sexta-feira, 6 de junho de 2014

Oração para Báb.

Disseram-me que ela teve um ataque cardíaco e morreu, eu apenas acho que ela se desiludiu como cada um de nós se ilude todo santo dia, sabe? As mesmas velhas sensações de que tudo vai mudar, e nada muda, apenas se obtém um gosto amargo na boca.
Mas, e agora, o que que se há de fazer? Quase nada. Apenas vestir sua mortalha, pô-lá-em um caixão adequado. Doce menina, levanta e sorri: Olha e vê, que tudo isto é seu, mas hoje não, hoje você decidiu mudar o trajeto para um campo desconhecido. Os sinos tinam, mas não ressonam coisa alguma: Fica no ar um som audível, que ninguém ouve, onda eletromagnética de dor e prazer (depende de quem a escutar) que se faz presente em casas, escolas e templos.
Quando eu sorri, você foi quem riu junto, e quando eu caí, você me apoiou contra o solo firme, para absorver a rigidez do barro e asfalto, talvez por isso eu seja assim, meio estranho. Devoram nos meus dedos, histórias de um eu, e uma você. De um "nós", tão sintomático e belo. Erramos aonde, só que erramos alguma hora? Culpa não se divide, mas, somos um.
O velho homem do bar, que todo dia conversa comigo de futebol e etc, me disse que a briga de casal é igual rabo de largatixa: Se regenera, cresce de novo, depende de como o trata e o cuida, e assim o creio. Nós transcendemos isso.
Pai, você esqueceu de me falar muita coisa sobre essa vida sofrida que nos maltrata e usa como se fossemos nada. Você foi embora cedo demais, meu velho. Foi, e foi contigo todas as histórias e segredos que nunca mais ouvirei ou hei de saber. Pai, a minha vida é a continuação da tua, por isso ergo no ariete uma bandeira de salvação para todos que já se perderam como eu, você, e o resto dos "garotos maus".
Você nem me avisou como seria essa vida, pai. Tampouco como lidar com ela, ou teu manual de instruções longo, extenso, chato e maçante. Dói muito, e ninguém me falou - melhor dizendo: Ninguém nos falou de nada, nem de como, nem porque...

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