sábado, 3 de novembro de 2012

Assum Preto.

Pássaro, passarinhedo
Pássaro avoa no céu, lindo que só.
Pássaro, canta tão lindo;
E avoa pousando no meu ombro;
Me deixa aroubar teu canto;
E te pôr numa gaiola de angôro;
Pra ver se acho no mundo,
um canto mais lindo qu'o teu.

Pássaro, cê tá aqui, ó.
Preso no angôro, e no meu coração;
Mas seu desdenho é tanto;
Que seu canto é de pura dor;
Seu vôo é contínuo, e rasante.
Na qualidade d'Assum Preto;
Cê mata uns dunins que eu te dou;
E os come como quem fica na prisão.

Pássaro, cê ainda me olha com coragem,
Mas, me passa confiança, e eu te solto;
Ocê vem ter comigo, qu'o tenho contigo.
Teu cantigo se afunda na minha viola,
E assim viramos um,
na tua asa eu avôo, e ocê me carrega em paz.
Pássaro, ambos estamos livres;
Ambos temos nossa liberdade imposta;
Canta comigo, Assum Preto aziago;
Que eu engrosso o canto pra tua flôr ser cheirosa!

Assum Preto, canta forte pra assurdar a Mãe Morena!
E canta alto para a Vó Antônia ouvir quando acordar;
Que a Márcia veja que a vida é mais do que ela acha;
Que Milady esteja levantada, e vendo a vista da torre;
E que Meenie esteja apenas sonhando com o dia 10.
Assum Preto, embaixo das tuas asas, me guarda,
Me protege, como me protegeu São Jorge.
E eu luto contigo, e te livro da maldade fea.

Assum Preto, esteje comigo sempre,
qu'eu sempre vou ficar contigo, até o fim.
Não importa, o que acusar na nossa rendeia;
Importa é a nossa força contra isto.
O nosso canto, ninguém pode quebrar.
Então, sejamos fortes e único, Assum Preto;
Qu'eu canto procê, de fino agudo e grosso tato;
E ocê me arrege no côro, pra dar força no refrão!

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