Vêde, que as coisas ao meu redor desmoronam, e como Jan Palach continuo a rir frenéticamente de tudo, pois assim me faz bem, me é melhor, e me ajuda a passar pelas trovas de dôr e dor e dôr e dor e dôr e dor. De repente, noto que as flôres daquele jardim morreram há meses, e só me importava o cheiro, hoje apenas as cultivo por qualquer motivo de menor afanismo. Algo irá acontecer, me rasgará como o Véu do Santo, e eu nem ligo. Só quero não estar aqui.
Não me importo com os dias. E sinceramente, não posso evitar de não me importar com a vida e com as coisas ao meu redor, apenas, mais uma vez, dessa vez, eu deixo os Céus caírem sem me ver, e sem me perceber, burro e bobo trafego na rua, e como o deferido Carneiro môrto no madeiro, me deixo sangrar, sem que ninguém perceba, pois no silêncio eu aprendi a viver. Aprendi tanto de tantos que esqueci de mim, e ao me esquecer, deixo-me morrer a cada esquina, a cada copo, a cada beijo, a cada sorriso distribuído, a cada Kyrie, a cada benção sôbre a terra, e pior: A cada rastro que deixo, sinto esvanecer um pouco de mim, ficando nada por nada, e deixando as lindas garôtas não mais cantando, e não mais a sentir o Céu turvar.
Sinto-me próximo do encontro do meu amado, do que me amôu primeiro, e irei de encontro a Êle sem me preoucupar com ninguém, nem nada, nem se deveria ou não, o vento bate forte contra o amôr, e eu irei deixar esta caravana. Caio do degredo na areia fofa dos têmpos, deixando-me saber quem sou. Sou dono de mim, e faço o que quiser.
Entendo da glória dos Céus, mas não entendo a glória dos homens, e sinto Deus cada vez mais perto de mim, mas não sinto o vento das fôlhas ou o lancete do inimigo, e nem a mão lançada da amada, mais uma vez, dessa vez, pela milésima vez, me apresento ao Deserto de Cemal, aonde vago ser ter quê ou por quê(m). Devo eu deixar essa caravana. Eu não quero nenhum Cadillac.
Você lembra do dia em que andamos pelo Rossio, e o frio tocou minhas mãos cortadas, e atrelado no cabelo, segui a fôlha que caiu do Céu? Lembra-te do dia na praia, com o velho genitor e a cerveja gelada? Lembra do show, aonde sozinho foi mais que a multidão? Lembra-ti, da vida antes da vida, e do tempo montado no tempo, e de tantas coisas? Lembra de quando você tocou para todas aquelas pessoas? Ou do 1º abraço de Bep? Lembra-te de alguma glória cativa? Lembra apenas que você é homem, e como homem deve permanecer.
Pelo sôm, te dói no peito, e a cabeça quer dormir, por isso você escoa em lágrimas poucas - porém pesadas, e assim você se faz o último de Terceiros. Você sabe que o peso da sociedade lhe faz sentir coisas que você adoraria, mas, manter o mundo sendo mundo, é mais doloroso do que manter sua cabeça em ordem. E na Ordem, nem tudo está em ordem.
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