A chuva ainda cai nos meus ombros, nove anos depois, e ela ainda me turva a vista, molha os cabelos e os carinha, de forma única e especial, e por isso digo mais uma vez que Deus me ama, e obrigado pelo carinho infligido em mim, Doce Javé.
Hoje eu simplesmente não quis existir, não estar aqui, porque percebi que traí a mim mesmo durante nove anos, nos planos, atitudes, pensar, agir e ser; Tornando-me o que me tanto repudiei desde a terna idade, joguei a louça da minha vida fora, junto com todos os planos, me ameaçando jogar fora junto co'a água do balde. Ogum, estou com medo. Estou com (São) Pedro.
Aonde anda o menino que ia deixar o cabelo crescer, ter a maior coleção de discos do mundo, cuidar da família e eternamente beber aos finais de semana como se o fígado não existisse? Cadê o músico dedicado, filho de Cecília e Gonçalo do Amarante, menino lindo dos olhos verdes, vivídos, que queria alguém pra poder contar e ouvir tudo que tinha a dizer, tudo que estudou e descobriu sozinho, tudo o que tomou pra si...Se perdeu no areal do tempo, e não há de voltar mais, creio.
Estou sozinho no meio de muita gente, e os espíritos da minha cabeça, as mortalhas do meu armário, meus 32GB são meus melhores amigos. A música que eu ouço só eu gosto e não posso compartilhá-la, mesmo que me recorde de alguém, mesmo que sejam 2%; Me esforço para ser o melhor amigo do mundo, mas tenho que aguentar sôfrego as mancadas de meus ditos amigos, e os tons de desconfiança de minhas amigas quando simplesmente quero marcar de se ver, ir embora junto, de conversar, pôr pra fora todos os demônios que habitam na minha língua, falar asneiras, rir desenfreadamente do cotidiano imposto a nós; Me esforço em ter na família a rocha, mas a rocha esfarela e sobra para mim concilar tudo e segurar Athlaicamente toda a barra do universo de picuinhas e fofocas, e eu me penalizo, por não poder mais segurar mais um rojão; Tento ser um bom profissional, mesmo que constante ameaçado por um superior que tem inveja (?), e faz minha caveira, e que só me dana para os superiores porque eu converso com a menina mulher que ele quer se esfregar, por ser mais humano, por ser mais experiente e ter mais bagagem; E por mais que eu tente alcançar a santidade, não se encontra Santo Guerreiro, a princesa já morreu, e o dragão saiu pra jantar.
Queria a Agni que ouvisse o disco que falasse de mim, mesmo que não gostasse, e mesmo que não forçado, e apenas prestasse atenção na letra, que prestasse atenção no risco que eu corro, que ela corre, do que eu sinto, e do que carrego no meu peito, no meu patuá. Mãe das Candeias, seu filho não venceu na vida ainda, mas ele ainda tenta, como todos os heróis da classe trabalhadora.
É engraçado que nunca tivesse meus sonhos e desejos em primeiro plano, e sempre o dos outros, mas, hoje em dia, quando planejo alguma coisa, constantemente tenho meus sonhos interditados, esquecidos, ou anulados; Me sinto totalmente estático: Se sonho sozinho, sou mesquinho, agora, se tenho meus sonhos "boicotados", é acaso, desatenção, ou o bordão da minha vida: "Marcus, não é uma boa hora". Poxa, mas, quando há de ser uma boa hora? Quando vou ver a geral piar? Quando vou ter direito a ser eu mesmo, e ter meu contentamento? Até quando o segundo plano?
Procuro o amigo que sei que tenho no Júlio, no Francisco, e em todos aqueles que me tiraram do perigo, e que mesmo eu não podendo estar a altura, me seguraram nos dias de caos, e procuro a felicidade, assim como procuro um jeito de ser feliz sem ter que vomitar este monte de merda sem sentido e desgraçada neste blog, qu'era pra ser um puta de um blog de crônicas renomado.
E o resto, há de ser silêncio. Daqueles que até ensurdecem.
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