sexta-feira, 10 de março de 2017

Hear Me Lord.

Ouve-me, Senhor. Ouve a mim e a tôdos do degredo, ouve cada alma que se eia e sobrepuja para novamente cair, e quando se bate sobre essa terra cã e bruta, se mescla a lama, e nela somos, e ficamos. Estamos. Senhor, todos nós do degredo nos reconhecemos e nos sabemos de nós mesmos e dos nossos; Não nos faz necessário tantas chagas, e tanta dôr, mas assim seguimos de forma mística e perseverante pela Sua Graça, pelo Seu mistério velado.
Ouve-me Senhor, e perdoa tantas vezes que duvidei, briguei, insisti, reneguei, me dei o benefício da dúvida e chorei, pois muitas vezes - como agora - sei que aqui neste espaço físico estou só, mas, mais adiante estaremos mais próximos, e talvez, chegando lá Você possa me perdoar da minha juvenília, e eu consiga entender mais sobre Você.
Perdoe-me Senhor, por todas as vezes que achei que a estrada tinha algum rumo ou motivo, e que mesmo sabendo do erro, insisti. E errei. E paguei o preço. A água do lado direito me levou e a do lado esquerdo me afoga; E o cheiro de jasmin diminui em meu senso, a turvação começa - não há mais dôr alguma, cordeiro não é santo, Cordeiro é. Estou me tornando o que não quero, mas o que eu preciso, e estou (ainda) sentindo em mim tôdos os sentidos de tôdos os caminhos, deixando para mim apenas o mesmo velho plano de sempre, mas, agora ao menos me sinto pronto: A última já se foi, a porta se fecha, o trem passa, e novamente sou réu, juiz, magistro e bedéu. Eu sou meu, mas adiante não me pertencerei, e aquilo que chamo meu deixo repartido aos meus - e quem me teve pode me ter, mas não me terá por completo.
Muros brancos seculares de pó de ostra: Estou pronto. Vou até vocês com a plena certeza que não é o que eu quero, mas o que eu preciso. E com isso fecho a porta de minha estrada, e ponho pedras nela, e sepulto e arremeto o sepulcro ao chão, pois a cada segundo que eu me lembrar, eu não esqueço. E quanto mais eu esquecer das nuvens do Céu, melhor estará. Mas não se esquece o inevitável.
Ouve-me Senhor, não tirando minha cruz de minhas costas, mas apenas me mostrando aonde está minha Gólgota, e aonde fô-la, irei. Não tenho mais medo, arrependimento, tristeza, nada. Não tenho nada além de minha alma, e além dela, a vontade de deixar ela descansar num bôm lugar de gente viva, bona e sincera - quero estar aonde o Senhor possa estar, aonde não possa haver dôr ou maledicência, tampouco ruindade ou miséria, quero apenas estar aonde eu realmente precise e mereça estar; Já me cansei de ser desnecessário e ser totalmente ignóbil para quem me rodeia. Eu não acrescento, nem somo. Apenas subtraio.
Ouve-me Senhor, e guarda nos teus rebentos os meus, e os põe num lugar bom, assim como pôs os jazidos, que amo e devoto; Os guarde bem, e em paz. Nina o sôno de quem eu amei primeiro, e guarda meu coração num pote de maionese dijunto daquele baú que está há muito afundado naquele velho mar férreo, e não deixem que vejam ou me sintam, deixe que tudo passe como deve ser, pôe Sua tutela sobre tudo isso, sobre tôdos nós; E que quando o sorriso bater no vestido dela, reflita a clareana da alma dela, e sorrindo ela corte os Céus com sua intensidade.
Ouve-me, Senhor.

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