quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lotus.

Como eu queria que a noite não acabasse para mais uma vez eu ser feliz e toda vez que houvesse a felicidade, subentendido estivesse ali você. Como eu gostaria que todo Céu fosse acinzentado para poder riscar ele com os dedos e no copo de chá acquecer o corpo e a alma, pra satisfazer a exaltação, pra tudo isso ser parte do montante. Como eu amaria que assim como a sutileza e peso do excedente solo de São Baden, você viesse e transbordasse em mim toda a alegria de outrora, ou ajudasse a resgatar os lírios cálidos na janela, e sendo o porto de braços e abraços, encutido estivesse também a sutileza e o peso de compromisso, compassividade e amizade.
Andaríamos, mais uma vez pelas numerosas ruas e sentindo o cheiro de jasmin no ar, sentiria também que tudo mais uma vez e sempre está se estabilizando, e agora por mais um motivo de se estabilizar, e logo todas as estrelas do Céu seriam cumplices dos vinhos tomados, das escutas infindadas de música, do tempo e a espera, e do sorriso que cabe tão grande dentro da alma - tange, fere, corta, mata. Machuca, meu bem.
Ai, saudade, manda dizer pra quem tá do lado de lá que ando me segurando de mãos e dentes na madeira da nau pra não enlouquecer, e quem sabe de mim é Deus e a Mãe das Candeias, porque eu mesmo estou fechado pra balanço, balançando o corpo com o som e maneando a cabeça pras idéias vãs que ainda me assolam. Ai, saudade, se te for de toda boa, manda um beijo e abraço, pede benção, diz pra olhar por mim e vê se aprova. Meus passos ainda cabem a mim, mas é difícil seguir pela vasta e incerta estrada sem os advertimentos de quem já foi por lá e cá. Me ponho mais uma vez em trovas e versos.
Mãe, ela tem lábios lindos, ela tem cabelos lindos, e o número dela casa com o meu, e o disco que ela ouve eu tenho, e no momento de ir embora não deu, ficou pra outro amanhã implícito no futuro. E como tudo acaba onde começou, aqui estou eu mais uma vez na Asa Leste, de onde nunca deveria ter saído, e de onde Santo é quem faz, e não quem leva a fama. O degredo tem santidade, e deveriam pedir desculpa por pisar em chão tão firme com pessoas tão boas. Mãe, a vida apesar de turbulenta é boa, e te peço paz nos meus desaventos e alegrias para meus inimigos. E aos que querem minha cabeça, oferto meu corpo: Ele me ensinou que meu amanhã é hoje.
Venta lá fora, e meu coração se infla de alegria com a possível vinda das torrentes de voisas boas depois da estadia de agosto. A vibração que emana do Sol diz que a alegria não tarda a vir, tem nome e sobrenome, gosta do som e tem inebriação como arma de ataque, e candura como defesa. Ai de mim, São Baden, que me trouxestes a Lotus mais bela! Ai de mim que não mereço. Ai de mim, São Baden, se eu não cuidar. Ai de mim. Ai de mim, se um dia eu me esquecer que a suavidade, sutileza, peso e danação podem ser tudo em uma hora só. Ai de mim, Meu Santo.
Quando as cabeças estiverem vazias, leva, Meu Santo, um pouco dessa alegria que sinto a cada um dos meus - amigos e inimigos - e compartilhe a aura boa em que me envolvo. Compartilho e agradeço o aprendizado de toda a minha vida até aqui, com todas as pessoas, desamores, desamigos, amigos, inimigos, pessoas transeuntes na rua, e sentenças de juiz algum conhecido senão o Juiz do Final, obrigado a cada uma dessas pessoas que me prepararam para ser maior e melhor que antes, e atingir a graça maior d'Ela. Em teu altar, eu acendo minha vela e no teu roupário encosto, porque sei que você há de ler e ouvir o que digo. E vem, cada vez mais perto de mim e deixa essa felicidade ser eterna como o sopro de música que tenho dentro de mim: Infinito.

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