POR FAVOR, não ponha carga maior em meus ombros. Tampouco olhe em meus olhos com piedade ou vã misericórdia - se não te pode deitar-me em teus braços, ouvir o que digo, ou tampouco prezar pelo pouco que tenho, não me sobrecarregue.
Se julga algo, ilustre, pela tua libra deve dar o peso justo ao que é certo. Se você infringe o peso ou exonera o erro, então você erra. Se você erra, então vai e repara o erro - é assim que eles ensinaram no meu entorno, reparar erros e constituir novo momento.
Ao menos entenda, e se não puder entender tente. E se não puder tentar se dedique, e se a dedicação não for suficiente, esforça e seja exímio, como fui.De fato, eu, criança solta e doida pelo mundo não reconheço o que me cega, mas deixo minha reminiscência em cada pedaço que passo gravando meu existir no mundo. A cada lugar que passo deixo minha essência, riso, deboche e palavra; e aqueles que passaram após a mim deixaram enunciado que me viram, me sentiram e me viram em locais aonde me eternizei. E quando eu for embora, sei que deixarei cada local meu com minha marca impressa, e por mais que a boca não assuma, serei o tormento do pensamento, a lágrima solitária, e o nome preso na garganta. Serei o mais belo pendão hasteado em algum tendal.
Mas, sinto cada dia que passa que não deveria estar aqui. Que talvez eu deveria deixar de existir. Devesse eu, de fato, deixar essa caravana.
Quando eu me chamar saudade, deixarei pontos mais fechados do que abertos, pois não guardei para ontem. E quando os sinos tocarem, os pássaros aparecerem, o Sol nascer, e quando o vento derrubar, será a recordação: não será teste, nem coincidência, e nem a vida. Será aquilo que espreita, e finge não se dar conta, quando eu me chamar saudade, levarei na mão um terço, e muitos calos dos pesos e barras.
No fim, pelo visto não importa o quanto você é bom, mas o quanto você aguenta as tretas e ainda dizer que está tudo bem - mesmo não estando.
No fim, não importa o quão fazes de boas ações, ou aquilo que tem velado teu coração; vale o que te julgam e te cabem necessário.
No fim, não importa o que você pede ou considera: você é condicionado a aceitar o que subjugam, e dizer amén.
E assim, passar para depois parece tão fácil, de comum fazer e explicar.
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