Mais um pesadelo, mais uma cama encharcada de suor, mais um dia. menos um dia. Mais um cansaço e mais um amargor para o coração já pesado.
E eram mãos que não se tocam mesmo em contato, beijos que se trespassam violentamente mais aprazerados do que afetivos, e sentidos que sentem outras coisas em vez daquilo que ousa sentir - ao canto, um corpo jazia, com sangue escorrendo do lençol. Esvanece e transfigura diante de mim aquilo que meu coração novamente se ousa derramar. Dizem os especialistas que é normal perder o coração... mas perder a alma e o anseio, do vívido estar e do viver e do falar, é totalmente perigoso e nocivo.
É sobre a demora, sobre o atraso, o caos, e jogar a bomba e sair correndo. É sobre ver o lance feito e sair andando e não pensar em um segundo em assumir a situação - demolir todas as crenças e todas as perspectivas e ainda achar que não se há problema, abrir fôgo "sem querer" e não cogitar ao menos se deve socorrer.
A omissão, é mãe de males inconvenientes gerados por uma ridicularização do ser.
Dói, transluze e passa, eles dizem. Mas eu não sei, eu não concordo. E pela enésima vez me paro distante, e vejo os cacos no chão, me preparando para pacientemente os resgatar e os pôr em ordem, mesmo que ninguém me pergunte, mesmo que ninguém me entenda, mesmo que ninguém me ponha em dedicação, mesmo que ninguém suporte, mesmo que de novo, entre os mares de gente seja apenas eu.
Outro dia vi um cara chorando na rua. Suas lágrimas pareciam lâmpeijos de cristais que desciam contra sua vontade. Havia um papel em sua mão - foto, letra, e algo mais que não pude ler. Mesmo de fone, pude ver que ele dizia algo, sua bôca denunciava algumas palavras que se misturavam com os cândidos cristais que jorravam de sua face. Hoje, ao caminho do correio, disse o fiscal do terminal que ele foi três vezes no mesmo ônibus, e apenas olhava a paisagem, como se aquilo o acalmasse de alguma forma.
Não ouvi os sinos, e vi cada pessoa estendida no chão. Olhei cada face opaca e me vi em cada um. Pensei em cada pensar e não encontrei nenhuma solução a não ser daquela que minha cabeça ecoa há anos. E no silêncio da vida, os passos começam a ser duvidosos, incertos, impacientes, e vacilantes - não que seja lá coisa boa ou ruim, mas apenas coisa comum ou qualquer, de uma verdade que tange como um ferro quente e atordoa, e você percebe que aos outros sim, e a você não; e dada qual a censura da vida, a indagação gera um buraco que toma a alma e a consterna e a fazer gemer. Torce. Cidade ambígua. Desilusão. Os solos de guitarra no ouvido apenas lhe farão sentir anestesiados por minutos. O sorriso de receptividade parece mais vazio que nunca.
As memórias, os ditos, e os sangues que marcam a parede trazem histórias de durante e agora, mas não significam nada - e isso me atordoa. Assusta-me veemente (como sempre me assustou) que de uma certa maneira nada signifique e nada tenha um porque de ser, ter e viver. Poderia até dizer que sigo bem como sempre segui e vivo como sempre vivi, mas sei que seria uma grã mentira contra mim e contra a verdade em que me encerro; pois deixei um tanto de mim em quem encontrei, e levei uma parte dos que conheci - e entre as cicatrizes, não vivo. Existo.
Então me diga como eu devo "bater de frente" diante do colpaso, ver a vida com olhos cegos e entender que tudo de repente não passa de um eterno teatro de fingimentos - ah, a bôa-vida que quer se ter de alguma forma, e outrora repousavam em olhos de uma mulher chamosa que conhece as regras muito bem. Não existe fórmula, lhe adianto, mas há caminhos; e que nesses caminhos resultam em cheganças e partidas. E isso mantém-se imutável.
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
Hand In Glove.
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