Sinto que vens de algum lugar. Percebo que tomas a sua forma antiga - porém cada vez mais atual - e não tarde a vir; logo, espero você e me lembro de tudo o que aconteceu antes de você chegar. Lembro-me sistematicamente do versículo que dizia: Eis que vem, cavalgando como um general em batalha... e não sei até hoje precisar de onde vens ou como vens, mas sinto. Teus sons, formas e côres não me enganam, e eu sei que eles, enfim, me seduzem de certa forma e me inteiram para ser completo, logo quando me encontro num total estado de destruição, destituição, ou desilusão.
És forte, e mais forte és do que todas as outras.
Se vens então, venha logo. E inunda lá tu a casa, toma a carreira como que de um cometa e invade a cozinha, passa pela área de serviço, a bica, bacia, banheira, e deságua violentamente. Como uma água corrente, vadia, que desaba dos montes apenas para poder ser em êxtase e maestria, fazer ser aquilo que ninguém mais faz, ou é. Aquilo que se cabe.
Tenho pressa de abraços, de cafunés, e do licor contido no braço. Tenho uma ligeira e corriqueira vontade de ver e viver a vida, entendendo e saboreando os bons gostos que me permeiam e me fazem (ainda) bendizer aquilo que me cabe. O vento frio que bate no rosto e bagunça o cabelo e arma a barba, e que ainda trás dentro do seu bojo um refresco de vida aos pulmões outrora rasgados, mas voltimeia tão vivos, tão safos, tão ansiosos pelo porvir...
E não esquece de mim como esquece o tempo de seus percalços, tampouco das coisas que ficam pra depois, e num bolsão de espaço se guardam. Tenta - ao máximo, vão e vil contexto daquilo que cabe lá na mente humana - lembrar de mim com uma singeleza, o beijo no rosto que se dá antes de sair pra vida, cair no mundo, e ver o Céu mudar de côr. Recorda-se assim, de mim como cousa alguma que se esforça, se estreita, comprime e benfaz, mas ainda sim não se comprime a ponto de se deitar em uma resma digital de escrever.
Se me caibo numa linha, me acabo em um texto, e tampouco morro num catraco, mas renasço num cansaço que nunca morre.
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segunda-feira, 12 de agosto de 2024
Ой, мороз, мороз.
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