quarta-feira, 27 de abril de 2022

Mystify.

 Hoje faz um ano que conheci a mulher de minha vida. E logo hoje, estou apartado dela. 

Há exatamente um ano eu estava entrando naquele saguão de hotel após o abraço apertado dela que me desconcertou, e sentando numa mesa do lado de fora de um restaurante. Sentamos, rimos, nos divertimos e conversamos e trocamos presentes - após um tempo conversando pela internet, rolou essa oportunidade que nos agarramos firmemente. Ela estava linda, de vestido preto, salto, unhas vermelhas e um sorriso que me induziu a introspecção.

"I'll have you just the way you are; I'll take you just the way you are". 

Conversamos da vida, do mundo, da igreja, da ordem, das músicas, e sentamos cada vez mais perto. Em meu fone tocava "Lágrimas Secas" de Jorge Mautner (e se você estivesse de fone seria Mystify, não é?). E quando dei por mim, minha mão estava na dela e minha boca selada num beijo com a dela. 

"Lágrimas negras caem, saem, doem".

E que beijo, Meu Deus! FOI ALI!

Parafraseando Charly García: "Sera que senti la luz de tu amor?"

E ali mesmo, a pedi em namoro. E ela prontamente aceitou. Dei minha jaqueta nas suas costas, enquanto acendia um cigarro, e eu vesti meu colete "pullover". E ela trocou o salto por uma sandália. Isso foi numa quarta feira. 

"Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho".

Nos vimos no outro dia, a noite, andando pelo centro velho, bebendo vinho barato e achando as afinidades do passado no vão do MASP, e na sexta nem trabalhei, consagrei meu dia a perfeição mineira. A levei nos meus lugares, dei a conhecer os meus, e cuidei de ti como se fosse a maior e melhor coisa do mundo - como ainda é para mim. 

"And with her arms around me tight, i see her all in my mind; And she'll always be there, my love don't care about time".

Ela voltou para Minas próximo ao dia 1° de Maio. E eu, preso ainda em grilhões da minha mente traiçoeira, tentei de várias formas lutar para que mantesse o efeito da anestesia que ela deixou em mim após seu arrebatamento em minha existência; pela internet conversávamos, ríamos, dividíamos música, sonhavamos e falavamos de amor, de vida, de tempo, de Deus e seus Santos, e danava-me a escrever versos, canções, palavras e teses pela amada. E ela, a mineira musa de minhas canções e pensamentos, deixou-se fazer sacrário e me guardou em seu peito e fez segredo, e até hoje, só de ver sua foto, ouvir sua voz, ler sua mensagem ou sentir sua presença, meu coração exulta e se turva da mesma forma quando tive meu primeiro êxtase místico, ou quando subi num palco para tocar. 

"You're in my mind all the time, i know that's not enough; If tge sky can crack, there must be some way back; For love and only love".

(E agora começou a tocar INXS enquanto tomo café num bar perto de casa. Mas não era Mystify. Era Beautiful Girl).

Pouco tempo depois, fui pra MG na sua casa, e ficamos um fim de semana; eu sempre tive medo de avião, mas fui com a cara e coragem e mesmo desmaiando no vôo de ida e de volta, fiquei em êxtase em estar naquela presença, naqueles braços, naquele momento sunlime como a Transfiguração no Tabor, mercado, cerveja, discos, risos, igrejas, e você. Lembro de você, ao me levar até ao aeroporto, colocar I Lost My Head para irmos ouvindo, e eu querendo cada vez mais que aquele caminho até Confins demorasse. Antes de desmaiar no vôo de volta, recebi meu primeiro "eu te amo" de você.

"Vem me dizer se a cadeira vai morrer, de tédio, sozinha, sem você".

E pouco tempo depois nós vibramos com seu emprego em São Paulo, lembra? Foi um difícil começo. Aquele abraço na rodoviária foi um dos abraços mais gostosos que recebi em minha vida. Aquela hospedaria, o primeiro mês se dividindo em duas nos serviços, a preocupação, mas tinhamos um ao outro. Morar e trabalhar perto do cartão postal de São Paulo; a famigerada Paulista. Perto da casa franciscana; 

"Não vamos nos transformar no casal clichê do clichê". 

E logo após um tempo rápido, fôste pra Santa Cruz, e vieste talvez o nosso "Bom Tempo" (de vera, cada tempo contigo é bom): bebiamos, ríamos, conversavamos e acordavamos ao som das maritacas, e sentíamos alegria em no domingo a noite ir na Casa Franciscana da Borges Lagoa,  procurávamos paiêiros, unhas em gel, Game of Thrones naqueles sites clandestinos, e teve aquele snooker horrível que comemos a pior porção de carne de SP. 

"Vida y sangre, suave sons".

Fomos pra MG, voltamos, descemos a serra e te dei a honra de comecer um de meus heróis (meu avô - "Que bandeira que você deu, que bandeira, não me entendeu..."), e você conheceu a Cookinha, e por muitas vezes quão perdido, por mais que não parecesse, lhe ouvi, e ouvi muito, e ouvi bastante, tanto que eu procurei ajuda, fui em médicos, reconheci meu vício e aflição, desenterrei do meu homem velho aquilo que mais me afligia e me dava medo, vergonha e raiva - e fiz por mim, para ser homem bom a você, e comecei a construir isso, você mesma bem viu e por algumas vezes te pedi paciência nesse processo, a qual algumas vezes deste com a maior zeladoria.

"I'd called you a bargain, the best i've ever had".

E de ti, sei que aprendeu a ter paciência, a gostar de SP, de ter zêlo, e de gastar seu tempo comigo. Pouco tempo depois, rolou a chance de ir pra um lugar melhor, e você teve seu atual lugar de morar, que tem a vista mais linda da cidade velha, lembro de ajudar na mudança, de te dar força, arrumar as coisas, cuidar, e te ajudar junto com sua mãe, e tentar a todo custo te fazer feliz, e pouco tempo depois, sentíamos saudade do barulho das maritacas. E lá, atualmente, mora a coisa mais importante para mim agora, parafraseando William Blake "Ali dorme uma, a minha, rainha."

"E tudo o que você quiser, tudo o que você pensar, será; Tudo foi feito pelo Sol".

Sempre tive o gênio difícil, e sempre fui apegado a histórias e momentos temporãos, mas, sei de mim, de meu coração. Sei que você nunca achará alguém tão zeloso por você, que te ame, se sacrifique, dê o que tem, e te guarde como eu, e mesmo que danasse a procurar agora, não acharia outro barbudo que te levasse na missa, fizesse um desayuno, te levasse nos points gastronomicos, te defendesse de assalto, fizesse massagem no seu pé quando chegasse cansada, ou que sempre procurar algo para demonstrar seu amor - seja por rosas, canções, sorrisos, beijos, ou "você quer algo da rua?".

"Você não vai encontrar outro poeta louco, que junte seus versos com rimas de amor, compondo com carinho um samba de ninar pra te fazer dormir".

Me deste um aniversário. O único aniversário que tive na vida, aonde reuni os meus amigos, e te vi linda e perfeita, aonde você me cuidou, esteve comigo, e depois ficamos até tarde vendo filme. Aquele dia foi um dos mais felizes da minha vida.

"Although we're apart; You're a part of my heart; But tonight, you belong to me".

E eu, nunca encontraria mesmo se danasse alguém a procurar agora uma mulher tão bela, tão amiga, de bom gosto musical, ótima cozinheira, que tem o melhor chameguito e que com um só sorriso me livraria de todo esse desterro que estou passando. 

Perdemos nós dois, pelo nosso gênio, nossas dificuldades, nossas falhas, e por sermos tão incríveis. Na mesma medida e proporção. Mas, o que se perde pode ser encontrado. E mesmo que não queira ser encontrado, uma hora se é visto; e eu gostaria de encontrar o que perdi e nunca mais perder. E você? 

"Na simples e suave coisa, suave coisa nenhuma".

Ah, diz-me o profeta que ainda é tempo e ainda é momento, e que se deve demonstrar o gostar a cada segundo. E eu, pelo café na sexta da paixão e pelo post que me mandaste segunda, me mantenho ainda fiel ao saber que teu amor é meu, e vice-versa. Ainda te dedico os escritos, a sabedoria, as boas vendas, os êxitos, graças e glórias. Te desejo a boa vida, o excelso, e todas as sortes e bençãos de Deus, por intermédio do Bom Santo Antônio.

"Since I've been loving you, i'm about to loose my worried mind".

Te desejo Daniela, feliz um ano. Mesmo que não seja um ano. Te desejo meus abraços, beijos e massagens no pé que chegam até você pelo vento, e te desejo meu amor, que ainda é todo teu. E se entenderdes o que escrevo e escrevi até aqui, estiver com a cabeça fria, e sentir tudo o que sinto, e ainda houver um gostar por mim em você, por favor, desça e vem ter comigo, pois se manter estático perante a vida nem sempre é boa coisa, ceder, ser humilde, entender e ver a situação como um todo também é preciso, e sei que dentro de seu coração também tenho um bom e belo espaço. 

"You mystify, mystify me".

Sei da pressão da tua vida, de teu emprego, da luta constante, e sei também que você é difícil de lidar como eu também sou as vezes, mas nós temos uma opção: Ou finalmente nos damos a chance de trabalharmos, dialogarmos, e sermos a "alma gêmea" um do outro (e você sabe do que estou falando porque já entende minha linguagem), ou você deixa esse amor passar, e vai se frustrar cada vez mais, se entristecer e se quebrar, achando que munca teve amor ou gostar, sendo que de todos, quem te ama, quer, luta e daria todos os dons para te ver em paz tem um nome: Marcus Vinicius. 

"Não se admire se um dia, um beija-flôr invadir; A janela da tua casa, te der um beijo e partir; Foi eu que mandei o beijo, pra matar o meu desejo; Faz tempo que eu não lhe vejo, ai que saudade d'ôce". 

Feliz um ano, Neña. 

(ainda) amo você.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu irmão, lendo esse texto eu chego a sentir toda a paixão, todo o amor, toda a devoção, toda a humanidade e toda honestidade que você colocou em cada palavra, assim como toda dor e angústia que te aflige por estar separado da sua amada. Eu rezo e peço a Deus para que as coisas se acertem pra vocês, e que você jamais deixe de escrever dessa forma tão honesta, e linda e apaixonada. Mas que seus próximos textos também tragam a paz e alegria de estar ao lado da sua musa. Que Deus os abençoe. Obrigado por compartilhar esse maravilhoso texto.