segunda-feira, 24 de abril de 2017

Interstate Love Song.

Tenho um sentimento híbrido por tôdas essas pessôas que vejo - a tal ávida multidão, que há tanto e muito discorro sôbre. Tenho visto pessôas disconexas, que não se conhecem ou que se põem em maior valôr, tenho visto falsos humildes e orgulhosos reclusos em seu castelo, vejo gente que diz abraçar a pobreza mas louva as suas últimas viagens internacionais, vejo a busca pelo amôr, mas, quando o amôr é chegado na porta do alheio, não é atendido, mas, quando o vão sentimento apenas aborda na porta, ele logo entra. Vejo pilhas de contradições, criando certezas supérfulas, e meu coração dóe por isso, e minha voz - já muda, emudece mais, apenas para não professar, mas, para sentir. Sinto o medo, a desigualdade, a maldade e o vil, sinto o cheiro do dinário que lhes são sangue, alma, carne e comida.
Não me importa sua viagem a Machu Pichu, ou ao Taj Mahal, tampouco ver London's Eye, ou se a Praia da Joaquina te amorenou, vêde, eu não ligo; Cabe a mim apenas sua alma, sua carne, sua essência, sua vida, minha vida, nossas vidas. Olho para vocês, e me entristeço, pois não entendo qual é a humildade que vos pregam e sufragam em seus ditos por redes sociais, sendo que vós mesmos postam fotos de seus idos, carimbos de passaportes, carros novos, praias e taças de cristal, e de roupas e danceterias tão longe e tão ostentantes, e esse feminismo tã hiperssexualizado, e esse cristianismo tão exibicionista, e essa ostentação que no fim das contas não adianta e nem interessa nada, e esse amôr desenfreado que procuram mas não deixam êle vir? Quem são vocês, realmente? Cada um sabe de si, mas a humildade que vocês há tanto pregam e tanto querem, eu não conheço, e se faz tanto diferente da minha. E isso me fere mais.
Vocês se guardem, e se amem no amôr dos homens, e peçam a Deus que amem vosso amôr - de vocês não me adianto em bom dias, e em bôns conselhos, vocês a tudo tem, mas a minha lama, minhas mãos sujas e meu viver de Itaquera e República nunca terão, e a precisão do mirar do meu olho nunca comprarão, igual aos meus dizeres, orações e advérbios - eu não serei um de vós, mas, se vocês quiserem, eu só posso adiantar o que sei. Coisa que momento algum dirá, dito que ecoa nas cabeças vazias e abre a semente: A vida é bem mais, no menos que isso - que alegria tem seu peito? Vocês não me compram, porque no seu dinário, o suor não é glorificado, vocês não zelam pelo bem, apenas se gananciam e são cães qu se degladiam pelo bife dado. A vós, minhas orações, a vós, meu respeito, a vós minha distância.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Calix Bento.

Deus me faça forte
diante do adverso
diante do feo
diante da ruindade
diante da fôrça que eu não tiver
Deus me abençoe
mesmo quando não me abençoar
quando eu entrar
quando eu sair
aonde eu permanecer
Deus me proteja
de tôdas as aflicções
de tôda a tristeza
de tôda a agressividade
de tudo que não é d'Ele
Deus me guarde
assim como a promessa
assim como meus parentes
assim como meu destino
assim como o canto dos pássaros
Deus me ensine
que na morte eu renasça
que na dôr eu sorria
que pro mal eu fale d'Ele
que de tudo eu tire bôa razão
Deus me cuide
que eu leve sua boa nova
que eu ensine seu bôm conselho
que minhas mãos professem bondade
que a melodia ressone positividade
Deus me amadureça
ao perdoar o que dói
ao entender o que me fere
ao sentir o que sinto
ao viver o que vivo
Deus me fortaleça
para que não doa mais
para atravessar a porta estreita
para aguentar firme
para manter a fé cada vez mais
Deus me ensine
a soma de tôdas as coisas
a beleza da vida
a harmonia entre pessôas
ao que dá paz no coração
Deus seja louvado
por tudo de bom
por tudo de ruim
por tudo de normal
por qualquer coisa que acontecer
Deus esteja comigo.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Mestre Jonas.

Há, em algum lugar, uma alma que se arma e respira para continuar a descer entre as águas fundas, e se perder num vasto oceano, longe de tôdo areal e cais, apenas pelo simples fato de ser, de ter, de estar. Em algum lugar, há uma alma que não se casa com as outras, e foge desesperadamente de seu local apenas para ser livre, para ter a liberdade entre os dentes, e para ser feliz a sua maneira.
Eu não preciso de um lutador que lute por mim após que meus dentes já estejam quebrados, assim como não preciso que cozinhem para mim após que eu já tenha aprendido cada tempero e sua utilização, assim como não preciso de quem me ame após que já bebi cálices de solidão, a nela aprendi a ser. Não preciso de um carroussel de sensações, pois até mesmo na mais inebriante volta, no mais alto pico de sentimentalismo, ele para de rodar, e eu fico. Não necessito da falsa bondade e dos amigos sazonais, assim como não preciso dos críticos que com suas filhas e esposas atacam a veemência de ser, e não deixam cada pessôa viver sua vida, seu caminho, por conta de alguma regra vigente. Regra vigente? Doutores, mestres, senhores, juízes, vocês tôdos são burros, vocês tôdos carregam a parcialidade em vossos bolsos, e na hora da humildade, vocês não passam pela porta estreita que minha gente passa, não comem do feijão caroçado que minha gente come, e não tem a alegria de uma cerveja de fim-de-feira que a minha (amada, dulcíssima) gente tem, vocês com seus carros de ano, com suas coberturas no centro, filhas mimadas que são prostitutas-de-babilônia, a vós, Senhores de um Sinédrio vazio, lhes dou meu perdão e minha benção. Nós, os pobres, os do degredo, nós temos a pobreza material, mas temos a riqueza espiritual: Tivemos pais que nos botaram no caminho da fé, que não nos criaram pros seus vícios de carne, nós tivemos amigos que nos abraçaram na tristeza, e nos louvaram na alegria de um gol, de um copo de cerveja, ou de um filho que nasceu, nós temos amigos que intercedem por nós na hora da solidão, da dificuldade, da tristeza, e não fazemos concessões ou botamos na balança, esperando um favôr-de-troco, não, nós não. Somos reis, somos profetas. Nós, os degredados, anunciamos o evangelho do Nazareno, de um Deus Triúno que de forma ímpar morreu por cada um de nós - incluindo vocês, mas, que vocês nem se dão a notar, nem a praticar, nem a pensar. Ir na Igreja - independente de qual - não lhe faz mais perto de Deus, e sim da comunidade. Dar uma parte do seu dinário, não te faz perto de Deus, mas contribui com a obra d'Ele, dobrar seu joelho, abrir sua alma e sangrar, isso sim se faz efetivo, isso sim faz o Divino estar com, em e entre você. Isso te ensina o porquê da porta estreita.
Houveram dias que eu achei que nem ia sobreviver. Em outros, eu apenas morri. E estou aqui, natimorto, escrevendo essas verdades que pouquíssimos irão ler, e desses poucos, alguns compreenderão, e desses mais poucos, uns dois, muitos três, se identificarão. Os poucos reis, os poucos profetas, os poucos escribas, eis aqui nós tôdos, escancarando nas vossas faces uma verdade, que mesmo se tangessemos vossos olhos, vocês ainda sim não entenderiam, nem sentiriam. por vocês eu escrevo e medito. Por vocês eu me entristeço.
Quando eu estiver longe, não me desperte, deixe-me longe ficar, você não sabe o que se passa com minha mente, nem em meu coração, deixe que no meu transe eu mesmo saio, assim como da tristeza estou eu mesmo saindo, assim também como da alegria estou provando sozinho - e por mais que queira dividir esta alegria, ninguém ouve, ninguém sente, ninguém lê, e quando notam os raros sorrisos que minha boca esboça, perguntam-se em porquê: O que me leva a rir e balançar as mãos unidas pro Céu? Senhores Doutores do Sinédrio, podres pela riqueza do dinário, carrego em mim Algo que sempre tive, mas, agora se manifesta mais forte que em qualquer lugar que eu vá e esteja, Algo que põe comida na minha boca, e me dá o de beber quando padeço, e tem sido mais forte que meus próprios pensamentos, e quando caio em dúvidas, tem sido meu Único acalanto, maior que a própria música de Cecília. Carrego dentro de mim que não mostro para tôdos, mas, a quem quiser ver, partilho, e a quem sente, me incluo, e a quem vive, me compreende. Vivo uma intensidade, e uma cadência de uma supernova, que como no fim, agora me resta apenas a queda, apenas o chão. 

sábado, 15 de abril de 2017

A Chuva.

Olha, ninguém é melhor e nem maior que ninguém, então não nos devemos usar como parâmetro ou diretriz, cada um diferente é, e dentro de si cabe um, dois, dez, quatro universos individuais que permeiam nosso ser e nosso fazer, como ser, o entender e como viver; Se te cabe saber, está tudo errado, a vida tá tôda muito errada, e tudo isso tá muito errado, incluindo as pessôas que nos rodeiam. Não existem mais pessôas-de-bem, e as que mais se auto-entitulam assim, e as que os outros assim chamam, devem ser as mais temidas e mais reprimidas - pelo fato da bondade hoje difícilmente ser apenas bondade, deve dar-se da dúvida a todas as pessôas, principalmente para aquelas metidas a valente, valentes em ser bôas, que carregam bondade. Quem carrega bondade é sacrário, não ostenta o que tem e passa batido, mas, quem escancara o peito e mira nos queixos do outro uma vontade de mostrar o que carrega, dessa pessôa se deve manter distante - este é o Fariseu moderno.
Mantém-me acordado, e não me deixa dormir agora, deixe eu olhar mais um pouco a chuva cair, e me motivar a estar vivendo o que vivo, e sentir o que sinto; Deixa que a chuva que caia leve consigo a tristeza de cada coração, e que cada cabeça que dói, pare de doer quando encontrar o travesseiro, ou o colo da amada, e quando a cabeça esvaziar, esvazie se também tudo aquilo que o coração não diz e a mente não propaga, tudo aquilo que os juízes julgam mas fazem, condenam, mas acionam, e que só o réu paga, por ser da solidão, e por não saber da legislação tão bem.
Pega minha atenção e a cultive, cative, cada vez mais, e saiba que só você pode fazer isso, Deus - só para você devo largar tudo, e prestar a obediência, e o ato da fé absoluta e inexorável. Mantém-me longe desses homens e dessa lama, e deixa que tudo isso seja apenas uma história, um florete que contam por aí para enunciar algo maior ou melhor que o tempo da carne, ou de suas vaidades tão mentirosas que não se cabem, nem se acertam, tapouco convém.
Desce-me até a mina d'água, e lava-me dos meus pecados, e deixa a carne ser carne, afogue a minha carne, para sair, sobressair, intervir, e vencer. Deixe-me, ao menos uma vez na vida, ser certo, estar certo, e viver certo. Deixe-me ser o que nasci para ser, e que os homens fiquem com os homens, pois eu nunca fui, nunca sou, e não hei de ser daqui.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Hor Görme Garibi.

Pra você que não existe ainda em meu caminho, mas se fôsse existir, assim seria: deitaria meu lado. Se prosta, mentalmente e ilusóriamente, como se imaginasse a mais linda cena de amôr que nunca aconteceu em tôda a minha vida: De barriga para baixo, pernas levantadas com os pés para cima, rindo de mim enquão eu escolhesse um disco, o beijo nunca dado, o sorriso nunca consumado, e você, levemente deixando tudo aquilo que aconteceu lá fora, bem lá pra fora, sem tempo pra nada, só para nós dois. Seria o primeiro dia, da primeira hora, do primeiro minuto, de nós dois. Só eu. I Me Mine.
Você acredita, que até agora eu me pego pensando nisso tudo, e se tôdos os rumos que tomei estão certos, assim como tudo aquilo que está no meu peito e que ninguém nem sabe, que nem eu faço questão alguma de saber, de se interessar, de se sentir, dos planos há tanto meticulosamente pensados que não frutificaram, nem cresceram, nem nada; Daquele cafuné que eu empacotei e pus na dispensa, e daquela teoria que eu queria discutir sobre o Sudário de Turim, das cervejas que nos esperaram, de tudo aquilo que poderia ser grã, maior, forte, ímpio, mas nem aconteceu - sequer existiu.
Não posso te escrever se você nunca existiu, por mais que eu soubesse que em alguma parte do mundo você está aí; Agora eu não vou mais te procurar, Debandei, e deixo você livre de qualquer laço que o universo possa ter nos incubido. Seja feliz, mais do que poderíamos ser: Hoje achei o meu caminho, assim como você irá tomar o seu, faço votos e fé.
E por onde passar, amado-amôr-da-minha-vida-que-eu-esperei-tanto-e-nunca-conheci, seja feliz, gentil, sorria sempre, e tenha em si a Paz e o Bem, traga consigo o cheiro de jasmin que tanto senti, mas nunca ficou em mim, e o exale para tôdas as pessôas, e carregue em si a bonança que jorra de seus braços, seu abraço, seu sorriso de fim-de-tarde, e da alma. De seus pés hão caminhos, que nunca pisados em vão serão, e pôr onde fôr, lhe abençoo, incentivo, e bendigo você pelo amôr e desapego de saber que não irei te ter; Mas, se um dia nos encontrarmos, apeanas ria, e fale de música, apenas a doce música, e pelo timbre da sua voz, eu saberei que estarei falando com você. E mesmo que já ido de você, eu vou saber quem é você, e se talvez o universo deixar, você saberá quem sou eu - dois ex de um grão amôr que nunca aconteceu.
Tome cuidado quando sair a noite, e quando sair, leve uma cachemira, uma malha, o que fôr, apenas por precaução, e não beba muito, e relaxe, seu batom está lindo, assim como seu cabelo. E quando se encontrar sozinha, reze, para a solidão se mandar, e quando sentir medo, jogue o medo fora numa caixa de sapato, e quando sorrir, pega essa alegria que jorra do seu peito e transmite aos seus amigos, para assim se fazer Luz, ser mais Luz do que eu possa ter um dia imaginado, e quando você simplesmente passar pelo portão da igreja, e me ver naquele banco, pela sua Luz, perceberei que você é mais Luz do que tudo. E a Luz que habita em você, verá a Luz que tenho agora, e quando elas se encontrarem, por ao menos uma única vez se contemplarão, e completarão.
...E se for da vontade de Deus, aí a gente se entende, você me desvirtua, e eu te desarranjo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Depois do Portão.

Há horas, dias, minutos e momentos que me sinto só. Só como a noite que envolve o mar, as estrêlas e o firmamento, só como a árvore no meio da estrada, ou como aquele que tanto se rasgou, e hoje é retalho, colcha fragmentada e frugal de sonhos, pensamentos e de comunhão geral - a união também se faz solitária, atualmente. Nossa (falsa) irmandade, e nossa benevolência (de redes sociais) também é causa mater da nossa gemência e ranger de dentes neste vale de lágrimas, e no que pudermos nos fortalecer para diminuir nossa dôr, por favor, façamos. Cuidemo-nos. Veramente.
Houveram dias em que a mesa era pequena, mas de tanta gente que se unia em volta, ela parecia pequena, hoje quanto me sento, a mesma citada mesa parece ser tão grande. Obrigado Deus, ao menos tenho uma mesa para me sentar e sentir dos prazeres de uma refeição - Obrigado Meu Deus pelo cão mais desordeiro do mundo, Obrigado Meu Deus pela dôce música. Há dias em que por mais que eu me sinta, e seja maior, não consigo ser o tempo tôdo, e nem mesmo quem se diz tão limpo não se mantém o tempo tôdo, e nem mesmo quem reza se mantém afastado do pecado, e nem mesmo quem se entende, consegue as vezes se entender. Lidar com esse mal secreto, é talvez travar uma luta invisível consigo e seus amigos, e uma gama de gentes que nunca entenderam a proposta do jôgo - como dito no post passado, se faz necessário nós nos ajudarmos, para depois ajudarmos o alheio, para depois o mundo.
Se, em cada pedaço de cada ser humano está a parcela do Divino - Deus Triúno - logo, em mim se encontra em Deus, e no leitor, e nos pais do leitor, e em tôdo o resto, logo, se cuidamos de quem padece, ou oramos para quem se encontra em maldade espiritual, nós estamos fazendo a manutenção de nossa fé, e ao mesmo tempo cuidando, e louvando o milagre maior de Deus: A vida! - e obviamente, cuidando de uma parcela do Divino Deus Triúno. Cuidar de quem padece, além de proteger a integridade da carne, e salvar um irmão da perdição, é cuidar de Deus, e proteger uma de suas inúmeras moradas.
O problema, é que algumas pessôas não conseguem, não têm a fôrça necessária de se degladiarem sozinhas, e por isso se prendem, ficam, mareijam. Dessas pessôas, devemos ter do mais bôm cuidado, e amôr, e principalmente discernimento, pois no mundo provamos da maldade, e muitas pessôas podem se esconder sob o véu da falsa impotência, ou da falsa clêmencia. Devemos ser humildes, mas não podemos ser de forma alguma ser escravos da tolice. Não devemos nunca abandonar ou esquecer de cada mão que tocamos, cabelo que afagamos, palavra que dizemos e sentimento - tampouco desistir dos que mais precisam. Não devemos criar a cobra que nos morde, mas, se necessário for alimentar serpentes, façamo-os cientes de sua natureza, e ciente do final. E mesmo que a bondade, a caridade, a fé e o amor, seja retribuir o bem com o mal, ainda sim, que nos seja dado a recompensa do bem-estar, com nós mesmos e ao ver nossos irmãos em bem, em paz. Em Paz e Bem - que não sejamos maiores que ninguém, nem na frente de homens, nem na frente do Cristo. Sejamos irmãos, reis, rainhas, professôres, profetas, escribas, pirañas e cada um de nós, um pelo outro, um com o outro. Que cada um aprenda a secar a lágrima alheia, a não continuar a torrente de más palavras, que não sujem um vaso limpo, tampouco olhem e disfarcem, olhem e ajudem, e se não puder ter da bôa ajuda, que ao menos tenha da bôa reza para que Deus encontre até uma forma de estar próximo de quem mais lhe precisa.
Seja um instrumento da bondade, de Deus: Para o cego, seja os olhos, para quem não tem luz, seja o óleo que falta na candeia, para quem chora, lenço, para quem geme, alívio, para quem quer sangrar, bisturi, para quem ama, seja o consorte, para quem entristece, a Verônica, para quem exalta, um menestrel, para quem desanima, pendão, para quem louva, adorador, e para quem é, seja mais.

sábado, 8 de abril de 2017

Bangladesh.

Precisamos - como uma unidade - fazer algo sobre Bangladesh. Não só como lá, mas como em Nicarágua, como em Bophal, no Níger e no Nepal, ou as daqui. Precisamos urgentemente - e se achar longe, comece com as daqui, então, já é um ótimo e promissor começo.
Em Cristo, Buda, ou Krishna, independente do ser, a lição é idêntica: Amar o outro como se ama, se despir das maldades desse mundo, e ser claro como a água sagrada que jorra da pia. Ah, ela não é? Numas partes do Camboja, ainda não existe essa regalia.
Quando olhamos a nossa volta, e vemos tudo o que temos, conseguimos, e usufruimos, fica difícil de imaginar que existam pessoas realmente na pior maré. Nossos irmãos, e eu quando me posso, ajudo os meus, posso, por muitas vezes não os ter ajudado do jeito certo (se há um jeito correto para isso), mas o que pude fazer, eu fiz, e nunca - Obrigado, Deus Triúno - precisei tacar na cara ou trazer a clara-luz, assim como quando me ajudaram, também me salvaram, de alguma forma, de alguma coisa. E em tempos da fome, quando tive dinheiro, dei. Emprestei. Na dôr, chorei o chôro e prometi do bôm ânimo. Para a mais linda, dei a Cecília, e pro mais amado, minha devoção cega. Na solidão, fui quem chamava, e batia no portão da casa, e na dúvida, não me fiz certeza, mas ajudei a cabeça agitada a se encontrar. E nada por mim, nunca por mim. Tijolo por tijolo, pedra por pedra. Deus acima de tudo.
A quem gosto, oferto meu melhor, a quem amo, componho meu melhor, a quem dou melhor melhor, de música não faço, pois a música - apesar de pura - é suja antes os pés D'Ele. Ai, Mãe Cecília, olha a gente aqui outra vez, na barra do sari, aguentando firme o tranco e as viradas do destino, a dor de dente e a incerteza do caminho certo. A dor do desatino que tina com o ter pra ver pra crer - eu ainda acredito e levanto o pendão de tudo que creio, e de tudo, nada mais restou, a não ser o que guardei com mais amôr, mais afinco e mais nostalgjia no meu ser. O sorriso da gratidão, é o penhor da minha salvação, e motivo de querer ser cada vez mais quem está lá na hora do bicho pegar, e não no fim-da-feira.
Devemos ajudar o povo de Bangladesh, as pessôas no nosso país, e a nós mesmos, porém, gradativamente - tendo calma para nos equilibarmos com nosso jarrobatão para poder trespassar lanceiros e dividir o peso do outro. Precisamos de mais ombros, precisamos de amôr, compreensão, e atualmente quem mais prega isso é quem menos tem, menos deseja, "menos é" - e meu coração geme e chora profundamente com isso. Vivemos uma era de falso desinteresse, de fingir não se importar e de niilismo, de um foda-se precipitado que sai da boca de pessôas que mais repelem que atrai. Solidão é um câncer. E fere. E deixa sequela. E pode voltar. E mata. Deixa as cartas chegarem, solta o cabelo, ou prende de trança, toma um café, um chá, um suco, se põe na janela e olha o Sol se pôr: O milagre diário do firmamento que Deus te deu e você até agora - muito provávelmente - não agradeceu. A questão, não é ter gente bôba ou submissa, a questão é ter o tal "mais amôr por favor" que vocês tanto se pregam, mas acabam pregando suas carnes no ocaso. E eu lhes amaldiçoo por isso. Ninguém é maior que ninguém. Se você ao menos entendeu metade do que disse, eu me alegro; Caso não, eu peço: Ajude a criançada de Bangladesh.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A separação, a pobreza, e a morte.

Fecho (os) meus olhos
Não para aguçar os sentidos
Mas para meditar
Sobre o que acontece comigo
Vi três fantasmas
Dos quais não soube distinguir:
A separação, a pobreza, e a morte.

Encontrei-me com os atuais
Falando do passado
Reagiram com descrença
A tudo que lhes disse
O que faria (então?)
Tudo se mantém fértil para:
A separação, a pobreza e a morte.

Ida a mulher
Ficou seu perfume na cama
Levanto para viver
Mas meu corpo não compreende
Apenas quer entender
Como ainda pode haver:
A separação, a pobreza, e a morte.

Daniel disse: Calma
Não fique tão confuso assim
São coisas passageiras
Apesar de muito recorrentes
Frutos de nossas mãos
Que pelejam com a bondade:
A separação, a pobreza, e a morte.

Sentei próximo (do) Morto
Não pude arfar coisa alguma
Senti apenas que
Ele tinha muita sorte
Por estar longe de das três cônjugues
Que tôdo ser humano têm:
A separação, a pobreza, e a morte.

Logo me deitei
Me pus a pensar na toada
Então chamada vida
Que nem o prazer da amada daria
Mesmo se ela estivesse em minha cama
E mesmo com Deus ainda penso em:
A separação, a pobreza, e a morte.

Abri as janelas
Esperando ver algum futuro
Nada forte aconteceu
Apenas o vento que me acariciou
Deixe o futuro em seu devido lugar
Tudo há de derrotar:
A separação, a pobreza, e a morte.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Jet.

Minhas mãos, doce mãe, estão sempre aprendendo - atualmente bem mais - a se entrelaçar, a se conhecer, a se rezar e se agradecer. Principalmente, agradecer. Mãos que não procuram mais outras mãos, mãe. Mãos que se lavam, que levam, que jogam o cão pro alto, mãos que tocam deliciosamente o Baden Powell no violão, mãos que apeiam no disco, e mãos que sempre se unem - no riso, na alegria, na fé, e na dor.
Mãe, eu não sou melhor que ninguém, e nem quero, nem necessito. Não me cabe, e não me aceito ser como muitos dos meus amigos, meus primos, meu pai, ou qualquer outro ponto de referência, com tôdos os meus (muitos) erros e (raros) acertos, eu sou meu, infelizmente não sou mais a criança tão bonita, tão sábia, tão compreensiva, tão sua. Infelizmente, eu cresci, vivi, e deixei o mundo me corromper, e provei da maldade, da vaidade, da luxúria e dos tortos caminhos. Neste tempo que caí em horas ruins, e na hora da solidão, Deus não me abandonou, assim como hoje percebo que nem você, e nem minha avó em hora alguma me deixaram.
Mãe, não sonho mais com a mulher-tão-linda, e nem mais penso num amanhã, porque não me assusto mais com o que ele pode me trazer. Sei que graças ao corpo-a-corpo que tive com a vida, e com o que aprendi com você, aprendi a ser forte, a ter comigo, e me guardar - e acredite, minha senhora, por mais que me mostre receptivo, poucos são meus, e eu poucamente fui para alguns. (Re)Aprendi a andar sozinho, e entender os tempos idos, a fase da espera, o milagre da vida: Nove meses, e nasce o milagre mais lindo de Deus, uma vida. Eu, neste momento, estou esperando a minha vida nova, mãe, uma vida que seja maior que tudo isso, que foge da nossa compreensão, da nossa minúscula imensidão.
Mãe, seu filho é incrível. Seu filho não usa maldades, seu filho está reaprendendo tôdos os dias a entender a vida, e pensa, e pensa, e pensa. seu filho está reaprendendo a confiar (mais ainda) em Deus, e está tôdos os dias lutando contra uma sombra que lhe acompanha, tôdos os dias ele ouve o sôm, ele tem amigos tão incríveis, a "minha gente" como ele mesmo diz, ele criou bom senso e tem do bôm conselho, pode parecer que não, mas ele te ouve. Ele ainda te ama, ele ainda aprecia algumas coisas suas, mas entra sempre em conflito com você porque ele é ele. Ele é vivo, minha senhora, safo, e lindo. Lindo pra caralho - tôdo mundo ama a barba dele. O cabelo dele quando o tempo revoa, fica mais lindo ainda, e ele se veste como um lorde inglês, como um suedehead bretão, e ele sempre ajuda quem está do lado dele como pode, do jeito que pode - ele é um dos últimos bons de coração, mulher, porque você o criou pra ser bondade, e não o avesso.
Mãe, seu filho tem defeitos como tôda pessôa tem, mas isso não o faz o pior de tôdos, muito pelo contrário, isso o faz normal, como qualquer outra pessôa no mundo, mais um que acorda cedo, e trabalha, ri, toma sua cerveja, dança, curte, e tenta se alinhar, por mais que não consiga, ele dá o seu melhor.
Ao longo da vida, seu filho descobriu os véus que lhe vendavam, e viu de tudo um pouco da vida, entendeu muita coisa, e ainda tenta entender outras, seu filho - doce mãe, é um dos maiores seres compreensivos na face dessa terra bôa e fértil, e ele te compreende, e espera isso de você. Ele apenas, e somente tenta retomar uma relação estremecida com sua mãe - listo, ele não precisa de gente que taque na cara coisas erradas, remoce o que já foi dito, desdito, redigito e ruminado. Ele não precisa de gente que imponha, ele só precisa de gente, respirar desse ar; O ar, que entra, invade e sai do pulmão não significa muita coisa, é apenas um sinal de vida da carne, e é essa mesma carne que quer continuar vivendo, sendo, tendo um porquê. Carne que se tem em espírito, mas espírito que se desprende da ser da carne para ser maior que tudo isso, para viver tudo mais que isso, ter bem mais que isso - a vida é um sopro.