segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Long Away.

É tudo relativo - disse meu pai, fitando meus olhos.
E, até hoje creio nisso. Creio na dualidade, na divindade e na situação das coisas. Creio em tudo como um amontoado gamado de coisas, assim como um dia eu crivei a cruz gamada e soltei panos sobre os Céus, e um dia acreditei na bondade que s'era o mal acobertado em lãs e prumas. Pai, estou com saudades, e cada dia que passa dá uma vontade de subir até as nuvens puras para te ver, te sentir, te tocar, te ouvir em sermões, em conselhos, e sentir o cheiro do cigarro paraguaio barato esmaecido em tua roupa, ouvir mil histórias, casos e contos (reais ou não) e deles fazer meu caminho, minha história, minha justiça.
Talvez, meu velho, eu esteja de novo me sentindo naqueles dias idos aonde eu precisava apenas tocar um violão e tomar uma cerveja com você. Rir demasiadamente de tudo, e apenas peneirar o que nos satisfaça, o que nos faça bem. Colocar todos os planos numa mala e sair por aí, rodar o mundo, correr um risco, bater e ser abatido, ser um errante no meio de tantos que se perdem numa manada de pensamentos comuns e tradicionais em um lugar-temente. Pai, talvez e esteja enlouquecendo de uma forma que nem eu sei como levar adiante, e talvez só você soubesse me dar essa resposta. Talvez a resposta seja o seu ato. O ato final da peça, aonde o Pierrot tão pisado, tão aleijado e alojado como tolo, é aplaudido, reconhecido e forjado como herói aos olhos dos homens ordinários.
Dói, muito. Dor lancinante de lanceiro que não se tem em ais e fim.
As pessoas são bem assim: Pisam nas pessoas até que elas morrem. Depois vira Santo, Mártir, ou Herói de causa infundada. Cousa fea que atinge os dias de forma arrebatadora e transformadora. O monstro que atinge a casa não atinge o quarto aonde a criança dorme, e aonde a criança repousa, há um anjo de guarda, e neste local só pisa quem lhe tem amor e o coração bom, minha casa é morada de bons nomes e pessoas que entram e saem, e no meu tempo, no meu templo edifica-se o que não tem nome, mas, se sente, doce som do trovão seco que brota do chão e ascende aos Céus, doce amor que não tem definição, e mais de mil nomes. Criança, dorme: Ele está aqui.
Pai, as vezes me sinto só. E suas músicas ecoam em meus ouvidos, mente, e alma. Ainda penso em você todos os dias, e sei que vou te ver algum dia, alguma hora, em algum lugar, e todas as minhas aflições e medos, desde os meus tempos de criança, irão embora neste dia, quiçá um dos (senão o) dia mais incrível de minha vida. Fico em paz por ter você me dado fé, esperança, amor, música, canalhagem, Corinthians e tantas coisas erradas, que balanceio com a bondade que minha mãe me deu; Enfim, sinto sua falta da sua falta embargada, dos dias cinzas na praia, dos solos de violão, da cerveja e pinga com carqueija, da ponte, e de tudo aquilo que hoje se encontra abrupto. Fico sem ter, nem ver, tampouco crer. Inano.
Meu velho, queria poder te dizer algumas coisas, tirar algumas dúvidas, ter conselhos, só isso. Quando você puder, ou quiser, apareça, será uma honra, um prazer inenarrável te ter novamente ao meu lado, como sempre foi, quando quiser, venha ter comigo, eu tenho todo e qualquer tempo do mundo pra ti, meu velho.. Me desculpe pelos erros da juventude, mas, eu precisei, assim como você talvez um dia tivesse precisado, mas, eu aprendi. Juro.

De onde estiver, força pra você, e peço força pra mim. Firmei o ponto, ponto final.

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