quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Summer.

Disse-me um sábio, certa vez, que a melhor conversa é aquela que se faz e se diz com os olhos. Das mais profundas, sinceras, belas, engraçadas, tristes e magnas. Daquelas que você conversa com a alma e sente a responsa em sua própria alma, sentindo verdade no que te é ofertado. 
Bem, raramente eu tive desses contatos, mas, todas as pessoas que tive esse presente foram mui categóricas pois eram pessoas de tenacidade ímpar, daquelas que são decisivas e fazem-se valer por ser quem são, e de uma força incrível. As pessoas que conversam com os olhos verdadeiramente estão em um outro nível, patamar, e gostar...
E a nível de sinceridade, quero ver teus olhos de novo, e de preferência com os solfejos de tuas mãos, n'e que quando empunhas a caneca em tua mão, desabrocha esse riso em tua bôca como se a vida se cristalizasse n'aquele instante. E eu basicamente gemo em ais pelas pessoas que sabem eternizar o instante da forma certa, a vós, minha benção e minha estima mais ditosa e verdadeira. 
E é sobre isso, disse-me ela. E irrompeu na mesa com um riso verdadeiro, daqueles que não se vê há tempos; abriu-se e brindou a nós na mesa com um riso verdadeiro, sincero, ornado com os lábios e ornando a silhueta de seu rosto de tal forma que não o via há tempos, sendo-se verdade, e trazendo-nos genuína alegria de um riso apesar das abobrinhas demasiadas infames que dizíamos na mesa - de fato nós da mesa sentimos um tipo de êxtase, mas guardamos um pouco para mais tarde pois atualmente está raro termos momentos assim, aonde podemos ser felizes sem um peso da existência.
A noite, extensa e tão curta, denuncia a troca de olhar. Conversa-se pelo olhar. É lindo, belo, lírico, cínico e as tenazes sobrancelhas que arquejam com fechar-e-abrir de pálpebras, desfloram num riso; gargalhada, telepatia prevista - comunhão de pensamento, alinhamento cósmico, ou qualquer bobagem dessa forma. E quando ostento de mim o riso em comum com a alegria mantida de um gol, denuncio veemente com o olhar a vulgaridade que senta conosco a mesa - e iremos rir mentalmente e fazer um comentário ligeiro com os olhos; a essa altura, já íntimos e cumplices de comentários e formas de pensar.
E é afã com o cuidado e com o zêlo, tal qual ditosa mulher ou como no cristianismo primitivo, aonde as pias moças eram zelosas sem ter porquê, com o quê, como quê - permaneciam de fé em fé e de caridade em verdade para apenas existir, fazer-se ser e ter aquilo que não se Nomina; Excelsa alegria, ditoso É. É sobre um riso ligeiro entre risos, brindes e copos de água, sobre conversas e fofocas, gritos estrondosos que arruídam o ouvido em lembrar: a emoção de um pênalti, a perca de um título, a briga no fim da noite, a sabedoria em ser humilde e se resignar de uma possível contenda, o valor de ser quem é, ou até mesmo uma conversa que poderia durar por horas e horas e horas e horas...
Ou, que pode até mesmo durar mais essa noite, se o vento e a direção das estrêlas forem-nos favoráveis.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns! Uma bela noite de risos e encontro de olhares profundos