sexta-feira, 2 de junho de 2017

Você de Azul.

As pessôas, ao longo dos dias idos, se alongaram de mim, e eu me deixei ser água, apenas as lavei, e esvaneci quaisquer sentimentos delas - as deixei irem embora, e de mim, sobrou apenas pequenas gotículas que fôram secadas em uma toalha de mão ou pano de prato, eu fui passagem necessária para algo melhor, ou pior, não fui mensagem, mas sim mensageiro. Aonde quer que eu vá, sei que estarei só; E mesmo que cada fécula da reia da praia se transforme em gente e que tôdas essas gêntes unidas me amassem e me quisessem para si, e ter comigo no mais completo ode a uma amizade, ainda sim estaria vazio e só. E mesmo que a mais amada das mais belas das mais desejadas da mais Cecília voltasse para minha mente e meu destino, só estaria: A minha solidão é de têmpos, e que apenas Deus cuida, Deus protege, Deus tira. A minha solidão é saber que sou um dos poucos, talvez o único num raio de 20 quilômetros que pensa de forma híbrida e consistente, como uma argila semi-moldada, que sempre pode ser adjustada ou retocada.
Minha solidão se dói sozinha, e se manifesta em mim porque minha Luz é forte, e quando eu eiei a candeia para olhar os pés da Concórdia, os lavar e os beijar, êles me taxaram de louco; Porque quando me humilhei na eucaristia, êles me entregaram olhares malecidentes; Porque quando eu comecei a anunciar minha fé e tomar meus nortes, louco fui e esquecido dos amigos me tornei; Porque o quanto mais fui fiel a minha essência, mais as idéias erradas e que há muito e há tanto eu exortei de minha mente, êles tentam pôr novamente. Deus viu tudo, os meus erros e acertos, e pra quem acreditou em mim, muito obrigado - a quem duvidou, peço perdão por nunca ter sido digno de confiança e elo.
Quando enfrentei meu último dragão, percebi que me tornei um daqueles eremitas loucos, que já sabiam da sua verdade, e não tinham mais nada a fazer, a não ser espalhar a boa-nova pelos muros, casas e campas; Dando ao mundo aquilo que se foi ganhado em recompensa - poucos ouvem, e dos poucos que ouvem, quase nenhum nota ou percebe, e com isso me torno um feo personagem Quixotesco, procurando um ideal antigo, vazio, mas que muito enche em meu peito, me fulgura e trás brilho nos olhos acinzentados agora, mel a tarde, verde de manhã, avelã durante a turvação. Eu sou o que preciso ser, e agora, sou a solidão: O menino que ganhou o não da amada e fica no salão vazio, chutando confettes e serpentinas, enquanto tôdos saem e a banda guarda seus metais. Sim, sou eu; Quem se sente só, porém sabe que a solidão não é ruim. Agora, eu sou água, e saber que caminho entre a ávida multidão se existir, me faz feliz, me faz ótimo, me faz môrto, me faz cada vez mais estar perto d'Ele - quem me amou primeiro; E sei que uma hora, em algum lugar do mundo, alguém veramente estará lá, e quando esse alguém me notar, e eu o ver entre as condensadas marés-de-gente, saudar irei, e juntos nos teremos, enquão isso, estaremos aqui na ilha, tentando acordar os mortos que passam e passeam nas minhas vistas, e são bem mais solitários que eu.

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