Zé Rodrix was right.
Ultimamente não quero muito da vida - e é tão gostoso não ser do tipo absolutista em querer a dita glória do mundo. A casinha no interior com uma hortinha me cai bem melhor do que o apartamento na Santa Cecília. Rejeitar o sonho moderno é de fato tão gostoso e libertador…
Outrora, via meus amigos a embarcar em viagens pela europa, ásia, e tantos outros lugares intangíveis, e com eles o sonho (e prestações) de uma vida se concetrizava. Mas, e cá eu? Eu, bem… penso que ando numa contra-mão do mundo em não querer um Honda City.
Nunca quis ir para fora do país, e se o fôsse, como conversei tantas ôutras vezes com tantos amigos, era rechaçado em primeiro momento ao dizer meus (possíveis) destinos; ou até mesmo sonhos, lugares de minha realização pessoal e de sorte na vida. Por muitas vezes, por mais que ame, e ame muito o Centro da cidade e suas arquiteturas, não me encontro ali.
Mas, aonde me encontrei? Aonde eu me pertenço?
Creio que sempre me encontrei quando ia aos parêntes do interior; e ali, dêntre as matas, na terra batida ou caicada, e no cheio de sujeira do chiqueiro, no tabaco forte no fornilho de Tio Fungo e as bananêiras carregadas de frutos, ali definitivamente me sentia alguém ou algo mais completo e realizado do que como quem fôi até os EU da A.
O sonho, a sociedade, o consumo, tudo isso sempre me pareceu mui forçado e totalmente passível de ser contrariado civilizadamente. Nunca me importei em ter o carro do ano, ou o corte de cabelo aceitável, e tampouco os sonhos homogenizados. Me contento com o que habita no rés, bem ali no sopé do chão: justamente ali, aonde grã maioria dos meus rejeitam, é ali que reside meu sonho, esperança, e fiança de vida. A casa no interior, as galiñas, os ovos frêscos, as quatro cabêça de pôrco, e uma foguêira pra tocar viola e se esquentar com meu amôr. Uma biblioteca na sala, e uma banheira pra tomar banho deitado. Um alpendre, com a rêde posta, uma banca e mesa, com talvez frutas; fogão de lenha, e uma parte para guardar as ferramentas, as peças, os trecos e parafusos acumulados de uma vida… sim, de fato é este o meu sonho.
Não digo isso como superior, tampouco como quem diz uma oração doutrinatária; não compete a mim dizer nada sôbre os sonhos e virtudes de ninguém. Não tenho muito a dizer – e nem sei se quero dizer algo, a ser franco… apenas compreendo que quando o Sol se esconde entre as encostas das serras, algo em meu coração pulsa desesperado, exacerbado e violento, como se minh’alma se transfigurasse ao lugar, e ali eu fôsse blindado de toda cousa que se há na vida, existindo no momento de contemplação, atingindo assim uma imortalidade tangível do instante, e esquecendo de causa, razão, motivo ou circustâncea.

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