segunda-feira, 16 de setembro de 2024

The Sweetest Taboo.

Eu sei que não deveria, mas fiz o que foi melhor; mesmo que me arrependa. Não me rendi aquilo que a cabeça pensa e ao coração padece, mas sim fui contra o encontro de um sentido, e sim, é possível. 
Desci a rua e olhando de lado, esvaneci a fuligem do tabaco moído com a dos lixos na rua; por mais um tanto andei, e ao ver as garôas diferentes, voltei a ser o garôto que trabalhando, se escondia da chuva na marquise dos prédios.
Vi as elegantes damas deslizando com seus saltos, e homens polidos parecerem cachorros molhados; quanto a mim apenas desci a grã avenida com meu matulo cheio de pesos, e na minha cabeça cacofoniavam as idéias que sempre fui deixando para depois - planos, pensamentos, quereres, e tantos sentimentos que foram calados para manter o "bem-estar comum"; esquecem os sábios de nos dizer que quando nós tomamos o jugo da vida, não podemos titubear na dúvida, e tampouco entender ou contestar preço algum; pois, fazer renascer o tal ímpeto famoso guerreiro pelejador de contendas é renegar todo o castelo que se constrói meticulosamente e cuidadosamente. Nos é permitido viver em paz, mas nos foi dado também a opção de viver em guerra pela parte da verdade; e dado a saber o caminho que escolhemos, logo vemos aonde dá o fim de nossa estrada: ou o esgotamento, ou a morte.
Se da Dulcinéa não toco e não sonho e tampouco cogito, não foi por motivos de ter matados as bôrbolêtas dos aires e campas que tangiam-me, mas sim porque não sei mais caminhar passos alternados e ser fidalgo de pesos díspares. Quero o igual para dois numa medida posta em justo. 
De verdade, não tenho tempo em dedicar legislações a falsos tipos de sons, e tampouco a ver o reflexo que só eu enxergo; não se há tempo para super-heróis e trampolins fantásticos de mundos felizes de tardes de iôga com incensos e azuis, e erros que se perdoam com um xamã asteca certificado por um monge nepalês que mora na Rua da Glória e se chama Jaime - muito pelo contrário; prezo pela homogeneização, desde que coerente e sincera, que pela sua vivacidade, ela se faz entender; ou como diria Tio Fungo (de dôce memória): "Calma, ela não é japonesa, a mãe dela que morava no Ceará".
Quando, exposto ao painel de facas e lancetes, olho cada lâmina e sua textura e afiação, e sabendo de seus tângeres, nada ouso em dizer ou pensar, pois, apenas sorrio e me atiro contra a que me lancina menos pois assim sei que aguento a próxima escara no dia seguinte; e deixo, a derradeira, para o último embate - seja por motivo de glória, ou por fim-de-fêira.
Mantenho - ainda sim - os sonhos e sons em mim, pois deles ninguém me tira ou supressa. E se me ostenta a mão vazia, é porque os guardei em meu peito, de forma que o inimigo, ojerizado pelo meu silêncio, mantém-se altivo e jocôzo, mas sabe lá ele que seu fim é iminente, e eu, como assim o faço, apenas mantenho-me descendo a rua em movimento, e colocando mais fôgo em meu cachimbo, incenso tudo aquilo que dispersa-se de mim. Porque hoje abro mão de tudo o que se emana e orbita no espaço de três braços, menos de mim; a chuva não para, e dessa vez eu não paro porque eu não ouvi a resposta...

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