quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Beira Mar

Tira de mim tudo o que eu tenho. Desce-me até a água e eu permaneço lá. Lá eu fico, lá eu sou. Deixa que nenhuma dor se'a tão única quanto a do medo de ver o mar de cima das rochas, e deixa finalmente os olhos descansarem de forma tão pacífica. Deixa. A casa, o florete, o jardim, as plantas estão todas lá. Deita.
Que a dor de quem chega agora não atinja, por mais que isso doa ambivalentemente a todas as dores iguais (rochas iguais tem o mesmo peso mesmo tendo idades diferentes, disse o geólogo), e deita o corpo já sem vida na ribeira; Hoje o Viajante viaja. Hoje não existe dor alguma, nem maldade, nem nada. Hoje é dia de libertação. Lembra das cousas boas, e da bondade verdadeira que foi esparramada e fincada nas pessoas, e o resto é consequência.
E em algum lugar do mundo alguém te ama como é, e em algum lugar do mundo alguém gosta de você a ponto de chorar por você, e em algum lugar do mundo, a vida continua sendo a mesma sem você, e em algum lugar do mundo, ninguém se importa se sangra ou dói, afinal "Nada Realmente Importa", e os heróis não existem mais, e há muito o Santo Guerreiro nos deixa o exemplo, e nós mantemos uma perseverança com a vela acesa, e como isso dói, e como isso machuca.
Como tudo na vida, passa - alguns conseguem ser maiores que a dor, outros perecem diante do que não os pode fortalecer, e ninguém realmente não se importa com porra nenhuma, todo mundo só olha pro próprio umbigo, e a vida é uma grande batalha, onde você briga pelo cheiro de Jasmin, mas nem sempre o cheiro vem, e os pés descalços, cansados e descascados teimam em seguir viagem para algum lugar, mas meu corpo está na água, e dela não vou voltar. Faz-me silêncio. Acontece.
Tocando nas feridas: Cecília, obrigado. Obrigado por ter sido meu sonho mais ambicioso, minha história mais bela, meu amor mais que platônico; Obrigado por um dia achar que seria capaz de ter na minha vida alguém tão incrível quão você, e desculpe recusar o último projeto que me motivava. Desculpe por todo o tempo perdido, remanejamento, falta de viabilidade e comum-senso. Neste momento estou passando pra depois. Nem hoje, nem nunca mais.

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