quarta-feira, 30 de junho de 2021

Os Argonautas.

Mãe prêta, deita a moringa no teu colo, e serve a água do tibum-gadum do copo arêado no açude. Côa nosso café e dá um pouco pro têu hômem. Põe teu xale e tira a carne do dessalgue, vê o Sol subindo da barra e estende as roupas no bateio. Água meus olhos em ver-te, monumento vivo da história viva, mãe da guerra e felicidade - de punhal aberto na mão, e afago ligæiro na outra, me cariña e corta meus cabêlos, Dalila moderna. Corta-me e me devolve a fôrça ee maneiras singulares.
Evoco as allegôrias, mí(s)ticas, e delas me envolvo e velo, zêlo. Dá-me, nêgra, o seu licôr embôjoado na tua moringa, dá-me, nêgra, teu amôr.
Extenso o camiño, forte a estrada, doloroso o penar, e seguimos. Meditamos na medida e zeramos a reza, e os joelhos se aprendem a rezar, e as bôcas deixam de beijar: se tornou a convivência. Doeu.
No fundo eu sou um belo de um panaca.
Ai, que quêm me diz que o amôr morreu, me explica porque das 24 horas dêste dia, concentro as 30 na tua pessôa, e porque quando me calo para me fazer presente, sinto-me a trair no que creio, nos meus ideaes e cousas que rondam meu coração. Ai de mim, Guaratinguæta, por estar feliz e triste, e não entender mais de tudo. Apenas manter a forma, mas o conciso e concentrado ser vazio - atenuo aqui a minha forma de dizer e pensar, e logo elogio os olhos que tangem das linhas. Encontro-me perdido mesmo estando a me encontrar, estou sentado na mêsa, com cerveja aberta, sôm, cômida e esperando minha pessôa chegar, descer do Rossio e vir têr commigo.
De fato, o Frade Eterno tinha co'ele as razões.
De fato, havia em si mil razões e mil motivos.
De fato, e minhas justificativas?
Eu queria, ao menos, ser fêliz.
E ser fêliz por completo, não utópicamente, tampouco pela história, mas daqueles que olham a mulher nua, deitada na cama, e sabe que dela lhe têm o amôr. Ó estrada sinuosa e maldita, da qual meu coração se estreita e passa o passo. Entrego a mim uma tristeza, pois é o que no momento sei dizer e fazer. Meu coração começa a terminar de desaguar água e viño, e seca. Uma lágrima cae de meu ôlho.
Não sou eixo ou ponto, não possuo pôrto-seguro em meus braços, e dado o visto e o momento, não sei fazêr bem a ninguém. Sou filho de qualquer revolta e táciturníco na luta, luta essa que aprendi a amar, e não fui de voluntário. O meu pastôr sabe que eu sei que Êle sabe das armas que carrego, e cabe a Êle decidir se sou água ou se sou viño. De mim, sei tanto que deixo aos outros acharem.
Me cabe o silêncio, para que ao menos ilusóriamente, eu ainda ache que serei notado em algum momento.

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