Nos anos de 2008, até a primavera de 2009, o cara metido a escritor aqui, estava metido em coisas ilícits, entre elas, bebidas, brigas de rua, e até gangues. Mas, qual a diferença ? De um jeito ou outro não são todos os jovens que se perdem, são apenas alguns que desejam se aventurar mais. Existe uma longa diferença em que se aventura por diversão, e quem tem que viver de um jeito arriscado todos os dias.
De todas as andanças, de todos os amigos, socos, dores, e os caralhos já ditos em todas as horas, eu nunca esqueço quando desci as quebradas da Augusta, próximo ao antigo Teatro Record, aonde mais pro fim se encontram inúmeros sebos e puteiros. Lá sim foi a forra da minha vida, lá eu conheci muitos Ska's, muitos Soul's, e reconheci muitos sons há tempos perdidos no meu baú.
Dentre eles, eu sempre me lembrava daquele som do James Brown. Violento, pesado, e cheio de metais, e aquele grito seco: "REVENGE !". Aquilo sim era um Soul carregado, que tempos depois eu fui descobri que se chama The Big Payback. E não o que me falaram: "Power Of Soul". E isso não se compara a minha última descida a baixa de lá, aonde redescobri Cartola. Foi a coisa mais linda que existe. Em agosto de MMVIII nosso herói estava brigado com sua Morena, logo precisava espairecer a cabeça e desanuviar do sentimento de dor, e todo aquele blábláblá.
Encontrando os amigos, sorrindo, e vendo a vida, entrou no tradicional sebo pra cavucar alguma música boa, só que quando ouviu aquele violão se entrelaçando com aquele metal, foi a gota-d'água. Parou todas as buscas por um vinil do Kinks, e olhou fixamente para o compacto: Preciso Me Encontrar. E aí foi. Fodeu. O samba que seus pais dançavam na sala, logo tomou conta dele, Ox logo se encontrara, pela primeira vez, vendo a música na sua vida, como uma trilha sonora, ao pé do clichê. Ele viu seus pais dançando, sua mãe ouvindo os sambas de Cartola, sua vó cantando, e ele ainda pequeno, se voltava ao que hoje ouvia. Foi a última e a melhor descoberta de toda as suas Cruzadas atrás de música boa nos sebinhos da Augusta.
E, hoje ouvindo "Soul Revenge", eu penso, que sem música não há nada, e sem amor também não. Mais, mesmo havendo coisas que há de se esquecer, uma música é sempre uma música, ela sempre será a melodia que há de te levar lá.
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