segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ele.

Imagina um homem incompleto, que não se tem em satisfação, contentamento e alegria. Agora, peço que imagine além: Nas narinas deste moço, só lhe vem o cheiro da esperança, de que tudo vai dar certo, sabe? Porque ele acredita nessa vã situação? Porque ninguém lhe oferta a felicidade, ou o amor puro, manso e bonito, como um carneiro? O que é a vida ao pé de vós?
Ele abre as janelas, mas não vê Sol algum, tampouco liberdade de espírito, ele deseja morrer. Ele vê as garotas nas ruas, e lembra que um dia o vento trouxe alguém, que foi embora. Copiosamente, ele chora e se faz menor ante os menores, e assim Deus olha por ele, salvando-o de todos os pecados, suicídios e maldades existentes. O resto é total silêncio. Nada nos resta a não ser esperar, ver, crer e sentir aquilo que resta de positividade dele, ir embora de seu corpo, de seu espírito.
Ele sabe que ela nunca o amou, e que seus elogios eram mentirosos, e aí ele vira o golpe da cachaça com mais força, até - sem saber como - ele cai duro na cama, e acorda para o mesmo velho dia, com as mesmas velhas olheiras. Ele não desiste da morte, ele se sabota, mesmo não conseguindo seu desejo oculto mais sabido: Cruzar o rio de perdição para atingir ou o Céu ou o Hades. Ele só quer sair dessa vida de cão, ele só quer o carinho que nunca ninguém o deu, e nunca dará; Ele bem sabe que o amor nunca sorriu, nem irá, pois, o que um dia ele achou que poderia ser amor, foi uma série de desilusões e traumas em série: Aqui jaz ele em sua cama, como um morto no ataúde: Fitado pela lâmpada elétrica, não diz nada, apenas medita na sua medíocre existência e em seus desafios - pessoais e públicos - uma negação, como se admite, em segredo enquanto faz a barba, ou veste a calça de semana.
Toda manhã ele se pergunta se é sorte, virtude, benção ou maldição ter acordado mais um dia. Ele tem saudades do que nunca aconteceu. Se arrepende, e paga o preço de quem vive atado ao castigo: Sozinho, mesmo acompanhado, junto, mesmo trafegando só, e atado, mesmo não havendo corda que me prenda. Foda-se. Em letras garrafais. Ele não aguentaria um dia sequer toda aquela dor de novo; Homens bem alinhados que riram da sua roupa, e meninas que menosprezaram ele. As pessoas são bem assim, mas, nem todas tem a bonança e amor supremo de Deus, ele mesmo, se pudesse, mataria todos - incluindo a si mesmo - com duas granadas: Uma na sua cabeça, para que os pensamentos não lhe corroessem mais, e outra no peito, para que nenhuma ilusão lhe reinasse mais. Ele é tão infantil.
Ele vive sozinho, porque ninguém consegue ver o que ele vê. Antigamente, chamavam isso de santidade, agora, é "doença moderna", ou loucura. Ele vai morrer, ele quer morrer, ele já preparou seu ataúde: Sua cama, aonde mais uma vez, toda vez...Até o raiar de um novo dia. Sabe se lá qual dia é que vai ser...

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