segunda-feira, 24 de abril de 2017

Interstate Love Song.

Tenho um sentimento híbrido por tôdas essas pessôas que vejo - a tal ávida multidão, que há tanto e muito discorro sôbre. Tenho visto pessôas disconexas, que não se conhecem ou que se põem em maior valôr, tenho visto falsos humildes e orgulhosos reclusos em seu castelo, vejo gente que diz abraçar a pobreza mas louva as suas últimas viagens internacionais, vejo a busca pelo amôr, mas, quando o amôr é chegado na porta do alheio, não é atendido, mas, quando o vão sentimento apenas aborda na porta, ele logo entra. Vejo pilhas de contradições, criando certezas supérfulas, e meu coração dóe por isso, e minha voz - já muda, emudece mais, apenas para não professar, mas, para sentir. Sinto o medo, a desigualdade, a maldade e o vil, sinto o cheiro do dinário que lhes são sangue, alma, carne e comida.
Não me importa sua viagem a Machu Pichu, ou ao Taj Mahal, tampouco ver London's Eye, ou se a Praia da Joaquina te amorenou, vêde, eu não ligo; Cabe a mim apenas sua alma, sua carne, sua essência, sua vida, minha vida, nossas vidas. Olho para vocês, e me entristeço, pois não entendo qual é a humildade que vos pregam e sufragam em seus ditos por redes sociais, sendo que vós mesmos postam fotos de seus idos, carimbos de passaportes, carros novos, praias e taças de cristal, e de roupas e danceterias tão longe e tão ostentantes, e esse feminismo tã hiperssexualizado, e esse cristianismo tão exibicionista, e essa ostentação que no fim das contas não adianta e nem interessa nada, e esse amôr desenfreado que procuram mas não deixam êle vir? Quem são vocês, realmente? Cada um sabe de si, mas a humildade que vocês há tanto pregam e tanto querem, eu não conheço, e se faz tanto diferente da minha. E isso me fere mais.
Vocês se guardem, e se amem no amôr dos homens, e peçam a Deus que amem vosso amôr - de vocês não me adianto em bom dias, e em bôns conselhos, vocês a tudo tem, mas a minha lama, minhas mãos sujas e meu viver de Itaquera e República nunca terão, e a precisão do mirar do meu olho nunca comprarão, igual aos meus dizeres, orações e advérbios - eu não serei um de vós, mas, se vocês quiserem, eu só posso adiantar o que sei. Coisa que momento algum dirá, dito que ecoa nas cabeças vazias e abre a semente: A vida é bem mais, no menos que isso - que alegria tem seu peito? Vocês não me compram, porque no seu dinário, o suor não é glorificado, vocês não zelam pelo bem, apenas se gananciam e são cães qu se degladiam pelo bife dado. A vós, minhas orações, a vós, meu respeito, a vós minha distância.

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