No eleio, deleitado com o beijo da mais amada, calado faz-se um voto. Uma jura. O silêncio que no seu bôjo carrega a denúncia do que nem êles sabem, mas fazem.
Na escada, as pernas lhe dão de travesseiro, e sua mão lutando contra a gravidade de um tempo inerte, tange o pálido rosto, está ali, nasceu ali: Foi ali que o amôr nasceu. Ela tange os dedos com outros dedos e o sorriso bobo não é, sendo, justificado. Dando-se a entender que a coisa mais simples do mundo convém de grande peso e confiabilidade. Eis a marca do amôr, o mundo ruindo em desprezo, egoísmo, solidão, e dois seres desprezam o universo e dentro do seu verso, imaginam-se sendo o universo. E são. Ele se põe por ela, e ela dá-se a suporte d'ele.
E no final, quando a chuva toca o asfalto, nada realmente importa, porque nada nunca realmente importa quando alguém lhe põe o Sol no peito. Estrêla da manhã, Deus Vos salve, cheia de graça divina, formosa e louçã. E se meu chefe me ligar, nada realmente importaria agora, porque seu perfume não vale minhas contas pagas, mas paga toda a agitação da minha alma, e ela fitando o amado, sente-se completa pelos dias de solidão, por não achar ter, não merecer ser. Nada além de você, nada além de você, por favor, deixa eu te amar mais uma vez depois desses últimos 30 segundos amando você. Despreparadamente, mesmo vivendo isso tantas outras vezes, noto que o amor dos tantos dois únicos unidos ao grupo de milhões dois únicos unidos é tão igual, mesmo sendo tão diferente. E isso não importa a ninguém, e isso não vale a ninguém. O sorriso dispara o peito, o beijo eleva o sangue, o abraço contrai a lágrima, e o perfume relaxa a mente, e a presença aflora algo de total débil verdade, que nem os escribas mais qualificados conseguiriam dizer. Faz-se tão presente o amôr, que de tão forte passa desapercebido, e quem está ao redor acha loucura a vida assim, dá-se a julgar loucura o amôr quem nunca amou - e digo o vero amor, e não esses amôres de hora comercial, ou de obrigação contratual.
Ela põe a blusa dele, ele a abraça por trás, ela sussura, ele ri, eles sorriem. Nada realmente importa. Ele levanta, ela pega a bolsa, ele estende a mão, ela aceita, ele a puxa para um beijo, ela sorri beijando, êle tem o Sol no peito, nada realmente importa. O Céu cai dentre as lindas nuvens que desabam água dos Céus, Jesus mandou lavar o casal para um começo purificado, a água mísitica científicamente comprovada pelo ciclo de evaporação cinge a luz do semáforo, ele anda de mãos dadas, ela pensa em até o fim do dia, ele planeja a semana, ela imagina o mês, ele ora por um semestre, ela não cria expectativas mas imagina os filhos, ele nem quer nada de tão ângular, mas pensa se ela vai amar ele até o fim da 2ª morte.
Fazem um sorriso, na escada rolante, outro beijo, ela cheira a avenca. Ele tem ótimas recordações de avenca, planta de infância. Ele pensa em amenar a barba, ela nunca cogita isso. Há uma alinhada de certezas no Céu que fazem as noites do centro serem bonitas e mágicas. Ele é recluso e evita multidões, ela sociabiliza e quer o movimento das ruas. Ele contempla e fita, ela sente e quer tanger, ele quer a casa, ela a caserna. Ele não quer, mas ela quer. Eles querem apenas o amôr. E tão só e somente.
Eles se despedem. Ele volta pra casa como um herói incerto, que poderia ter sido mais, e foi o comum, e se sente triste por não ser tôdo em expectativas. Ela volta, sorri, dança e turva, e ela manda mil mensagens se ele chegou bem. E o amôr assim se renasce, pela 27ª vez só naquele dia, pra esse casal.
E nada realmente importa.
Belo escrito
ResponderExcluir