Sinceramente, gostaria de não exisitr.
Tampouco, de pisar meus pés na casa do Senhor.
E mais além: de ter conhecido as pessoas e vivido a vida - sinto, em mim, a vida pesar como um jugo que cada vez mais oprime e chagueia tudo aquilo que tenho. Como diz Paul Rodgers em Heavy Load: "estou trilhando um longo caminho do qual não aguento mais".
Queria ir ver o mar da Villa da Conceição de Itanhaém. Sentar num quiosque com a Mari, falar merda e ouvir pela enésima vez como ela sentia medo da introdução de "Judas" do Raul Seixas. Queria ver de novo o Sol nascer no alto da torre do Seminário de Guaratinguetá. Mais ainda: Queria me sentir vivo quando como bebi homericamente no Coloniafest, ou quando durante uma tempestade de trovões, desci até a água do mar com meu pai, e entre os trovões e o mar ressacado estávamos nós bebendo rum oro para se esquentar e cantando Pink Floyd no talo. Gostaria irremediavelmente daquele frio na barriga do primeiro dia de trabalho em Barueri, enquanto o meu leal The Who ecoava nos tímpanos, e da primeira vez que entrei no Largo e senti (e veramente senti) Deus falar comigo. Falaria mais e mais com Adriano, e ouviria mais vaporwave com ele. Daria os meus santos dons para ver Dona Antônia mais uma vez, ou rezando seu impecável "Ofício da Imaculada Conceição", rezado com o têmpo nas mãos, ou passando roupa cantando a Consagração a Nossa Senhora.
Não voltar ao tempo por questão de saudosismo, mas pelos momentos-chave que me deram - e dão - a alegria de ser quem sou e estar onde estou. De finalmente, após tantas batalhas, doenças, peste, erro e morte finalmente me sentir ainda vivo; de utilidade perene, sem ser o quem paga a conta, ou quem deve um sexo, tampouco quem tem que ser o espiritualmente forte, ou quem tem que ter uma piada vergonhosa na manga da bata. Ser apenas o Marcus.
Não tenho sonhos, e nem pretensões - e nunca pretendi as ter. Deixo que Deus me leve como Ele quer, e que faça em mim o plano d'Ele, mas sei que mesmo que não tenha mais com o quê e para quê brilhar, de alguma forma muito teimosa, continuo - não por mim, mas pelos pouquíssimos meus que ainda dizem ousada e debochadamente que sou boa pessoa e que tenho boa índole. E como pode lá eu ter boa índole? Conforme noticiado algumas vezes neste bRog, as pessoas de Itaqvera não tem nada disso, e por isso eu as amo: de felicidade e tenacidade ferrenhas, e delas eu também sou um. Apenas, por um leve momento, gostaria eu de descansar; longe de todos os problemas, dores, aflicções, medos, raivas, cansaços, inteligências, seduções e dizeres. Queria talvez pela inédita e ridícula vez aquele amigo que me liga desesperado para saber se preciso de algo como eu inúmeras vezes cansei de fazer com todos os meus amados (antigos e novos); pois no Getsemâni em que me encontro, não me há anjo consolador, só solucionador que no fim não sabe solucionar porra nenhuma porque ainda não entendeu qual forma de vida e sôb qual pena carrego em meus ombros.
Transcrevo essas linhas entre lágrimas, pois esse sou eu: Eis, ó malditos! Não me escondo, e minha lira rasga suas carnes e minha forma turva vossas mentes! Se vivo pela regra de Francisco, é porque assim denuncio e escandalizo cada um de vocês; e rio feito criança de vocês, Grãs Doutos, que dizem tanto e sabem tanto, mas no fim são mais vazios do que o coração do insensato. Se vocês não se metem a viver a vida como se deve, viverão eternamente na condição de erro, e eu, por mais que alerte por via de exemplo ou deboche, não consigo ir mais além que isso - não me dóe vossas palavras contra mim, mas o que mais machuca, enfim, é vocês sempre acharem que estão certos.
E a minha sorte, é que pus meu coração no thesouro certo. E de alguma forma ele ainda me vale mais que tudo.
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sexta-feira, 29 de setembro de 2023
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