Chega uma hora que a gente cansa de levar pancada da vida, principalmente de quem se ama.
Epitáfio do Marcus Queiroz. Apoia esse blog, faz um pix pra nózes: marcusvini15@hotmail.com
segunda-feira, 28 de março de 2022
quarta-feira, 23 de março de 2022
Elegia.
De fato, eu, criança solta e doida pelo mundo não reconheço o que me cega, mas deixo minha reminiscência em cada pedaço que passo gravando meu existir no mundo. A cada lugar que passo deixo minha essência, riso, deboche e palavra; e aqueles que passaram após a mim deixaram enunciado que me viram, me sentiram e me viram em locais aonde me eternizei. E quando eu for embora, sei que deixarei cada local meu com minha marca impressa, e por mais que a boca não assuma, serei o tormento do pensamento, a lágrima solitária, e o nome preso na garganta. Serei o mais belo pendão hasteado em algum tendal.
Mas, sinto cada dia que passa que não deveria estar aqui. Que talvez eu deveria deixar de existir. Devesse eu, de fato, deixar essa caravana.
Quando eu me chamar saudade, deixarei pontos mais fechados do que abertos, pois não guardei para ontem. E quando os sinos tocarem, os pássaros aparecerem, o Sol nascer, e quando o vento derrubar, será a recordação: não será teste, nem coincidência, e nem a vida. Será aquilo que espreita, e finge não se dar conta, quando eu me chamar saudade, levarei na mão um terço, e muitos calos dos pesos e barras.
No fim, pelo visto não importa o quanto você é bom, mas o quanto você aguenta as tretas e ainda dizer que está tudo bem - mesmo não estando.
No fim, não importa o quão fazes de boas ações, ou aquilo que tem velado teu coração; vale o que te julgam e te cabem necessário.
No fim, não importa o que você pede ou considera: você é condicionado a aceitar o que subjugam, e dizer amén.
E assim, passar para depois parece tão fácil, de comum fazer e explicar.
sexta-feira, 18 de março de 2022
Hurt.
Sentado, do lado de fora, honrarei cada um de vós, sentado em minha amaldiçoada memória. Direi bôas palavras, juro. Serei vossas testemunhas diante do Santo Tribunal, os guardarei e os amarei.
E vós, após minha morte, me amem de verdade ao menos uma vez em diante.
E não me abraçando, valorizem o abraço, não me beijando, aprendam a amar, não me vendo, aprendam a urgência em vêr quem se estima, e não ouvindo minha voz, aprendam a ouvir. Quando eu me chamar saudade, aprendam a usar a memória como alma e arma.
Cá a mim, resta o gôsto de veneno na boca enquanto durmo, e a vontade de pedir perdão aos que amo, e meu grito mais sincero de ódio aos que renego. Me torno inimigo das sombras, das luzes, da noite e dia, e espero em mim a hora de morrer; habituado, pois, ao centro do universo, aonde tudo recebo e nada consigo inflingir, restrinjo minha existência a uma básica sentença de não ser mais, do deixar para depois...
...Afinal, qual cousa boa faria se ainda vivo?
Encomendo esse resto de sopro, pois, a Virgem das Candeias, e ao Bom São Cristóvão, e que nessa travessia, eu aprenda ao menos que não há com quem contar.
E que de resto, nada nessa vida importa. E peço perdão aos que aborreci, achando que eles se importavam, pois a estes amei mais.
E o resto é o sino do Largo.
quinta-feira, 17 de março de 2022
Aqui.
Quando vêm essa noite tão densa,
que me trás vozes e falsos-peixes,minha carne vibra e meu olho incelensa.
Sinto-me triste, fustigado, cansado e desiludido,
e dá-me o prazer de não-ser e não-existir,
para ter (e dar a) paz (a todos a quem feri).
Quando olho a janela me suspiro pelas maravilhas da Destra criadora,
mas me sinto usurpando o local de outra alma,
vivendo algo que não é meu,
atrapalhando algo na vida de cada um que me circundeia.
E o gôsto férreo da morte me parece mais belo e valioso,
pelo simples fato de só saber ferir/magoar/machucar/tanger,
E sentir (saber?) que não se é suficiente/digno/justo/bôm.
E minha alma se cala enquão as carnes tremem.
Sinto que meu desserviço aos meus e a mim mesmo só aumenta.
Tento me aprazer mas esta densidão teima em me arrodear.
E por ter escolhido a água e o viño me apego mesmo que haja absência.
E me sentindo só, inútil, triste, e incompetente, sigo.
Talvez,
quando você estiver lendo esse trovejo,
eu estarei não querendo viver mais.
E te peço desculpa, de coração, peito aberto.
Não me sou assim porquê quero.
Talvez a vida - as chagas ou as pessoas - me imputaram a isso.
Me perdoe por favor por estragar o cenário.
Sou da lira e da pena,
por isso denuncio tudo o que sinto em lêtras;
mas,
se puderdes e quiserdes fazer algo por minha pessoa
(cousa da qual duvido muito)
vos rogo que me abrace forte, incandeiamente.
Diz-me das cousas bôas que obrei,
dos sorrisos que arranquei,
do amôr que cativei,
da lágrima que estanquei
(se é que o fiz algo assim)
e segura-me firme e não me deixe morrer de minhas mãos.
Olha meus olhos e vêde minh'alma suspirante,
que entre o sufrágio e o mítigo, fel e têz nêgra,
mantém-se sem saber porque se mantém.
E se tiverdes essa paciência e virtude por minha pessôa,
vos rogo que,
por mais um momento,
me manterei,
aqui.
quinta-feira, 10 de março de 2022
Beautiful Stranger.
Não escuto mais o encarnado canto da sereia, e tampouco vejo as estrêlas-guias do Céu que há tanto e a muito me davam a paz para seguir mantendo leme e timão em sincronia. Logo, encontro-me neste exato momento vivificando um espírito natimorto e rezando pelo meu pior fel; e das dôres do mundo, na noite da solidão, me coube um lampejo (de ideia ou de ignorância), aonde guardo meus pensares neste baú letrado, de forma tão forte e precisa que quem o lê entende de letra errada, e se não o ter com o escriba para traduzir, não há de entender.
Pus pena e papel em pronto, e assim transpus para aliviar o desaguar:Conheça meus amigos, são dotados de virtude de charitas e amôr-sem-fim; e tôdos êles, quando pôstos no prisma de nós, sempre se colocaram da emprêsa e deitaram escudos a nosso favôr.
Conheça meus irmãos, aqueles a quem dariam a vida por mim, e asseguradamente dariam o subsídio para a musa da lagoa para que assim como eu daria para a senhora do junco e mel, e a nêga da favela - eles, cada qual em sua colocação, fariam e farão o melhor por mim e pelos meus quando eu me chamar saudade (E quando eu me chamar saudade, sei que não passarei apenas de história, nuvem cinza de chuva veraneia, da qual saudade nenhuma saudade, e sim vaga lembrança), e de fato não vos sou, máquina reconvexa, vaga lembrança? Aperto teus botões, seguro teus eixões, empurro alavancas e analiso indicadores, mas ainda sim, por mais relevante que eu soe, não te pensa que sei que sou plausível de substituição? Pois bem sei, e cai sobre minhas carnes teu óleo, que não me unge, só me constrange e arrefecia.
Conheça meu pai, frade eterno que se cristaliza entre o som e o suor, e entre o punho armado da peleja e o ostente porvir do grito, existe. Habita, no coração impuro e maculado, e além de tudo, existe pela graça sublime de uma misericórida, que padre algum explica e nenhum douto sabe dizer; visita cada pedido, entrada, bandeira, emprêsa e consorte - e dada a graça, iluminado e isolado no ar, existe por milagre impecável da vida - cristalizado e mistificado.
Conheça o coração turvado e abra-o meticulosamente, como gente, como ser, e pagando tributo; oculto pois, em teu desvêlo, reconhece a efíge que esconde, e dado o silêncio prolongado, respira com ardor, e entrarás: verás a chaga e a glória, e coisas que o silêncio soube mais do quaisquer outro.
Após escrito, lembrei de dias aonde era o Sol gelado, e a garoa amiga - que logo não tardarão a chegar. Lembro também, que vi muitos se esgueirando e esquecendo daquilo que só eu lembro. E oculto, dentro de mim, só lembro daquilo que ficou; e não renego! Agradeço a lembrança, e sei que no espaço estreito de um navio, computado as coisas que ergui pelos meus e as sagras que os dei, fiz mais pelo bem do que pelo não. E só espero que as vidas se encontrem no final, que o ego ceda, e que dado a tangente da carne, volta-se e sai o Sol para brilhar, frio e com têmpo cinza.
E lembro-me do que mais me trouxe até aqui, daquilo que mais batalhei em pau-e-corda, e pelo visto, andei em circulo. E eu, estafado, gostaria apenas de deixar de ser, de ter, de
domingo, 6 de março de 2022
Ato ao amor.
Como são sortudos os que amam, e que se sentem amados. Como eles são dotados de virtude, graça e glória!
Como são belos aqueles que notam todo sacrifício de amor, toda vontade suprimida e todo carinho distribuído. Como também são belos os olhos de quem vê mais do que a atitude, e aquilo que há por detrás - quem sente o coração, quem tange a alma, quem quer e precisa fazer (o) bem-amar. Muitos ainda não sabem, mas o amor está em extinção, em risco claudicante de morte.
Deve-se sim mandar flores, escrever cartas, falar baboseiras, dar presentes, zelar e ter afã. Olhar nos olhos, beijar, ter cuidado, e saber quando se precisa ser mais pelo outro. Deve-se abraçar sem motivo, e principalmente abraçar quando mais se necessita, deixar-se em marca de atitude ou doação e imprimir sua marca no amado, para que saiba que invariavelmente está ali. É, além da admoestação perene e justa, a vontade virtuosa de cuidar da pessoa, de ter com ela, e de deitar o tempo, para cada segundo valer.
Ditosamente, ter paciência, e se encaixar, cada pedaço e cada milímetro, e deixar-se levar por um sentimento que secou nos corações - cegos, não amam, e tornam recreativo o uso de gostar, para que assim, amem com retaguarda, esquecendo do Deus que professam, do doutor que hasteiam, e da verdade que carregam.
Colocaram delimitações e estágios naquilo que nunca se deveria ter.
Se você ainda crê no amor, lute. Seja cafona, babaca, ridículo, mas ame. E mostre o amor. Exponha. Dê a cara a tapa, pois, não se ama um amor em vão. Todas as músicas, espaços, lugares, perfumes, palavras e gestos, sempre se remetem ao amado quando se ama; e o amor - criança traiçoeira, infantil e levada, porém sincera e cativante - sempre acha um caminho, e quando feito, não pode ser transposto.
Olha o Céu, ele trás o amor. A água, trás o amor, o silêncio, a rua, tudo de certa e direta forma trás o amor quando se ama, e por mais que você não compreenda, é
dos atos.
sexta-feira, 4 de março de 2022
Alô, Meu Deus
Abba;
Se possível, me guarda esta noite nos teus átrios, e silencia minha voz por um instante. Dilacera e corta meus dedos - de lepra, tato ou corte; para que a função não seja mais ofertada. E o gosto de fel que tange a boca, se possível, elimina. Silencia minha cabeça, meus pensares, e ao abrir meu punho, dá-me a mão.Deita-me na campa, e sentindo o cheiro da chuva fresca, anima-me a me pertencer; pois eu bem sei: eu tenho, eles não. Eu luto, eles não, Eu entrego, eles guardam.
Eu sou.
Dizem, Abba, tanta coisa que magoa as vezes. Te sabes, que eu e tu, no nosso jardim secreto, que nunca quis cousa artificial, difícil, ou que custasse mais do que a vida; de vera, eu só queria a felicidade: A casa, a mulher, os filhos, o carro, árvore e churrasqueira. Queria ter casa no campo, de vera - mas me bastaria ter o que me cabe nesta proporção. Queria ver o Sol nascer mais vezes, olhar a rua e rezar para cada irmão meu que passa por mim, e principalmente não me deixar abater por cousas tão tolas, tão pequenas - mas que tem tanto significado para mim.
Abba, me sinto só.
De fato, me consisto em solidão de carne, pois sei que de alguma forma Sua presença está aqui, em mim e por mim, mas não desmerecendo Tua presença, me sinto falta de gente igual a mim. Gente que ama, aceita, e me faz sentir importante de alguma forma. Sinto falta de sentir aquele momento que alterna entre o riso e a compreensão, e de vera, Abba, por hora me sinto cada vez mais só, e parece mais uma vez com a noite da solidão; aquela mesma noite aonde sentia os taciturnos medos de criança e sentia a travessia do ido.
Eu, estando no mar de gentes, quando me refugio, me guardo em Vós, mas quando eu, estando a sentir o que bem agora sinto em meu peito, tento me refugiar em Tua alçada, porém me parece que até Vós me repeles - sei bem de meu passado, e das lutas que travei para sepultar o homem velho, e no segredo que nos cabe, no nosso jardim secreto, sabes de meu coração, e daquilo que mais me dói (a dita adaga no peito pelos santos, poetas, profetas...), por isso, peço que não Se afaste de mim, nem tão pouco esconda Tua face de mim. E me lembra sempre do que aquele passarinho, empoleirado na janela do claustro, cantou indecorosamente, raivosamente, abençoadamente, e proféticamente; deixa, que meu grito vença, pois das bandeiras que fiz, levei a honra, e da devoção que carrego, emano fé.
Pois te peço, assim como tom de deboche e desafio o endurecimento da víscera, e do riso bobo, do carinho e da tez. Peço que me perca de mim como o profeta no deserto, até que o pastor venha.
Se eles são, seremos mais. Se eles cantam, a gente arregaça. Se eles dançam, a gente bota pra ferver. Se eles são autossuficientes, somos carentes porque somos humanos. Se eles são doutos, somos burros para que eles tenham a quem ensinar. Se eles não tem tempo, somos os que criam tempo no tempo para ser servil.
Lembra, Abba, da porta estreita.
Lembra, Abba, que o deboche no fim das contas foi só uma arma pra esconder as chagas.
Jóia Rara.
Modéstia a parte, eu sou do Largo, e meu lugar é o melhor, e minha mulher é a melhor, meu som é o melhor, e o Céu de outra cor que eu vejo, é mais lindo que o seu.
E você, dona dos meus carinhos, senhora da minha alegria, te peço mil por mil vezes: Faz da minha vida calmaria, e agita ela pra que não caia em besteira. Vem e dança comigo, depois vamos sentar e ver o movinento dos barcos, rir um pouco, e no cálido momento de não se dizer nada, num silêncio entre nós dois, que nossas bocas se encontrem. Que seja você, e sempre você aquela que me dá o sorriso, o beijo, a mão, o abraço, e minha mulher - põe-me entre seus abraços, beijos e sortes, e deixe eu ir adiante, abrindo nossas entradas e bandeiras, e que chegado ao regaço, descansemos, pois.Me solta esse sorriso, porque dele careço e preciso, e é até pecado gravíssimo com risco de entristecer Nossa Senhora você não sorrir mais. Deita no meu ombro, deixa eu te contar histórias de lá da banda de lá; míticos goytacazes, bugres místicos, gente brejeira de coração humilde, e mulheres de força louça - tal qual a vossa.
Dormiu o medo meu, enquanto teu cheiro permanece em mim; dormiu a fraqueza minha quando diz-me as coisas que por dias anseiava ouvir para criar um ego para se-ô afagar; e morreu a parte oculta de minha mão quando me disse o que diz em aberto.
Faz de minha vida então o teu passeio público, pois é disso que consome e precede a verdade: Tens livre acesso e livre verdade e precisa razão de dizer, falar, agir e tomar o timão de minha existência, me faria refinado e forte como um lampejo de viola, assim como me faria confortável como a terra depois da chuva, e carinhoso como a lambida de um cão - de forma adversa, chegaria a ser o ponto do ponto necessário.
E para a mãe da cor, Senhora Assunta que vi tantas vezes sorrir de volta para a dona, eu sei em meu coração - em largo espaço de estádio - que és e faz o melhor para nós, e assim como a donazinha, que de olhos fechados meditava sem medo, confiante em tal confiança magna, pus minhas fichas em tua emprêsa, e me valeu cada pedaço dessa alegria. Senhora Assunta, pavimenta essa estrada louca que é a vida, e deixa a gente ir levando pela sua permissão. E que a tristeza, mãe do feo, vá-s'embora no primeiro trovão, porque agora, queremos, e precisamos, só de alegria.
E Senhora Assunta, cuida daquela que dispara meu coração e me faz sentir fora das carnes.
quinta-feira, 3 de março de 2022
Piano Bar.
Desço as ruas, acendo um cigarro, e mais uma vez me pego pensando. E não me canso em pensar, tampouco em lembrar - cousa que me faz concordar ao que dizem que "a memória é uma arma". E dos sorrisos, o que mais queria cativar é o teu. E dos teus braços, o que queria mais ter nos meus, são os teus.
Uma velha senhora católica me abraçou forte, e me disse tanta coisa boa e justa sobre a vida, que até me desnorteou. Ela sorriu, e nos abençoou; e daqueles que me destronaram, ela os amaldiçoou e os pôs em outro lugar; e enquanto a chuva aperta, eu engomo a calça aqui de frente a velha igreja, e me surpreendo em agora aprender a escrever numa nova categoria: o cotidiano, e no que minha cabeça pensa.
quarta-feira, 2 de março de 2022
Reminiscências.
Lembro da terra seca, e lembro da senhora de ventre seco. Olho os Céus, e lembro das turvações, dos gostos, texturas, e de quem eu era.
Lembro do avencão pendurado na parede, e das plantas que estavam sempre nos beirais da janela, os pássaros que cantavam, e do canto do assum preto que minha avó tinha. Lembro da tapioca com manteiga de garrafa, da tubaína gelada, de puxar capuxeta no Céu e cortar os dedos com cerol, e lembro mais ainda de quem eu era.
Mas, quem eu era? Quem eu sou? O que eu quero ser?
Lembro-me do que era na medida que lembro do que fui em algum tempo, e sei o que sou pelo que vivo e projeto na minha mão, e serei aquilo que preciso ser para mim, e no máximo, para os que me pedem algo e os levo em conta.
Sou de gostos simples, e de coisas pequenas, humildes. Gosto de tubaína, misto-quente, corinthians, antarctica, tatuagens, livros católicos do cristianismo primitivo e franciscanismo, gosto de andar, caminhar, de beijar meu amor indecorosamente e poder andar de mãos dadas com ela, gosto de ter meu tempo e me organizar, ter sempre um passo a frente dos fatos e situações, gosto de The Who, de música, instrumentos de corda, de discos de vinis, e do centro da cidade. Gosto também de sorrir de uma piada indecente e de humor negro, assim como gosto de ver as estrelas no Céu e de ver o Sol nascer. Gosto de sentar na beira da praia, comer camarão e ouvir Evinha tomando uma cerveja, com minha nega do lado, toda gostosa de maiô indo tomar banho na calunga grande. Gosto de escrever na reforma ortographica de 1921. Gosto de sorrir de volta para uma criança, e abençoar os irmãos cãos de rua, e gosto de ser abraçado. Gosto também de quando consigo tirar a pressão de mim mesmo - o que anda difícil agora que ando sóbrio, e gosto (as vezes) de receber massagem na minha perna machucada. Gosto de dias frios, com vento, e garôa. Gosto de surpresas, e principalmente de dar presente para as pessoas que estimo, e sempre quando dou presentes é algo que faça a pessoa lembrar de mim, ou algo que ela queira muito. Gosto do clima de sentar numa mesa e jogar conversa fora, falar abobrinhas, fazer caretas, e peidar discretamente quando saio pra fumar e fingir que alguém no fumódromo pisou no cocô. Gosto quando me agradam, e quando já sabem do que gosto e deixam fazer o que gosto. Gosto do Largo São Francisco, e gosto de como ali eu vejo Deus na Eucaristhia. Gosto de quando ela sorri pra mim, e quando deixa eu ser ousado, e quando ela é minha amiga e me tira o peso de existir. Gosto de como a presença dela me faz sentir alguém importante, e gosto do jeito que ela deixa eu a ter. Gosto do gôsto dela, e gosto da gesta, e gosto mais ainda, de todas essas coisas que gosto.
E gosto, de escrever.
terça-feira, 1 de março de 2022
Footsteps.
O coração mais belo que há. E dentro de você reside toda a alegria de uma vida, e todo o amôr que cabe em um ser - emaranhado em suas vísceras, cabe também dizer de tua alma cristalina; límpida e pura, que reconhece e aceita, acolhe e toma. Auxilia, admoesta, e crê.
Você tem o coração. O mais belo de todos.
E eu, agradecido ao Sagrado Coração por te ter de volta, te agradeço por todas as coisas que és, e se formam para mim. Sei que de alguma forma deixo um tanto meu contigo, e levo um tanto teu comigo, e por muitas vezes, enquão estava fora de mim, me perdia dentro de você que se ocultava no lado oposto de meu peito. E pelo tanto que andei e ainda andarei, caminharia minha vida inteira pra te fazer feliz.
Espero, ainda, guardar-te mais vezes nos meus braços, ouvir tua voz cantando, esfregar tuas costas, massagear você e guardar teu amor para mais tarde. Espero ser digno da votiva que me dá, e que olhe minha face com o novo raio de luz que se apresenta nela - vê, mulher, que estou me refazendo todo para poder segurar tua mão e não soltar; vê, mulher, o quão estou disposto a me entregar a você, e que nenhum outrk daria-se em tão ditosa verdade como eu; e vê, mulher, que é legítimo meu esforço, e ele se consome e constitui em te fazer feliz - hoje e pra sempre.
De minhas imperfeições, ficam a cicatriz, e de teus beijos, a cauterização para que melhore, e de nós, dois que caminham e sempre caminharão na mesma estrada, e se Deus (e você) quiser, unidos.
"Together we stand, apart we fall."