sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Virgem dos Olhos de Vidro.

 Os sons falam de nós dois, você não ouve? Se não conseguir, abre a janela, lá fora a canção da rua toca um aviso falando do nosso amôr, e se ainda não conseguir, dentro de ti, no silêncio, ouve teu coração, e se ainda esse coração teu - tão meu, não síncopar falando de mim, então eu amei só. E isso me dói sem ser verdade, e mesmo sabendo das coisas, minha mente me trai, e me faz réu de mim mesmo.

Queria dizer-te tanto, mas pelo afã de não ter palavras, ou de ter como falar palavras, mantenho-me atordoado, descendo ao fundo de mim a procurar trejeitos, gestos que denunciem aquilo que para todas as paredes confesso, e gostaria que você entendesse e fôsse recíproco. Eu só quero, que você me queira, não leve a mal...
Deita-me no teu colo, e com a mão no meu cabelo, afagando em desalinho, diz-me tudo, desde a escola frankfurtiana até como se bebe tequila sem sal, e me faz sentir mais próximo, mais vivo, mais inteirado, dá-me o descanso daquilo que procurei e visei em você, e ao entregar-me aos teus braços, percebe o meu passo mantido, porém cansado, e a esperança de ser você quem procurei entre erros e devaneios. Não foco num fatalismo ou numa fantasia, mas numa realidade esperançosa; andei eu pela metade do camiño, e agora estou eu aqui te esperando para andar mais um tanto, e andarmos juntos - mostra-me que está finalmente completo, e que a mão que seguro é a mão que segurarei nas horas boas e ruins.
Dá-me o teu calôr; seus beijos; seus abraços; e se possível; teu coração; me faz sentir afã ao teu lado.
Despe das roupas, para que eu te veja ao natural mais uma vez, e que eu ao te ver, te sinta e te adore como outrora, e que ao menos você desarmada - sem roupas, trejeitos, palavras, parlação - me mostre que és minha, não de posse ou propriedade, mas que ao demonstrar afeto, acalme meus demônios, e escondido abaixo de meu peito, saiba que eu tenho parte na perfeição, e que essa mesma perfeição, é minha e me tem amôr - e o que você não sabe, é que eu preparei uma canção pra você.
Se lembra de mim, como lembro de você, e me guarde em teu sacrário, como te guardo no meu, tem em mim estima e amôr, pois tenho por ti em demasia, e te quero muito, bem, e em paz. Seja aquela que foi antes, e me diga novamente tudo o que foi dito, e guarda a nós dois: Venho em paz, nunca em guerra, mas enfrentaria tôdo tipo de cousa para te honrar e dar-te um sorriso no rosto e bôa vida; te fazer feliz, te fazer sentir amada, desejada, jorrar mel de tua flôr, segurar as barras com você, e deitar ao teu lado sabendo que ao meu lado dorme uma rainha. Eu realmente lhe amo, e por favor, me note, pois meu coração já pena e pesa.
Por favor, me diga que tudo isso é real. 

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