Nos diz o Apóstolo São Paulo na parte que ninguém lembra da Primeira Carta aos Coríntios, Capítulo XIII: Quando era menino, falava como menino, pensava como menino, e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei as cousas de menino para trás. Amadurecer, no ponto em que proponho, é saber perder, e saber ganhar. Olhar para trás, e saber que acabou e tudo é uma memória a ser tratada como lhe aprovém.
Nêste ano, eu me prometi aumentar as amizades, e reforçar alguns laços que se tangiam em pouco ou nada. No último ano, senti-me imensamente vazio e sozinho, d'onde muitas vezes corri os dedos entre fôlhas de livros, ou solfejando qualquer acorde aberto no bandolim. Quando eu, introspectivo por natureza, percebo que me restam poucos amigos - e posso sobrecarregá-los com meus devaneios e imensa lista de derrotas - e que as memórias não tratadas se tornam meus demônios noturnos, me apercebo que a meta da qual me prometi faz bastante justiça e me trata com afã, pois assim, posso enfim sair da concha pra ver a vida.Mas a nível de justiça: apenas quero as amizades que agregam e fazem-nos sentir importantes, pessoas úteis ou necessárias - das que nos ensinam e deixam-nos ensinar um pouco do que há em nossa babagem. Nada daquele papo loucura, chiclete e sôm do Roberto Carlos de um milhão de amigos. Deus me defenda.
Sou, por natureza, tímido, acanhado, restrito, débil, e pensante; digo-lhe pois: tudo o que fiz por mim, foi totalmente só, sem mãe ou pai que apoiasse, mulher que torcesse e abracasse, amigos que festejassem, ou reconhecimento - e não digo isso para que soe como quem necessitasse de algo assim, mas quando olho para esses mesmos demônios noturnos e vejo o quanto me doei e estive lá pelos outros, não deixo de refletir. Certa feita, quando comecei a aprender outros idiomas, uma dama me perguntou qual seria o motivo. Apenas para aprender, eu disse. Dias depois terminamos pois ela achava que eu queria rodar o mundo num mochilão, mesmo sabendo que tenho medo de altura e sempre desmaio quando ando de avião.
Talvez, sair da concha, bater o pé e fazer um pouco dos meus gostos não seja de todo ruim. Talvez seja uma remissão de tanto tempo a fazer pelos outros, ou a crise da meia idade, ou até mesmo mêdo da morte, sei lá... apenas sinto que não tenho mais tanto tempo para tudo que quero, então desejo o mínimo que ainda cabe e resta.
Ah! E se você que me leu até aqui essa pequena garrafa boiante no oceano do subistéqui, entende, pensa ou acha prudente; me mande uma mensagem - sair da concha é fácil, mas ajuda com incentivos.
Um comentário:
Ótima escrita, é exatamente isso que todos nós procuramos e queremos de verdade.
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