Quero morrer cedo.
Quero poder ao menos segurar meu filho nos braços, ter você ao meu lado, e rir. Rir de tudo isso, porque a vida é uma piada gostosa e sadia, por mais que me pareça sádica as vezes. Quero poder deitar meu corpo feito numa rede, e ouvir um canto - qualquer um - e saber que está tudo bem. Quero acordar ao menos uma vez na nossa casa, na nossa cama, te acordar com um beijo, e ver que valeu tudo a pena.
Quero ir embora.
Sinto que a cada ato meu, a cada cuidança, a cada passo que dou, um rastro de destruição e desgraça me acompanham. Sento-me no chão e observo senhores tão alinhados, e tão lindos, e tão poderosos. Por quê eu não posso ser um deles? Deus sabe o porque. Renego a boa cama, a palavra fértil, a gota de doce e o medo da vida, porque não me compensa ser igual a vocês - Eu tenho o meu caminho. Percebo as rosas e lhe mostro tais rosas, com um espináceo forte, mas, minha amada Byrdie, elas são rosas, apenas rosas. Nada, e nem ninguém há de se comparar ao que és e tens, e o que fazes comigo.
Quero uma cova funda.
Quero ter a certeza de que eu possa estar em um lugar aonde nada - nem ninguém - possa se perturbar, se sentir aflito, se agoniar, ou crer em mim. Eu sou um Cão feo, Ás Negro, e flêuma de dissonância. Eu não deveria existir, e tampouco hordar linhas que julgam, hm..."Bonitas". Eu não mereço um nono das coisas que tenho comigo, por isso agradeço a Deus tudo o que tenho, mesmo não sabendo quanto tempo dure.
Quero seu cheiro.
Quero dormir sentindo no vento o seu cheiro, e no brumeio denso da cidade, o teu abraço. E nas andanças de cadências do dia-a-dia, quero ter você aqui comigo, até o dia em qu'eu segurar nosso filho. Sonho bobo, porém o que eu mais queria. Dormir, acordar, trabalhar, brigar, beijar, amar, torcer, respeitar, sorrir, chorar, e viver você. Sem medo algum de errar.
Quero a liberdade em azul. E sem gelo.
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