domingo, 19 de março de 2017

Remembering.

Se manter firme numa crença, não importa qual, é apenas uma das mais híbridas maneiras de ter e ser esperançoso; É uma espécie de retaguarda e âncora que nos mantém firmes e impedidos de ficar a deriva, não se perder num vago oceano.
Hão de vir dias de Sol como dias de torrente, e se houver tempos de solidão, a vida assim ainda seguirá, sem pedir licença e se moldando a cada barra-vento que se impuser. Não tem jeito, não. Seguimos, cada um de nós com um engôdo na garganta, e uma fraquejada vontade de tentar dizer tudo o que nos cabe, mas nada dizemos, a tudo ouvimos e sentimos, e continuamos a nos degladiar e nos machucar nêste vale de lágrimas; Quando turva a noite e o dia nasce, somos novamente forçados a tomar pílulas de esperança, e um tônico de fé, lavar a cara na água benta do chuveiro e cair no mundo. E se houver tempos, serão tempos difíceis. Mas passam, como tudo passa. Como tudo há de eiar. Como tudo tem de ser.
Abandonar tôda uma vida requer um esfôrço, daqueles bem herculéos, que chegam a doer o corpo; Mas, crendo ainda na imutável fé, tudo cresce, renova, tudo passa. E quando passar, nada disso importará, nada mesmo; Talvez fique o resquício do passado, mas, ainda sim, quando tudo for passado, suprimido, ruminado e engolido, tôda situação passa, e segue adiante.
Nos muros de pó-de-ostra, exercito o mais difícil dos meus segredos, e deixo as ondas me acertarem, e aceitar o rumo das coisas, por mais nebuloso que tudo esteja, quando me meti na clausura aonde o Cristo me fitou, ali aprendi mais sobre tudo, menos sobre o que mais precisava nêste justo-momento. Pouco dormi, pouco soube, muito senti, muito refleti, a chuva de madrugada molhou cada palavra, imagem, textura e sôm. E mesmo ainda com medo do que o futuro reserva, estou pronto, e do medo, tomo alegria; Medo e dúvida elevam a fé.

Nenhum comentário: