasse eu te Ver ou te Sentir - não que Você não exista, não é este o ponto, mas o que dói é que nas horas em que tudo se acerta, logo tudo piora de uma maneira tão abrupta, e tão logo, as coisas que estão sôb Tua mão, não me deixam entender o porquê de tão virada brusca de ares. Não me consome o medo, Excelso, apenas me consome a diáspora e a aflição, e além disso, me assusta o quão ruim as pessoas são, e que ela não entendem as suas lutas, apenas querem que sejamos igual a Você durante sua hora de solidão: Escurraçado e humilhado, sem tempos de bonança ou calmaria. Apenas flagelo e dor.
Permita, ó Deus, que a morte segunda não me faça mal, e que neste momento, não consiga sentir mais nada; e quando o aço gelado cortar minha carne, a fuligem se torna vento, e o sangue se rarefaz; que a morte não seja um término, tampouco um final, que seja um nôvo chão para os meus pés cansados, e que quando toda a dôr acabar, não exista mais dôr - que a dôr seja o fim da dôr.
Não permita nem por um segundo que a tristeza seja o que maltrata, e tampouco vá me matando aos poucos, fique mais um dia - Como a corrente de ar, que ela vá embora, tangendos os sinuosos ventos, e que não atrapalhem de forma alguma a ninguém, que haja a paz nos desaventos; que os sinos toquem, que as lindas garotas ouçam, que os Céus turvem, e a vida se transforme. Quando o jarroio carmim pingar ao solo, não haverá mais nada, e quando a carne desgrudar, não haverá mais nada, e quando o vento levar, não haverá mais nada: Nem gritos, choros, risos, erros, maledições ou coisas que possam nos abater.
...Mas não é engraçado, que os bons são os primeiros a serem ruins?
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