Eu tenho o canto de um pássaro nobre nos ouvidos, tenho suas asas sob minhas costas, tenho sua plumagem para dar carinho, e tenho seu porte para olhar. Estou eu e meu pássaro, sentado na reia da doca do cais do porto, rindo, conversando, bebendo e brincando, e deixando a vida ser feliz. Você se lembra das nossas músicas cantadas e assoviadas de fora do teu bico?
Eu vou ter que te deixar ir embora, pássaro místico do passarinhedo? Seus olhos enegrados, que no escuro da noite viram cor de mel, e abrilham até dentro da minha alma. Eu vou ter que te deixar mais livre do que já estás, abrir minha mente, corpo e te deixar avoar para todos os cantos do mundo? Se você voltar, eu ficarei feliz, porque eu me sentirei honrado de ter teu canto novamente em meus ouvidos, e com quem duetar sob as cordas de meu violão os sons mais corretos, mais dissonantes, mais coerentes, e mais fortes? Nós poderíamos andar pelo parque todos os dias, juntos. Pássaro místico, você poderia ao menos tentar me levar em teu coração, quando te fores embora? Lembrará que te ofereci meu ombro como puleiro, minha amizade como alpendre de jóias, te dei alpistes e sementes e que eu te tive carinho, apreço e afeição? Você realmente terá que ir embora e passar tanto tempo fora? Eu perdi da tua companhia por completo, pássaro místico do passarinhedo? Quanto tempo dura uma vida sem teus cantos? De que importa saber a diferença entre Teiú, Anú, Assum Preto, Colerinha, se eu só quero conhecer de tua plumagem, e do teu canto? Se eu pedir pra Deus me dar asas, cê deixa eu ir com você?
Pássaro, compra tua sentença, e vá ou fique, mais, por favor, só me leva em teu peito, para nunca me esquecer pois, se fordes embora, levarás a minha alegria, e o meu riso. Hoje, se sou feliz, é porque estás comigo, lado-a-lado.
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