quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Mira La Ventana.

 Sempre que te vêjo, é como se achasse mais sentido na vida, e cada trejeito teu, encontro a perfeita obra de Deus. Quero (te) comemorar, e te amar durante a vida em fio; quero a cervêja, a tua bôca - mulher que amo, os sinos da igrêja trovoando o Céu, e quero ver as nuvens correrem pelo horizonte. Desejo o bôm têmpo, de frio, andar juntos de mãos dadas cruzando a rua, e saber que ali tem amôr, vêr amôr, e ser amôr. Sentir e fazêr. Têr. 

Abaixada a têz, quero seu côrpo contra o meu, para que possa correr com minhas mãos sôb êle, e tomando sua cabeça sôbre meu pêito, te honrar n'uma canção, miúda, de porte silêncioso e sorrateiro, que possa te fazer se sentir amada, estimada, e de tôdas as fêmeas a mais linda, mais deliciosa, mais amável e afã; esculpida nas virtudes e vícios para êste dôce profeta do degrêdo - e ao menos dessa vêz, meu amôr, não te esguia a descer e fugir dos meus braços como água, ao menos aqui, aonde ainda reina o momento imortal, fica, sorri, e me bêija; não há mal lá fora, e há anjos rezando pelo nosso amôr. 

Chove lá fora.
Vêm a meu encontro.
Ainda chove lá fora.
A felicidade tem o cheiro do têu côrpo.
E eu, honrado, vi um belo horizonte tão modesto, perdido nas curvas e montes do seu côrpo, entre as linhas do seu socôrro; e seu sorriso, farol-guia que mesmo quão perdido, me põe na rota-rosa-norte do caminho dos teus braços, tua côr, das mais belas que s'há, das quaes os antigos nos diziam ser Morena Jambo, ou Moreníndia, que me importa, se sei que você fica bem  melhor assim, e que tua côr me atrai, assim como seu sorriso, assim como seus desenhos - mapas cartográficos que se encontram nos pontos específicos de sua carne, e que se encontram abertamente por baixo de panos. Honrado eu, por ter visto seu desvêlo, e na sua humanidade, feito-se mulher desse homem, e sendo minha, alongado e sido motivo de minha felicidade - e de vera, instrumento divino, pois fôste você que culminou minha alegria enquão eu mais pedi a Deus a alegria na forma de mulher, e mal sabia que tinha nôme e que vinha da parte mais abençoada do mapa Brasileiro.
Sei bem que mulheres do seu têmpo e do seu porte são vivas, mas, não sei porque me escolheste para ser teu, a que de certa forma me alegra e me atordoa, esforço-me a seguir em retilíneo nossos combinados e tratos, para ter-te comigo, e peço que seja e esteja comigo, e se possível, honra tua mensagem, e afasta essa loucura e mêdo de mim, e mesmo que sendo rude, mostra que esta bôca tem um dono, que este coração sussurra meu nôme, e que antes de dôrmir, pensa e ora por mim, pois eu, a toda nôite penso e rezo por ti, e nisso sei que amanhã as vendas hão de melhorar, e as coisas hão de ser bôas; Deus nunca me deixou faltar nada, mesmo eu sendo abarrotado de pecado e mácula, e se Deus ouviu minhas preces me honrando com você, creio que esse mêdo que tenho de te perder só pode ser algo louco ou do feo (e de fato, sei que você não, mas as vezes me pergunto se você também já sentiu isso), e por isso me cravo e finco ao chão, e penso em nós dois, e tento me ocultar e desvêlar disso tudo. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal.
Sei que querias me dizer algo que está enterrado em vós, e eu por brincadeiras não soube ouvir, mas, apesar da leve curiosidade, se quiser me dizer, irei ouvir com afinco e atenção, e morrerá entre nós, prometemo-nos não haver segrêdos, e por isso guardarei o que me disser com estima, e não lhe julgarei, mui pelo contrário, e apesar de tardio, vos peço, confie em mim para tudo, pois confio em ti para tudo; eu quero meu futuro com você, nê.
Ouve-me, e se atente os sinaes, pôis as estrêlas querem te mostrar o camiño, abre a janela e ouça o que o vento te diz, o Sol acarinhará teu cabelo, e nas gôtas de chuva, cada uma trás uma meditação e uma benção. E também no vento, pedi para os pássarinhos te darem cantos de bôm dia, e pro vento levar meus abraços para você, e quando você estiver distante, ele há de te mandar nas ondas aéreas tudo, e quandl estivermos juntos, será ele a obra de Deus que nos deixará em paz e em bem. O vento, nê, está a cantar uma canção de vitória, de amôr, e de paz. Ouve-a, pois teu nôme como justa está inscrita no pendão de Gabriel. Abre teu coração e jorra teu amôr em mim, e deixa que o retribua de melhor maneira e forma possível, defende com zêlo as cousas belas e bôas que Deus lhe dá, e assim você há de vencer e viver, pois tôdo começo difícil tem final grandioso, e tôda mão vazia se penará em carregar a glória. E é desta glória, a incorruptível, nê, que és herdeira, e por isso tem fé, esperança, calma e anima na carreira, vê o Sol nascer e confia. Estou aqui, e só lhe abandonaria se você quisesse - e espero que nunca o queira. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal, mas estou ocupado em vencer por nós e por te amar, e, dá-me sinal, farol-guia, que nada disso é sonho, e que é recíproco, e que 'té inda 'gora tenho o teu cariño e 'té inda 'gora sou eu o teu amôr.
O Sol me cega as vistas, mas me infla a alma, dá-me tua mão, vem vêr isso tudo comigo, e segure firme nosso coração - esse ano Santo Antônio 'inda vae ajudar.
Be my Bonnadonna.

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