Quando vêm essa noite tão densa,
que me trás vozes e falsos-peixes,minha carne vibra e meu olho incelensa.
Sinto-me triste, fustigado, cansado e desiludido,
e dá-me o prazer de não-ser e não-existir,
para ter (e dar a) paz (a todos a quem feri).
Quando olho a janela me suspiro pelas maravilhas da Destra criadora,
mas me sinto usurpando o local de outra alma,
vivendo algo que não é meu,
atrapalhando algo na vida de cada um que me circundeia.
E o gôsto férreo da morte me parece mais belo e valioso,
pelo simples fato de só saber ferir/magoar/machucar/tanger,
E sentir (saber?) que não se é suficiente/digno/justo/bôm.
E minha alma se cala enquão as carnes tremem.
Sinto que meu desserviço aos meus e a mim mesmo só aumenta.
Tento me aprazer mas esta densidão teima em me arrodear.
E por ter escolhido a água e o viño me apego mesmo que haja absência.
E me sentindo só, inútil, triste, e incompetente, sigo.
Talvez,
quando você estiver lendo esse trovejo,
eu estarei não querendo viver mais.
E te peço desculpa, de coração, peito aberto.
Não me sou assim porquê quero.
Talvez a vida - as chagas ou as pessoas - me imputaram a isso.
Me perdoe por favor por estragar o cenário.
Sou da lira e da pena,
por isso denuncio tudo o que sinto em lêtras;
mas,
se puderdes e quiserdes fazer algo por minha pessoa
(cousa da qual duvido muito)
vos rogo que me abrace forte, incandeiamente.
Diz-me das cousas bôas que obrei,
dos sorrisos que arranquei,
do amôr que cativei,
da lágrima que estanquei
(se é que o fiz algo assim)
e segura-me firme e não me deixe morrer de minhas mãos.
Olha meus olhos e vêde minh'alma suspirante,
que entre o sufrágio e o mítigo, fel e têz nêgra,
mantém-se sem saber porque se mantém.
E se tiverdes essa paciência e virtude por minha pessôa,
vos rogo que,
por mais um momento,
me manterei,
aqui.
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