sábado, 30 de abril de 2022

Rua dos Ingleses.

 Hoje eu acordei com uma joaninha na minha casa. E me lembrei de tua perna.

E vi o Céu cinza, do jeito que amo, gosto, quero e desejo.
E esse frio, extenso, garoando e cinza, me abraçou e exultou meu dia em torná-lo bom, e choveu fino; teve um incêndio no Glicério, a Boa Morte continua quentinha nos dias de frio e voltei a estudar latim e grego. E eu me senti vivo novamente pegando aqueles livros antigos do monge e podendo-os ler e tendo a justa correção das palavras e escritos - novamente, me tornei o letrista que almejava ser, ao poder usar as letras em ordem.
E as pus?
Pus apenas em ordem; mas por algumas vezes não pude lê-las. Mas isso não significou que elas não estivessem ali, em minha frente. Não significou nada, de vera. Eram apenas letras que aprendi a ler, re-ler, entender, e vê-las de nova perspectiva; e quando pus-me a lê-las com novos olhos, pude ler melhor, bem e mais. Ah! E o óculos me ajudou, de fato.
Ando-me sentindo novo para aprender, e finalmente aquele fôgo que ardia em meu peito acendeu novamente, tangeram-me os lábios em brasa viva, e eu pude então ver que saíram de mim os grilhões e os dardos não mais perniciavam minhas carnes. E de meus olhos, jorravam brilhos, e eu sereno, olhei e sorri.
E escrevendo, olhei o mundo, e vi três passarinhos voando na garôa, denotei um sorriso bobo em minha barba, e soube: era Deus.

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