quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Komakino.

Dedicado a Ian Kevin Curtis.

Eu não quero mais nada a não ser aquilo que se encontrar próximo de minha estrada. Qualquer coisa que se encontrar longe ou afastado demais de meu caminho é considerado inútil (mesmo que outrora m'fosse vital), e o que mais vier no meu caminho, e não ousar ficar, logo será descartado e perderá seu contato e convivência comigo. A sombra que permanece em pé ao lado da estrada diz que nunca vai me abandonar.
Não cabe a mim discutir ou repetir coisas que forma já ditas por vozes maiores ou mais bem-entonadas do que a minha, não mesmo. Cabe a mim ver o rio tão turvado, enegreado e sinuoso por debaixo da ponte que eu pisar, dos olhos que me fitam sem emitir ou omitir sinal algum, e fazer aquela criança desconhecida parar de chorar. Cabe a mim tomar um caminho aonde todos os temores e situações vãs sumam do meu caminho e dos caminhos que cruzam e se aparalelam aos meus. Não tenho mais idade para isto tudo, tampouco paciência para aguentar esses malgrados de pessoas que nem sabem escrever meu nome; Eu quero feijão com coentro. Assusta não olhar para o próprio umbigo, mas, quando olhado, ser vilimente tratado pela magnética torcida, que espera apenas uma falha sua para atacar você, atar seus punhos, e cortar-lhe em véus.
Senhores, tenho uma granada abaixo do queixo, e nela está escrito redenção. Irônico, não?
Estou, ajduntamente e seguramente agora, chegando no pico daquilo que tanto procuro, e sinto isso a cada dia mais, a cada segundo mais, e sinto nos olhos de quem me olha, na voz de quem me conversa e no abraço em que me encontro.
Minha mente projeta cenas, põe obstáculos, prega peças, encena e roda um filme do qual nunca vivi, nunca senti. As pessoas olharam com cara estranha quando eu disse que não fumava maconha, mas, eu tenho valores, e muitas pessoas ainda os tem (mesmo que deturpados - no sentido amplo da palavra). O que não admito é quem estiver do meu lado mentir, omitir e ocultar um cadáver que hora ou outra eu vá sentir o cheiro embaixo da minha cama. Não me incomodaria se já tivesse conhecido sua ossada, mas, o cheiro podre e pestilento e as vermóides terminando de comer a carne rosada e bruta não me fascinam. Despacho este assunto, não me pertence mais.
Eu não tenho nada a perder, e nem por isso sou um Deus. Sou mais um como qualquer outro humano. E ainda sim - vez ou outra - ainda sinto dor dos mais variados sintomas e formas. Eu aguentei muita barra sozinho, e até hoje engulo muita coisa a seco, ou com farinha. Minha garganta tolamente tenta engolir todos esses problemas, mas, não faz diferença; Uma hora tudo sempre volta.
O Sol desponta acinzentado no meu caminho, e morre acinzentado: Eis o daltônico conversando de cores mil, e olha o mundo na sua mais cruel indisposição, e olha aquele tolo sozinho na estrada: Pelo seu mau comportamento, e ideias miraculosas para assuntos macabros e situações "práticas", foi posto para escanteio e ganhou uma esposa, cujo nome é Solidão.  
As letras confortam qualquer pessoa e qualquer situação. É ignorância e inútil querer fazer de um dos meus raros prazeres virar máquina mercantil. Eu não quero, eu não nasci pra isto. Eu já fui muito espezinhado, eu só quero minha cerveja e meu disco rodando, apenas isso, sem desengano algum, sabe? Eu só queria...

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