Deus, há quanto tempo não sentia assim, ele se pega pensando...
O frio corre das juntas dos seus dedos até a sua nuca, e assim ele apenas se sente vivo. Não que a morte seja ruim - é apenas uma transição, legado de heróis que tombaram naturalmente ou se fizera de tombados ante a este local. Agora a garoa gentilmente lava seus cabelos, e não seus pensamentos, fazendo assim que mil questões, dez mil mágoas, vinte e sete cenas e cinco lágrimas esvoacem n'Ele. Senhor, Misericórdia.
O garoto que vive de música não quer ouvir música hoje, e se alguém o conhecesse, talvez soubesse que isto é perigoso, tal qual um urso que não vive sem mel, ele não vive sem o som. Mas, hoje ele quer ficar só, e nos olhos dele - se você o notasse - a íris esmeraldina se tange em outra cor do verde, mostrando talvez a cor da sua áurea, o seu estado (de cair duro no chão).
É muita mágoa pra uma vida só, muita falsidade, muito cinismo e citações sem base, ele levanta a gola da blusa e afaga a barba. Só mais uma vez no alto da rua, seu guia é sua companhia, se você soubesse, saberia que o que ele mais queria era você ali com ele. Muitas cousas ele entende, muitas sabe, mas, os pensamentos vãos, e feos mal o deixam, e só o pioram e maltratam. Cousas que ele nem tem noção de como se é, vem a tona e o magoam, e o machucam, e ele ri como se aquilo fosse divertido (talvez seja para quem o assista lutar contra si mesmo, a ponto de se cortar para se sentir vivo), ou cousa que o valha. Ele está com medo do futuro, seu planejamento ainda tem falhas...
Ele pensa nela, nas cousas, no futuro, nos olhos inquisidores de quem supostamente deveria estar do lado dele, e ele pensa em ir embora. Heliponto, mais uma vez, o vento bagunça o cabelo dele, e ele ri copiosamente da cena: Ninguém vê sua luta, apenas o vento que ele tanto gosta. Talvez tenha sido o vento que o fez ficar aqui, talvez ele tenha recebido o carinho do pai dele que ele tanto quis, ou até mesmo ele tenha achado que sua família não merecia enterrar a sua ovelha negra agora.
O passado condena e assusta, o presente trás mudança e o futuro mora na incerteza, ele se perde nas horas de um relógio que cadencia movimento algum, e logo agora, antes de ir embora ele abnega o café da tarde, apenas para pensar em si, e como ele foi se acomodando, perdendo a coragem e se transformando em um homem ordinário, sem amor, dinheiro, paz ou bens materiais, correndo na rua apenas pra acompanhar a multidão frenética e ávida por dinheiro, fama, sexo e glória. Deus, olha por nós neste outrém.
Ele pega o metrô, e dorme. Como se estivesse numa cama dura, e mesmo assim seus sonhos não lhe dão a trégua, o corpo-a-corpo intenso lhe faz cansar, mas, a alma é de menino, e a lágrima faz a perseverança nascer. Ele vai morrer; Ele morreu; Ele está aqui. Ele nunca há de morrer. Seus lábios rezam a oração sincopada que ninguém lhe ensinou e suas mãos travam-se e fazem firmes para o manter em pé, enquanto seu corpo pena em querer descer. Ele queria ouvir a voz da mulher que tanto ama: Não vai.
Talvez, se o conhecesse, você veria que ele precisaria de ajuda mais que nunca, e notaria que ele anda cansado, magoado, chateado e afim de finalizar no heliponto. Se você o conhecesse, você o abraçaria com toda sua força e seu amor, e mais ainda: Não o colocaria em local indevido. Se você conhecesse a pessoa de quem eu falo, você não reclamaria de sua vida, tampouco iria dizer mil cousas sobre seu martírio diário; Você até o convidaria pra tomar uma cerveja. E veria, que assim como tantos outros, ele só quer, precisa e tem o direito de vencer (ao menos uma vez).
É preciso saber porta-se com serenidade diante do revés ou do triunfo. Nem vibrar na vitória e nem se deprime na derrota.
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