segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Bajan.

Aonde seus passos vão, você vai querer que eu vá também?
Ou você apenas quer que eu sub-exista, e seja alguém legal, perpendicular e abstrato, conveniente e de trato aberto com você? E se eu fôsse um desses garôtos bonitos, de pele feita, olhos translúcidos, e financeiramente estável, eu seria alguém melhor e maior para você? E se eu fôsse o que não sou, de valôres negociáveis, você iria me querer?
Será que você realmente em algum momento levou isso tudo a sério como eu levo, e em algum momento me quis com você? Ou pior, será que você me ama? Perguntas que descem de minha cabeça - o que sou, quem sou, como estou, para onde vou, parece que nada importa, e todas as promessas feitas caem pela arêia, e tôdos aqueles sonhos que tínhamos vão se deformando e perdendo o sentido. 

E eu, vou deixando de ser, me apagando para você brilhar, e sentindo um vazio. 

Eu segurei suas lágrimas, e você não me rende em um colo, um sorriso, um beijo, n'uma posse. Estou ferido e sem ter com quem me socorra. Me encontro precisando urgentemente de tua ventura, mas teus olhos me evitam, me dão um corte atravessado, e me deixam atordoado, pois tudo aquilo parece que deixou de ser.

As vezes, penso que a vida era tão mais fácil quando você não estava aqui, pois era eu contra o mundo, e agora, parece que quando tenho você sou eu contra o mundo.
E isso jorra lágrimas de meu ôlho.
E só me faz pensar se você não me ama, ou eu amo sozinho nesse relacionamento.
Diz-me, ao menos uma vez, que me ama, e isso me (nos) basta.
Vêm comigo, sêm mêdo, sem tristêza, nasce e comigo a cada dia, me dá tua mão e segue, sem mêdo ou descrença - cremos no mesmo Deus, e Ele me deu tudo, e Ele há de nos dar tudo; confia e segue, olha e vêm.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Virgem dos Olhos de Vidro.

 Os sons falam de nós dois, você não ouve? Se não conseguir, abre a janela, lá fora a canção da rua toca um aviso falando do nosso amôr, e se ainda não conseguir, dentro de ti, no silêncio, ouve teu coração, e se ainda esse coração teu - tão meu, não síncopar falando de mim, então eu amei só. E isso me dói sem ser verdade, e mesmo sabendo das coisas, minha mente me trai, e me faz réu de mim mesmo.

Queria dizer-te tanto, mas pelo afã de não ter palavras, ou de ter como falar palavras, mantenho-me atordoado, descendo ao fundo de mim a procurar trejeitos, gestos que denunciem aquilo que para todas as paredes confesso, e gostaria que você entendesse e fôsse recíproco. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal...
Deita-me no teu colo, e com a mão no meu cabelo, afagando em desalinho, diz-me tudo, desde a escola frankfurtiana até como se bebe tequila sem sal, e me faz sentir mais próximo, mais vivo, mais inteirado, dá-me o descanso daquilo que procurei e visei em você, e ao entregar-me aos teus braços, percebe o meu passo mantido, porém cansado, e a esperança de ser você quem procurei entre erros e devaneios. Não foco num fatalismo ou numa fantasia, mas numa realidade esperançosa; andei eu pela metade do camiño, e agora estou eu aqui te esperando para andar mais um tanto, e andarmos juntos - mostra-me que está finalmente completo, e que a mão que seguro é a mão que segurarei nas horas boas e ruins.
Dá-me o teu calôr; seus beijos; seus abraços; e se possível; teu coração; me faz sentir afã ao teu lado.
Despe das roupas, para que eu te veja ao natural mais uma vez, e que eu ao te ver, te sinta e te adore como outrora, e que ao menos você desarmada - sem roupas, trejeitos, palavras, parlação - me mostre que és minha, não de posse ou propriedade, mas que ao demonstrar afeto, acalme meus demônios, e escondido abaixo de meu peito, saiba que eu tenho parte na perfeição, e que essa mesma perfeição, é minha e me tem amôr - e o que você não sabe, é que eu preparei uma canção pra você.
Se lembra de mim, como lembro de você, e me guarde em teu sacrário, como te guardo no meu, tem em mim estima e amôr, pois tenho por ti em demasia, e te quero muito, bem, e em paz. Seja aquela que foi antes, e me diga novamente tudo o que foi dito, e guarda a nós dois: Venho em paz, nunca em guerra, mas enfrentaria tôdo tipo de cousa para te honrar e dar-te um sorriso no rosto e bôa vida; te fazer feliz, te fazer sentir amada, desejada, jorrar mel de tua flôr, segurar as barras com você, e deitar ao teu lado sabendo que ao meu lado dorme uma rainha. Eu realmente lhe amo, e por favor, me note, pois meu coração já pena e pesa.
Por favor, me diga que tudo isso é real. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Mira La Ventana.

 Sempre que te vêjo, é como se achasse mais sentido na vida, e cada trejeito teu, encontro a perfeita obra de Deus. Quero (te) comemorar, e te amar durante a vida em fio; quero a cervêja, a tua bôca - mulher que amo, os sinos da igrêja trovoando o Céu, e quero ver as nuvens correrem pelo horizonte. Desejo o bôm têmpo, de frio, andar juntos de mãos dadas cruzando a rua, e saber que ali tem amôr, vêr amôr, e ser amôr. Sentir e fazêr. Têr. 

Abaixada a têz, quero seu côrpo contra o meu, para que possa correr com minhas mãos sôb êle, e tomando sua cabeça sôbre meu pêito, te honrar n'uma canção, miúda, de porte silêncioso e sorrateiro, que possa te fazer se sentir amada, estimada, e de tôdas as fêmeas a mais linda, mais deliciosa, mais amável e afã; esculpida nas virtudes e vícios para êste dôce profeta do degrêdo - e ao menos dessa vêz, meu amôr, não te esguia a descer e fugir dos meus braços como água, ao menos aqui, aonde ainda reina o momento imortal, fica, sorri, e me bêija; não há mal lá fora, e há anjos rezando pelo nosso amôr. 

Chove lá fora.
Vêm a meu encontro.
Ainda chove lá fora.
A felicidade tem o cheiro do têu côrpo.
E eu, honrado, vi um belo horizonte tão modesto, perdido nas curvas e montes do seu côrpo, entre as linhas do seu socôrro; e seu sorriso, farol-guia que mesmo quão perdido, me põe na rota-rosa-norte do caminho dos teus braços, tua côr, das mais belas que s'há, das quaes os antigos nos diziam ser Morena Jambo, ou Moreníndia, que me importa, se sei que você fica bem  melhor assim, e que tua côr me atrai, assim como seu sorriso, assim como seus desenhos - mapas cartográficos que se encontram nos pontos específicos de sua carne, e que se encontram abertamente por baixo de panos. Honrado eu, por ter visto seu desvêlo, e na sua humanidade, feito-se mulher desse homem, e sendo minha, alongado e sido motivo de minha felicidade - e de vera, instrumento divino, pois fôste você que culminou minha alegria enquão eu mais pedi a Deus a alegria na forma de mulher, e mal sabia que tinha nôme e que vinha da parte mais abençoada do mapa Brasileiro.
Sei bem que mulheres do seu têmpo e do seu porte são vivas, mas, não sei porque me escolheste para ser teu, a que de certa forma me alegra e me atordoa, esforço-me a seguir em retilíneo nossos combinados e tratos, para ter-te comigo, e peço que seja e esteja comigo, e se possível, honra tua mensagem, e afasta essa loucura e mêdo de mim, e mesmo que sendo rude, mostra que esta bôca tem um dono, que este coração sussurra meu nôme, e que antes de dôrmir, pensa e ora por mim, pois eu, a toda nôite penso e rezo por ti, e nisso sei que amanhã as vendas hão de melhorar, e as coisas hão de ser bôas; Deus nunca me deixou faltar nada, mesmo eu sendo abarrotado de pecado e mácula, e se Deus ouviu minhas preces me honrando com você, creio que esse mêdo que tenho de te perder só pode ser algo louco ou do feo (e de fato, sei que você não, mas as vezes me pergunto se você também já sentiu isso), e por isso me cravo e finco ao chão, e penso em nós dois, e tento me ocultar e desvêlar disso tudo. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal.
Sei que querias me dizer algo que está enterrado em vós, e eu por brincadeiras não soube ouvir, mas, apesar da leve curiosidade, se quiser me dizer, irei ouvir com afinco e atenção, e morrerá entre nós, prometemo-nos não haver segrêdos, e por isso guardarei o que me disser com estima, e não lhe julgarei, mui pelo contrário, e apesar de tardio, vos peço, confie em mim para tudo, pois confio em ti para tudo; eu quero meu futuro com você, nê.
Ouve-me, e se atente os sinaes, pôis as estrêlas querem te mostrar o camiño, abre a janela e ouça o que o vento te diz, o Sol acarinhará teu cabelo, e nas gôtas de chuva, cada uma trás uma meditação e uma benção. E também no vento, pedi para os pássarinhos te darem cantos de bôm dia, e pro vento levar meus abraços para você, e quando você estiver distante, ele há de te mandar nas ondas aéreas tudo, e quandl estivermos juntos, será ele a obra de Deus que nos deixará em paz e em bem. O vento, nê, está a cantar uma canção de vitória, de amôr, e de paz. Ouve-a, pois teu nôme como justa está inscrita no pendão de Gabriel. Abre teu coração e jorra teu amôr em mim, e deixa que o retribua de melhor maneira e forma possível, defende com zêlo as cousas belas e bôas que Deus lhe dá, e assim você há de vencer e viver, pois tôdo começo difícil tem final grandioso, e tôda mão vazia se penará em carregar a glória. E é desta glória, a incorruptível, nê, que és herdeira, e por isso tem fé, esperança, calma e anima na carreira, vê o Sol nascer e confia. Estou aqui, e só lhe abandonaria se você quisesse - e espero que nunca o queira. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal, mas estou ocupado em vencer por nós e por te amar, e, dá-me sinal, farol-guia, que nada disso é sonho, e que é recíproco, e que 'té inda 'gora tenho o teu cariño e 'té inda 'gora sou eu o teu amôr.
O Sol me cega as vistas, mas me infla a alma, dá-me tua mão, vem vêr isso tudo comigo, e segure firme nosso coração - esse ano Santo Antônio 'inda vae ajudar.
Be my Bonnadonna.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Os Argonautas.

Mãe prêta, deita a moringa no teu colo, e serve a água do tibum-gadum do copo arêado no açude. Côa nosso café e dá um pouco pro têu hômem. Põe teu xale e tira a carne do dessalgue, vê o Sol subindo da barra e estende as roupas no bateio. Água meus olhos em ver-te, monumento vivo da história viva, mãe da guerra e felicidade - de punhal aberto na mão, e afago ligæiro na outra, me cariña e corta meus cabêlos, Dalila moderna. Corta-me e me devolve a fôrça ee maneiras singulares.
Evoco as allegôrias, mí(s)ticas, e delas me envolvo e velo, zêlo. Dá-me, nêgra, o seu licôr embôjoado na tua moringa, dá-me, nêgra, teu amôr.
Extenso o camiño, forte a estrada, doloroso o penar, e seguimos. Meditamos na medida e zeramos a reza, e os joelhos se aprendem a rezar, e as bôcas deixam de beijar: se tornou a convivência. Doeu.
No fundo eu sou um belo de um panaca.
Ai, que quêm me diz que o amôr morreu, me explica porque das 24 horas dêste dia, concentro as 30 na tua pessôa, e porque quando me calo para me fazer presente, sinto-me a trair no que creio, nos meus ideaes e cousas que rondam meu coração. Ai de mim, Guaratinguæta, por estar feliz e triste, e não entender mais de tudo. Apenas manter a forma, mas o conciso e concentrado ser vazio - atenuo aqui a minha forma de dizer e pensar, e logo elogio os olhos que tangem das linhas. Encontro-me perdido mesmo estando a me encontrar, estou sentado na mêsa, com cerveja aberta, sôm, cômida e esperando minha pessôa chegar, descer do Rossio e vir têr commigo.
De fato, o Frade Eterno tinha co'ele as razões.
De fato, havia em si mil razões e mil motivos.
De fato, e minhas justificativas?
Eu queria, ao menos, ser fêliz.
E ser fêliz por completo, não utópicamente, tampouco pela história, mas daqueles que olham a mulher nua, deitada na cama, e sabe que dela lhe têm o amôr. Ó estrada sinuosa e maldita, da qual meu coração se estreita e passa o passo. Entrego a mim uma tristeza, pois é o que no momento sei dizer e fazer. Meu coração começa a terminar de desaguar água e viño, e seca. Uma lágrima cae de meu ôlho.
Não sou eixo ou ponto, não possuo pôrto-seguro em meus braços, e dado o visto e o momento, não sei fazêr bem a ninguém. Sou filho de qualquer revolta e táciturníco na luta, luta essa que aprendi a amar, e não fui de voluntário. O meu pastôr sabe que eu sei que Êle sabe das armas que carrego, e cabe a Êle decidir se sou água ou se sou viño. De mim, sei tanto que deixo aos outros acharem.
Me cabe o silêncio, para que ao menos ilusóriamente, eu ainda ache que serei notado em algum momento.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Muchacha (Ojos de Papel).

 Ela acordou, deitou ao lado, tirou a coberta e pôs os pés no chão, talvêz tateou pra achar os chinelos, ou algo assim. Deitou o jarro e pôs água. Olhou o horizonte e viu o tudo e o nada, se arrependeu e seguiu em frente, cumpriu o básico e se perdeu no espêlho da ilusão: amou sem amar.

Tenho visto que 21 é o anno de minha vida, e é também o anno em que deuses voltam a andar sôb a terra, e injustos morrem antes de ter a alma silênciada: As coisas estão têndo têmpo e eixo, e meu coração se alegra: É têmpo de esperança, e pôde ver do alto do átrio que êles também se alegram. Santo que intercede também comemora a graça alcançada. 

Preciso de uma cerveja. Preciso ir pros campos, ou ver o Sol nascer, preciso de um disco nôvo, e ouvir aquele síncopado, preciso ouvir aquela corvina cantar, e preciso urgentemente que ela sente no meu colo me dando minha cerveja, e se entrelaçando em meu pescoço, me dê um abraço e diga aquilo que preciso ouvir. Ouvir o que uma mulher que ama ao seu homem diz. As verdades.
Meu Deus, que saudades daquela bunda.
Era uma bunda bem estruturada, como a cintura era, e o rôsto bem ornado, de sorriso bonito e de olhos que escaneavam minha alma. Ela me toma de assalto quando (nas raras vêzes) olha nos meus olhos. Eu só queria, realmente, que ela me notasse.
Eu só não queria ser eu mesmo por um dia. Deitar e não acordar. Go out for an eternal lunch. E eu anatemizo a mim mêsmo, pois eu quebro as cadêias do degrêdo enquão digo coisas sem sentido, significado, razão ou porquê - luto quixotescamente contra coisas que bem sei que não acontecem aos que se ocupam moendo o trigo.
Ele quebrou a lira e denunciou os algozes de seu têmpo, guardaram em si tôdas as côisas, e minaram dele a virtude, amôr, caridade e fé. Sobrou a carne, e traiu ele a própria carne com o espírito. Da traição, fez a fidelidade como mãe. E ele ousou, fazendo da morte o seu pendão - e o quão sortudo quem faz e vive dessa sorte. Quatro homens trasladaram seu côrpo, e o morto ria.
Desaguou de seu pêito água e viño, e quem sentiu o cheiro de alecrim no vento não entendeu, e as mulheres que ouviram, choraram, os homens que confiaram manearam a cabêça, fizeram da morte ponto de glória - sendo que devia sê-lo honrado em vida. Fizeram tudo errado, e ainda hasteando o requiém, colocaram a culpa no imóvel. 

...E seu coração, sem água e sem viño, secou e endureceu, assim cômo ele o pedia nas suas orações mais sinceras.

sábado, 8 de maio de 2021

Snowdance.

 Será que você pensa em mim, talvez como eu penso em você? Que eu entre os marronzinhos penso num carmelo, e de lá do lado do morrete do carmo, você pensa num marronzinho? 

Em algum dado momento dessa história, seu coração vai desaguar tudo isso, e largando de lado essas coisas tão banais, separatistas e desnecessárias, e será que ao abnegar disso tudo você vai se render nos meus braços? Será que no meu cativeiro, seria você que me desataria a cadeia e diria: Toma a capa, veste e vêm? É você por quem eu esperei há tanto, há muito, há dentro, ou devo ainda deixar meu coração preso no baú dentro do mar férreo? Diz-me que é a mulher que anda pela rua sem mêdo, bebe da fonte, e deságua na foz de minha bôca.
Jorra-se água e vinho. E é a vida.
Não sei não fazer planos, e não sei me apaixonar sem desaguar em mim tôdas as alegrias de ter alguém, tanto como dentro de meu lado oculto sei de minhas inseguranças, de meu mêdo, e de tôda a mágoa que cabe naquele grito dos 15 últimos segundos da canção grafada. Eu, sabendo de mim, sei de tudo ao meu redor, e eu me conhecendo, sei das texturas, gestos, côres, e das coisas que os profetas, anjos, primeiros e menores falaram. E antes deles, sei de mim. Me ponho como um na multidão, esperando que você me note, mas pelo visto há de demorar, ou talvez seja apenas um paliativo enquanto o seu homem não vem.
E não tem nada não, está tudo bem assim mesmo, apenas deixe a regra do jôgo clara, e eu me declino do que me pede. Me vale a paz do que esse entôjo, me vale o amôr do que essa amargura, e me vale o êxtase do que esse destêrro. Lágrima jorra, coração sabe porque, mente arquiteta pensar, e o carrasco de si mesmo o acusa com régua, para que a régua o meça. Não há nada de decente ou justo, é só a vida ocorrendo, e é normal, talvez até comum.
"Você se lembra daquele dia, no Rossio, tomando as mãos de gesso na tua, aquêle pedido? Você pediu, e talvez não tenha pedido direito. Nem tudo que nos transborda faz bem, alguns transbordes são para nos afogar - matar, sabe? Distingua a água do vinho e não tenha mêdo: Tôdos morremos e tôdos sabemos de si. Mas Deus, nessa hora se faz o Juiz, testifica e setencia quem é diferente."
Faz frio, um cachorro ronca, e os instrumentos se calam. Gostasse eu que minha mente se calasse, que meus pensamentos não me traísse, e que meu coração fôsse ao meu favôr. Gostasse eu que não fôsse meu primeiro juíz e carrasco, e que o pêso da história (constatação do fato) não penasse contra mim.
O têmpo, implacável perfeição advinda de Deus, sabe de mim, de meu coração imperfeito, e dá a razão e a lágrima. Andando contra o vento, sozinho, o vento não fala - carinha, o vento não corta - abraça, e o vento não desarruma - conta um segrêdo-de-pé-de-ouvido. A lágrima cai, e independente do que se há, é de lágrima, e nada mais, é apenas o desabrochar do mêdo. Saber de mim e saber de minha ferida e imperfeição: Vêde êles; tão lindos, belos, beberrões, saudáveis, com suas posses e empregados, e presentes...
...E eu esguio, de pés cansados, feio, desarranjado, sem posses, sem empregados e ausente.
In vera veritas; Não sei falar de amôr mais, perdi a mão dos versos, mas ainda deságuo minha dôr e mêdo por linhas como ninguém, e sei de mim e minha condição, aceito-a, e considero-a. De fato, as vezes também me sento com os da tribuna e rio de mim mesmo co'eles, afinal, é engraçado: Não há quem me ame, ampare, ou console, e tampouco sei que não sou aprazível para mulher alguma, tampouco sei que sou de boa companhia e trato, que tenho muitos defeitos (físicos também) que não são os que mais podem me ajudar neste quesito.
Eu lembro da vida, de quem amo e estimo, e choro.
Não há quem se arrume pra mim, tampouco há quem se adorne pra mim, e está tudo bem. Há quem se adorne pros outros, e infelizmente está tudo bem. E infelizmente, meu coração mais uma vez pena, geme, chora e tange.

E não há nada, absolutamente nada nessa vida, que eu não quisesse mais do que a morte.