domingo, 10 de setembro de 2017

Mundo Invisível.

Veja, sou um príncipe.
Sou filho de um Rei, e que seu reino se espalha por tudo onde te vês, toca, cheira e afirma; Meu Pai mesmo me deu esta terra bôa e rica para viver e conviver em harmonia com meus irmãos, amigos e animais, e para te encontrar, te fazer feliz e te dar a rosa-dos-meus-dias. Fique comigo, e farei tôda a estrada se parecer curta, e cuidarei para que não nos falte nada. Talvez não tenhamos o que queremos, mas, teremos o que precisaremos daqui pra frente.
Perceba, não sou rico.
O Reino do Meu Pai não se encontra nessas coisas materiais, e sim nos sentimentos, momentos, abraços, andar de mãos dados, e no irrisório, no sobrenatural. As chaves de meu feudo não se abrem aqui. A pérola que lhe oferto não ornará sua carne, amada - é algo que nunca te sentistes, mas te peço que compreenda, pois é o único que eu tenho, e trago para você, e tão somente para você.
Note, sou das estepes.
Me encarrego de ser, estar e viver no/com/pelo degredo, porque foi aqui que nasci, e me criei, e por este chão que Meu Pai me cedeu, e os homens deixam, eu sobrevivo. Não carrego as riquezas de banco, porque delas não me preciso, não me faço - as ambições de se ter a bôa vida não são bôas; Cegam as pessôas e causam tristeza, morte, solidão. Eu quero ajudar a quem eu puder, e da melhor forma que eu puder, e assim ajudo meu feudo, e amplio meu feudo que há no além-terra. A terra é bôa e rica, e há nela espaço para tôdos, para crescermos sem nos machucarmos e degladiarmo-nos, aonde as gerações futuras sintam uma alegria imensa.
Porém, sou cego.
Minha cegueira se dá e se cabe ao mundo, das tristezas e amarguras que os homens fazem e se causam, então, me cinjo contra isso, e tiro os véus de minha face para algo maior, maior que mim, você, nossas vidas e o que podemos imaginar. Fecho meus olhos contra uma maldade sádica que me faz pensar que meu irmão é melhor que eu, e com isso, me cego - porém, no meio desta cegueira ainda sim tive olhos para a môça da Tau.
Perceba, sou claro.
A água parada é turva, e mesmo eu me turvando como a água, ou me rodopiando como um dervixe em transe, nas contas do meu masbaha tem muita coisa em intenção, muita felicidade e saúde em jôgo, muita oração pedida e ganhada de presente. A água rasa é transparente, mas não transparece sua fundação, logo, se acaba. Eu desci até a mina, por isso tenho muito o que falar, fazer, sentir, ter, dividir e dar sentido neste mundo, neste segundo, queria era te dar os peixes de minha vida, e ouvir algo em troca, mesmo que não me fôsse agradável, mesmo que não fôsse o que eu queria ouvir, ou que ao menos, se pusesse no meu lugar. Que lugar? O lugar de quem quer estar no lugar ao lado do seu lugar. Sair sozinho neste Sol não tem graça alguma - por isso, o hesicasmo tem me parecido bem mais proveitoso e digno de interesse. Meu interesse era ver seus olhos se apertando contra o Sol no Jardim Suspenso. Peixes.

Se aceitas isto, vens.
Vem como quem encontra a vera felicidade de um Sol se pôndo, da môça de vestido e sorriso brejeiro, como um pastel de feira num sábado de primavera, como se tudo o que te completa, te achasse em mim, e visse em mim uma alegria, como vi em você. E deixa ser, deixa viver.

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